O setor de ônibus e microônibus no Brasil é completamente diferente do de automóveis. Enquanto que no de ônibus e microônibus, as montadoras produzem chassis e carrocerias, no de automóveis, existem montadoras que produzem somente chassis e outras que fabricam somente carrocerias que, na maioria das vezes, atuam em parcerias. Isso ocorre porque quando as indústrias de chassis começaram a aparecer no País, já encontraram empresas sólidas que montavam carrocerias, o que incentivou o sistema de parcerias. Outra vantagem do sistema de parcerias é que a venda de chassis para um determinado frotista possibilita que ele solicite à empresa de carrocerias, o encarroçamento dos chassis dentro de suas expectativas.Entre as empresas que fabricam os chassis estão a Volkswagen, Volvo, Agrale, Scania e Daimler Chrysler. Já as fabricantes de carrocerias são a Marcopolo, Busscar e a pequena Comil.
Volksbus com motor traseiro
A Volkswagen é a montadora de chassis líder no mercado de caminhões, com 33% de participação no mercado brasileiro. Já no setor de ônibus, a Volkswagen teve 20% de participação no mercado, figurando no segundo lugar no mercado desde 1993, somando o mercado doméstico com as exportações. Com relação ao ano passado, comparado com 1999, a Volkswagen teve um crescimento de vendas de ônibus da ordem de 72% e no mercado doméstico este crescimento foi de 47%.
Para a Volkswagen, a tendência atual no mercado é de incentivo na produção e vendas de microônibus e ônibus. Os dois segmentos ganhariam em agilidade e seriam economicamente viáveis para o transporte urbano e fretamentos. Na Expobus 2001, Volkswagen lançou a nova família Volksbus, e entrou pela primeira vez no mercado dos ônibus com motor traseiro. O modelo mais importante da família Volksbus é o 17-240, produto de robustez em condições de rodovia. Segundo a empresa, a previsão para os próximos anos é que haja um cruzamento de demanda entre os ônibus com motor traseiro e dianteiro, com fortes tendências de queda para o último.
Os investimentos na produção do 17-240 foram da ordem de R$ 20 milhões. Cerca de R$ 500 milhões foram investidos na nova fábrica.
A projeção de faturamento da Volkswagem para 2001 é de US$ 1,2 bilhões, cerca de 20% a mais que no ano passado.
A Volvo e o Transmilênio
A Volvo mostrou na Expobus 2001, a realização de dois grandes negócios. O primeiro, considerado o maior negócio do Brasil, foi a venda de 120 ônibus articulados para a cidade de Manaus. Já o maior negócio do mundo da empresa foi a venda de 315 unidades do articulado para a cidade de Bogotá, na Colômbia. Trata-se do projeto Transmilênio, criado pelo governo de Bogotá, que está resolvendo o problema do transporte coletivo da cidade, através de um moderno sistema de troncos de linhas, onde circulam somente os ônibus artilados. O sistema, plenamente aceito pela população local, é parecido com o metrô, só que utiliza-se de estruturas metálicas para a contrução das vias, acima do solo. Possui catracas eletrônicas que controlam, através de um cartão eletrônico, a entrada das pessoas no sistema. O número de unidades vendidas para Bogotá, 315 articulados, justifica-se em função de três das quatro empresas operantes na cidade terem optado por ônibus da Volvo. A quarta empresa optou pela Daimler Chrysler (Mercedes-Benz).
De acordo com a Volvo, os fatos revelam que os ônibus de maior porte, como os articulados e biarticulados, resolvem o problema do transporte coletivo das grandes cidades, quando utilizados em sistemas alternativos de vias exclusivas para o tráfego dos ônibus. O sistema de Bogotá, por exemplo, possibilita que o passageiro fique no máximo um minuto e meio aguardando o próximo veículo. Nesse sentido, não há a necessidade de bancos para a espera dos passageiros e o sistema funciona de forma ágil, como no metrô. A grande diferença é que para a elaboração de um projeto como o Transmilênio, gasta-se muito menos que na construção de uma linha de metrô gerando economia de investimentos para o governo. Cada unidade do articulado custa por volta de US$ 170 mil.
