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Gás natural pode ser o combustível do futuro

André Tomazela
| Tempo de leitura: 5 min

Apesar da economia real de cerca de 70% nos gastos com combustível, o veículo perde potência do motor. Esse decréscimo oscila entre 5% e 15%. O professor de engenharia mecânica da Unesp, Marcos Roberto Bórmio, contesta e diz que a perda de potência se dá em função do sistema bicombustível da adaptação

As reservas brasileiras do gás metano, o gás natural, indicam que este pode vir a ser o combustível do futuro que possibilitará a locomoção de grande parcela da frota de veículos brasileiros. Segundo o professor do departamento de engenharia mecânica da Unesp/Bauru, Marcos Roberto Bórmio, outra vantagem do gás natural é que trata-se de uma energia limpa, que emite resíduos numa quantidade muito menor que o óleo diesel, um dos derivados do petróleo mais poluentes. Eu acredito que, entre os combustíveis fósseis, é o mais limpo que está disponível, comenta.

O Governo Federal incentiva o uso e em, São Paulo e no Rio de Janeiro, já existem inúmeras empresas especializadas na conversão dos motores à gasolina ou à álcool para o sistema de bicombustível, preparado para receber o Gás Natural Veicular (GNV). Para suprir o abastecimento, vários postos estão disponibilizando, juntamente com outros combustíveis, o GNV. Em São Paulo existem cerca de 15 postos e, no Rio, este número sobe para 60 postos. Todos são conveniados à Comgás, empresa autorizada pelo governo para comercializar e distribuir o gás no Estado de São Paulo. No Rio, a empresa autorizada chama-se Rio Gás (CEG Gás).

Se fosse só à gás, não haveria perda de potência

De acordo com Bórmio, o Gás Natural Veicular (GNV) requer adaptação do motor em função dos diferentes índices de poder calorífico, energia entregue por unidade de massa do combustível e a taxa de compressão do motor. É a pressão de compressão que gera o aproveitamento da energia do combustível. O gás natural tem um poder calorífico maior que o álcool e um pouco inferior à gasolina. Em contrapartida, ele suporta compressões maiores, o que significa um rendimento maior, afirma Bórmio.

Com relação ao consumo de combustível, o professor comenta que o álcool, a gasolina e o GNV não apresentam diferenças exageradas de consumo. O que possibilita a economia de 70% anunciada pela empresa Inject Gás, seria o preço muito mais em conta do GNV.

Comentando a perda da potência do motor indicada pelo diretor da Inject Gás, Henry Lowe Jr., de cerca de 5% a 15%, o professor Bórmio indica que, possivelmente, esse índice é resultado da conversão do motor para bicombustível. A adaptação do motor, se fosse apenas para receber o gás natural, não resultaria numa perda como essa, comenta. Prova disso, segundo Bórmio, é o próprio álcool que, embora possua um poder calorífico menor que a gasolina, quando é utilizado num motor totalmente adaptado para recebê-lo, pode gerar potência maior do que com gasolina. O mesmo deve acontecer com o GNV, conclui.

Segurança

Apesar de ser um combustível gasoso e altamente volátil, ou seja, não ficar parado no local em caso de vazamento, o gás natural ainda é considerado mais perigoso que a gasolina, por exemplo, e exige normas de segurança muito rígidas. De acordo com Bórmio, existem adaptações clandestinas realizadas para receber gás de cozinha, altamente perigosas. Com o GNV, a intenção do governo é evitar essas adaptações clandestinas através da autorização para empresas especializadas realizarem a conversão do veículo de forma adequada e dentro das normas de segurança. O combustível líquido é mais fácil de ser armazenado, já o gasoso, como o GNV, necessita de alteração nos cilindros do motor de modo que o mesmo fique com alta pressão de compressão para segurar o gás, comenta.

Autonomia

A autonomia de um carro movido a GNV é de 100 a 200 Km. A autonomia deve ser um pouco menor, porque o reservatório tem que ser muito robusto e toma um certo espaço no veículo. Se o espaço for o mesmo do tanque de gasolina, com certeza haverá perda de autonomia, comenta Bórmio. A grande dificuldade para um proprietário do Interior paulista que queira fazer a conversão no seu veículo é encontrar postos que forneçam o gás natural, razão pela qual ainda não há empresas conhecidas especializadas na conversão. Parte do problema pode ser resolvido com o sistema de bi-combustível: não se encontra mais GNV, há a opção de colocar o combustível original do veículo.

Onde e como fazer a adaptação

Em Bauru, ainda não há notícia da presença de empresas especializadas em conversão de veículos para o gás natural. A tendência é que em breve elas comecem a pipocar por aqui, junto com a rede de postos que vão comercializar o GNV.

Para os proprietários que já estejam pensando em aderir à nova onda, é bom saber que existe uma Associação das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás). Através do site da instituição na Internet, em breve será possível saber, através de uma lista, quais as empresas credenciadas para fazer a conversão. Enquanto isso não ocorre, o mais importante é pedir indicação de uma empresa para quem já fez a conversão no seu veículo.

Para o diretor da Inject Gás (empresa de São Paulo), Henry Lowe Jr., a conversão só parece ser muito complicada. Em menos de 10 horas, o proprietário do veículo poderá pegá-lo totalmente adaptado.

A faixa de preço do serviço, segundo Lowe, varia de R$ 2 mil a R$ 3,3 mil, de acordo com o tipo de automóvel. São três os pacotes para a conversão de um veículo à gás: um para carros que usam o sistema de carburação, outro para os veículos equipados com injeção monoponto e, o último, para injeção multiponto.

Documentos

Uma vez feita a conversão, o proprietário do veículo deve providenciar um documento que apresente as novas características do veículo. O serviço deve ser feito diretamente no Detran, pagando-se uma taxa de R$ 75,69, ou por um despachante, que cobra em média R$ 150,00.

Os documentos exigidos são o RG e o CPF do proprietário, documento do veículo e lauda para da conversão. Nesse laudo devem constar notas fiscais das peças e mão-de-obra, homologação do Inmetro e o testo do cilindro, chamado de teste hidrostático.

Serviço

Para mais informações consulte o site da Abegás: www.abegas.com.brA Inject Gás pode ser consultada através dos telefones (11) 3742-3725, (11) 3507-0396 ou (11) 3507-0400.

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