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Preço mínimo da cesta básica teve queda de 1,95% em abril

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

O preço mínimo da cesta básica em Bauru teve uma queda de 1,95% em abril de 2001, atingindo R$ 140,11 contra R$ 142,89 de março, de acordo com pesquisa realizada pela Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), para o Data-ITE. O valor em Bauru permanece abaixo do mínimo apurado na Capital pelo Dieese, que atingiu R$ 146,29, ou seja, 4,23% maior. Porém, no acumulado do ano, a alta da cesta básica em Bauru já chega a 9,01%, que é mais que o dobro dos 4,5% projetados para a inflação deste ano.

Para o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, que é um dos coordenadores da pesquisa, a queda de preços em Bauru e o fato do valor estar abaixo do que é cobrado na Capital, estão intimamente ligados à concorrência que vem ocorrendo entre as redes de supermercados, o que está beneficiando os consumidores.

Cafeo considera que o valor acumulado no ano (9,01%) é um ponto negativo. Para o delegado, os preços estão num processo de acomodação, que ele não sabe se vai refletir no valor do preço mínimo da cesta como um todo. Porém, prevê que a região Sul deve apresentar um valor menor em maio, em razão da grande concorrência que está ocorrendo com a chegada de novas lojas naquela área.

De acordo com a pesquisa, realizada em dez supermercados de Bauru, coordenada pelos professores Jacques Vervier e Cafeo, em abril, o grupo alimentação, que apresentou queda de 0,7% sobre março, teve um peso de 74,6% sobre o valor total da cesta.

Por outro lado, o grupo de limpeza teve peso de 13,62%, com uma queda de 6,8% sobre março, enquanto o de higiene pessoal, que apresentou queda de preços de 2%, representou 11,8% do total da cesta.

Vale lembrar que, no acumulado de 2001, por grupos, as altas foram as seguintes: alimentação 11,13%; limpeza 0,39%, e higiene 6,69%.

Para Cafeo, é importante destacar que o valor mensal da cesta básica é diferente do diário, que pode sofrer oscilações diferentes das apontadas na pesquisa. O delegado diz que o melhor caminho para o bauruense ainda é a pesquisa, uma vez que, em apenas um supermercado, o cliente não consegue encontrar todos os produtos no preço mínimo.

As maior alta verificada pela pesquisa no grupo alimentação foi no frango, que teve uma variação de 20%. Porém, houve reduções significativas no açúcar, de 37%, e de 33% no feijão.

A pesquisa é realizada em dez supermercados de diversas regiões da cidade, sem que ocorra repetição de dois da mesma rede. Estão incluídos 31 produtos, das marcas mais consumidas em Bauru, de acordo com pesquisa realizada anteriormente.

Uma das principais conclusões da pesquisa comprova a velha tese de que o consumidor deve estar muito atento na hora de comprar, pois entre os preços mínimos e máximos dos mesmos produtos, há diferenças expressivas.

O valor base adotado é o da segunda semana do mês, no caso de abril, mesmo critério utilizado pelo Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese). A cesta do Dieese é bastante generosa; 15 Kg de arroz, 4 Kg de feijão e 10 sabonetes por mês para quatro pessoas.

A metodologia adotada pela ITE é a mesma usada para apuração da cesta básica na Capital, por meio de um convênio entre o Dieese e o Procon. Isso faz com que se tenha, inclusive, uma base de comparação.

O valor mínimo total da cesta em Bauru é a soma dos menores preços encontrados nos dez supermercados. Isso não significa que o consumidor vai conseguir encontrar esse total se comprar em apenas um estabelecimento.

Metodologia

Para definir a cesta básica, foi utilizada a lista de produtos de alimentação, limpeza doméstica e produtos de higiene pessoal definida pela pesquisa do Dieese-Procon para a Grande São Paulo. Para o cálculo dos índices, foi utilizada a fórmula de Laspeyre, com ponderações fixas de médias das marcas mais freqüentemente consumidas em Bauru, em preços absolutos (reais correntes); utilizou-se o mesmo Questionário de Levantamento de Preços e o mesmo Manual do Pesquisador, elaborados pelo Dieese e Procon, já mencionados.

De acordo com os critérios do Dieese, o valor final da cesta básica é a soma ponderada dos menores preços encontrados nos diversos supermercados. Quem quiser comprar a cesta nesse preço deverá percorrer todos os estabelecimentos para comprar o que cada um oferece no melhor preço. Os resultados serão apresentados mensalmente através de tabelas.

Centro tem menor preço

Por regiões, a pesquisa do Data-ITE verificou que a Zona Central apresenta o menor valor para a cesta básica, com R$ 156,02, que significa 11,4% mais do que o valor mínimo de R$ 140,11. O maior valor está na Região Leste, com R$ 171,17, numa diferença de 22,2% sobre o menor preço.

Em relação ao menor preço, o valor encontrado na Zona Norte da cidade R$ 161,49 - é 15,3% maior. Esse índice sobe para 15,4% na Zona Oeste R$ 161,68. O segundo valor mais alto por região vem da Zona Sul, onde chega a R$ 170,38, ou seja, 21,6% maior que o menor preço.

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