No outono e no inverno os cupins subterrâneos não se reproduzem, facilitando a ação de medidas de prevenção e tratamento
Móveis de madeira, paredes e até mesmo instalações elétricas deterioradas por cupins são problemas que podem ter uma fácil solução no outono e no inverno - período ideal para o extermínio desses insetos. De acordo com a bióloga e professora do Departamento de Ciências Biológicas da Unesp-Bauru, Sônia Silveira Ruiz, os cupins subterrâneos não se reproduzem neste período, o que facilita a ação de medidas preventivas e de tratamento.
Os cupins da espécie subterrânea necessitam das rainhas - que possuem asas - para a reprodução, de acordo com a bióloga Sônia. O período de revoada, em que eles invadem residências e se reproduzem, acontece principalmente na primavera e no verão. No outono e no inverno eles ficam com baixa densidade populacional em suas colônias e se escondem, já que não gostam nem de muito frio, nem de muito calor. Se o tratamento for feito agora, a população de cupins pode ser reduzida ao máximo, garante.
As técnicas de aplicação de produtos para o combate desses insetos variam de acordo com a espécie. No Brasil, as espécies principais são os cupins de madeira seca e os subterrâneos. Os de madeira seca formam suas colônias dentro de pedaços e objetos de madeira. Já os subterrâneos precisam de mais umidade para sobreviver e movimentam-se sob o solo, podendo invadir prédios e casas pelas paredes, destruindo até mesmo instalações elétricas e hidráulicas de um imóvel.
Os cupins subterrâneos têm a vantagem de passar de um móvel a outro percorrendo caminhos que não precisam ser de madeira. Para isso, eles constroem uma espécie de túnel e deixam suas fezes como rastro, formando caminhos semelhantes à argila, que muitas vezes são encontrados em quinas de armários e batentes de portas.
A descupinização de colônias localizadas em madeira consiste basicamente na aplicação de produtos químicos no objeto, de acordo com Sônia. Já no caso de cupins subterrâneos, o ideal é o tratamento preventivo. Deve-se proteger o prédio antes e construí-lo. Se a fundação do prédio estiver bem vedada, o cupim não terá meios de sair do solo a chegar às paredes, esclarece a bióloga.
De acordo com o dedetizador Richard Franco, a descupinização de cupins de madeira seca é mais rápida e de fácil aplicação que as demais. Quando os cupins estão em objetos de madeira, nós localizamos os furos que eles fazem nos móveis e aplicamos o produto sob pressão, para que ele percorra o caminho que os cupins fizeram, expõe Franco.
Em madeira, os preços das aplicações de descupinização variam de acordo com o local em que estão instalados os insetos. Uma aplicação em um forro com 100 metros quadrados, por exemplo, custa cerca de R$ 150,00.
No caso de cupins subterrâneos, a terra pode ser tratada antes da construção do imóvel com a aplicação de produtos químicos. O preço médio é de R$ 15,00 por metro quadrado.
Quando os cupins atingem o subterrâneo de um imóvel, o procedimento de descupinização consiste em furar o piso nas proximidades das paredes, de forma linear e a cada 30 centímetros, aplicando quatro litros de produtos químicos em cada furo, de acordo com Franco. O procedimento custa cerca de R$ 15,00 por metro quadrado.
Após a aplicação, os moradores da casa não devem freqüentar o local por duas horas, tempo necessário para que o solvente utilizado - um derivado de petróleo - evapore-se.
Benefícios
Os cupins também podem desenvolver ações benéficas ao meio ambiente, de acordo com a bióloga Sônia. Principalmente em florestas, os cupins digerem o material e o devolvem à natureza na forma de nutrientes para as plantas, como num processo de reciclagem, compara Sônia.
Ela acrescenta que a formação de grandes centros urbanos propicia o aumento das populações de cupins. As aglomerações em centros urbanos facilita a proliferação dos cupins que, nestes casos, tornam-se nocivos a nós, à economia. Mas somos nós que facilitamos as condições de vida para eles, disse.
Saiba mais sobre os cupins
Os cupins são insetos que vivem em sociedade - assim como as abelhas e as formigas - e têm como característica marcante a divisão dos trabalhos dentro de uma colônia, onde eles dividem-se em operários, soldados e reprodutores.
De acordo com a bióloga e professora do Departamento de Ciências Biológicas da Unesp-Bauru, Sônia Silveira Ruiz, os cupins adaptam diferenças de seus aspectos morfológicos à função que desempenham na colônia.
Os operários aparecem sempre em grande quantidade, são menores que os demais, cegos e de coloração branco-leitosa.
Os soldados são os defensores das colônias e possuem mandíbulas grandes ou pontiagudas, por onde eliminam substâncias tóxicas como mecanismo de defesa.
As rainhas são as reprodutoras e são os indivíduos mais protegidos de cada colônia, podendo medir até 8 centímetros de comprimento. Em decorrência da proteção que recebem na colônia, elas podem chegar a cerca de 30 anos de vida. Devido ao tamanho do abdômen das rainhas, que acumulam ovos, elas podem medir até oito centímetros, em algumas espécies, afirma Sônia.
No Brasil, existem cerca de 200 espécies de cupins, sendo que os mais comuns são os de madeira seca e os subterrâneos.
Uma colônia com 3 milhões de cupins subterrâneos pode consumir cerca de 360 gramas de madeira por dia.