E os números de 2000 demonstran que a tendência para a Volvo é de aumento das exportações, que significaram de 40% a 50% das vendas e representaram um faturamento de US$ 50 milhões, com a venda de 650 unidades ao todo. A previsão para este ano é ainda mais animadora: a Volvo pretende atingir um faturamento de cerca de US$ 70 milhões com a venda de 850 unidades.
A cada 10 exportados, 7 são Marcopolo
A Marcopolo é uma empresa que foi fundada em 1949. Fruto da imigração italiana no sul do País, a empresa foi instalada em Caxias do Sul (RG) e hoje é a principal empresa produtora de carrocerias, que atua em parceria com as motadoras de chassis brasileiras e exporta ônibus no volume de sete em cada dez que sai do Brasil.
De acordo com a Marcopolo, as expansões para fora do País compensam as irregularidades e incertezas do mercado interno. A empresa tem unidades, hoje, no México, na Colômbia, na Argentina, em Portugal e na África do Sul, além das três unidades brasileiras (Caxias do Sul, São José dos Pinhais e Rio de Janeiro). As principais conquistas da Marcopolo em 2001 foram a aquisição de 100% da Ciferal, no Rio de Janeiro e a parceria com a Iveco, localizada na China para a qual fornecerá tecnologia.
Em 2000, as exportações representaram para a empresa 60,5% de participação no mercado. No primeiro trimestre deste ano, representaram 69,4% das vendas da empresa. A produção consolidada da Marcopolo, em 2000, foi de 11.692 unidades.
Na Expobus, os principais lançamentos da empresa foram o Paradiso 1800 Double Decker G6 e o Paradiso Turis, considerado um produto que está dentro do padrão europeu. O novo Double Decker, veículo de dois andares, reúne o que existe de mais avançado no mercado internacional e é o primeiro no Mercosul com altura de 1,79 metro no salão superior (quatro centímetros a mais que os concorrentes). Já o Turis é o primeiro produzido no País equipado com o sistema de gerenciamento por satélite (GPS) e vidros curvos colados, que ampliam a segurança e o conforto. No interior, destacam-se o sistema de som e imagem digital (DVD), o acionamento, via controle remoto, da abertura e fechamento das portas e das portinholas do bagageiro, o sistema eletrico-pneumático que abre e fecha o bagageiro com porta inteiriça e o sistema elétrico-pneumático de descarga no sanitário, como nos aviões.
Outro destaque é o Viale Low Entry que recebeu novo design externo, com vidros colados e janelas mais amplas, acompanhando o rebaixamento do piso.
Scania e o ônibus de 15 metros
A Scania, que foi a primeira montadora a trazer para o Brasil o conceito de ônibus com piso baixo (low-entry) e apresentou, na Expobus 2001, o novo ônibus com um metro a mais que os ônibus atuais, ou seja, com 15 metros de comprimento e terceiro eixo direcional, que faz com que o veículo tenha a mesma capacidade de um articulado, sem a presença ou necessidade da articulação. O novo 15 metros encontra-se numa faixa intermediária que vai do ônibus convencional, com 12 metros e o articulado, que possui 18 metros de comprimento. A Scania espera que no segundo semestre, o novo ônibus seja homologado. Tão logo isso aconteça, a montadora iniciará a produção e comercialização do novo modelo. Com relação ao preço, a Scania afirmou que o novo 15 metros não deve ter preço próximo do articulado, para que o modelo seja competitivo no mercado.
As vantagens do ônibus de 15 metros são que ele possui 35% a mais de capacidade que o de 12 metros e que o articulado transporta apenas 12% a mais de passageiros. No Peru, o veículo de 15 metros, com terceiro eixo direcional já é vendido.
Os números da Scania para as exportações também são animadores e só estão indefinidos com relação ao mercado argentino em função da crise econômica. As expectativas para este ano são que mais unidades sejam comercializadas para a Venezuela e México, países onde a Scania tem distribuição própria.
De uma forma geral, para 2001, a Scania espera crescer cerca de 10%, tanto no segmento de urbanos como no de rodoviários. Esse número está em conformidade com as expectativas da Anfavea, que prevê um crescimento no setor de ônibus pesados da ordem de 10%, com a venda de 19 mil unidades.
No ano passado, os investimentos da Scania foram de US$ 300 milhões. Neste ano, a montadora pretende investir mais em comunicação e divulgação.
DaimlerChrysler lança família O 500
A DaimlerChrysler, proprietária da marca Mercedes-Benz, lançou na Expobus 2001 a nova família de chassis O 500, introduzindo o conceito modular, motor eletrônico e a suspensão já presente nos modelos O 400, reconhecida como a melhor do mercado. De acordo com a empresa a família O 500 caracteriza-se pelo melhor conforto, baixa manutenção e facilidade de encarroçamento.
A nova família O 500 é dividida em dois sub-segmentos: o O 500 U e o O 500 M. O U caracteriza os veículos low entry, com entrada baixa e entre-eixos longos, que garantem a estabilidade. Já o M é o veículo próprio para o tranporte de passageiros em linhas troncais, para o turismo e transporte rodoviário de curtas distâncias. Nesse segmento encontram-se os ônibus do projeto Transmilênio, comercializados para a cidade de Bogotá, na Colômbia.
Para o segundo semestre está prevista a comercialização da série R, com motorização de 326 cv, motor elétrico, com suspensão a ar, apropriado para o transporte rodoviário de médias distâncias.
A montadora comemorou em 2001 a marca de 14 mil chassis produzidos no País. Só no ano de 2000, 4 mil chassis foram produzidos para serem encarroçados no Brasil e no exterior. 70% desse número foi vendido para fora do país.
Os grande feito da DaimlerChrysler em 2001 foi que, neste ano, a fábrica comemorou 2 milhões de motores produzidos no Brasil, desde 1956, ano de implantação da marca no País. Além disso, a montadora está tornando-se um centro de competência na produção de motores movidos a gás natural.
Mesmo nos motores a diesel, a DaimlerChrysler conseguiu reduzir as emissões de poluentes que, atualmente, estão na marca de 0,3% de enxofre, contra 0,7%, no passado. Segundo a montadora, a tendência é que o motor a diesel melhore ainda mais emitindo cada vez menos poluentes. Para a renovação e lançamento da nova linha de produtos, a montadora investiu cerca de US$ 250 milhões. Para os anos de 2001 a 2003, a previsão de investimentos é de US$ 600 milhões.
A Busscar é 100% brasileira
A Busscar é uma empresa de encarroçamento de ônibus que tem orgulho de ser 100% brasileira. Surgiu em Joinville, em Santa Catarina. Nesta Expobus 2001, a Busscar vem com uma nova família de ônibus, completamente renovada e reestilizada, de acordo com os padrões internacionais adotados nos veículos de trasporte de passageiros .
Escolhida pelo governo cubano para montar unidade na cidade de Havana, em Cuba, a Busscar afirmou que o que contou na hora da escolha foram características como a agilidade de decisão e a rapidez em montar uma unidade em Cuba em menos de 6 meses. Além disso, a Busscar é a única que detém a tecnologia de produção e de fabricação de todos os componentes da carroceria dos ônibus.
O faturamento da empresa no ano passado foi de R$ 430 milhões e, para este ano, estão previstos mais de 500 milhões.
Só no ano passado, a montadora produziu 5.600 unidades de ônibus. Entre as novidades introduzidas pela empresa estão os ônibus com conceito low floor (piso baixo), com todas as entradas baixas, enquanto que o low entry possui uma entrada baixa.