Quem deixa de morar em casas para garantir uma vida com mais segurança nos condomínios de apartamentos pode se frustrar. Nos últimos tempos, moradores de prédios têm se deparado com furtos freqüentes, alguns à luz do dia, principalmente nos estacionamentos. A situação pode ficar ainda mais complicada, segundo avaliam moradores, porteiros, seguranças e a própria polícia, com a implantação do racionamento de energia.
A escuridão é um fator de insegurança. Se os apagões acontecerem em Bauru, com certeza teremos que fazer um planejamento especial para tentar suprir o problema, afirma o delegado seccional, Antônio Ângelo Ciocca. Ele avalia que mesmo se os apagões acontecerem de dia, como tem prometido o ministro da Justiça, José Gregori, a polícia pode ter dificuldades de comunicação e perder mobilidade. Os sinais de trânsito também seriam um problema, deixando as cidades à beira do caos.
Para evitar o efeito dos apagões, programados para começar em 1.º de junho, o zelador do Flamboyants, Sidney Salcedo Manduca, diz que o condomínio planeja implantar um sistema de iluminação com baterias nos blocos. Os assaltos são freqüentes, não só aqui como em qualquer lugar. Não sabemos de onde vêm os ladrões, se daqui de dentro ou de fora. No escuro, seria complicado, avalia. Por conta dos problemas de furtos de veículos no Flamboyants, há quinze dias a segurança foi reforçada, com três homens fazendo a ronda à noite.
No Camélias, em frente ao Flamboyants, o supervisor da segurança, Álvaro Luiz Marques, diz que quando a vigilância aumenta no condomínio, os furtos crescem nos prédios vizinhos. Não sei se é molecada que troca o roubo pela droga, mas eles só querem toca-CD. Um dia desses, estouraram o vidro de um carro, mas não levaram o rádio porque era toca-fita, conta. Ele afirma que, para evitar os incidentes, instruiu todos os porteiros a realizarem ronda durante a noite. Tem morador que dá bobeira também, deixa a porta aberta, esquece de fechar o vidro. Isso aqui é muito grande, quase uma cidade, são 3.000 moradores, aponta.
Medo do escuro
De acordo com o supervisor da segurança do Camélias, quando o racionamento começar, uma das duas filas das garagens vai ficar apagada. Eles (os ladrões) não entram pela portaria, mas pelo alambrado. Eu quero ver como vai ficar no escuro, questiona.
Ladrões pulando o muro do condomínio foi o que viu Alexandre Peres Silva, morador da Vila Inglesa, no mês passado. Ex-morador de casa, ele diz que mudou-se para evitar a violência e tem encontrado tranqüilidade no condomínio, apesar do incidente. Ele diz que caso ocorram os apagões, aí sim haverá motivo para preocupação. Vou ficar muito ligado, antecipa.
Também uma ex-moradora de casa que buscou os condomínios de apartamento para se refugiar, a professora Márcia Bussola Batista, tem uma opinião diferente sobre a segurança em condomínios. É ilusão achar que estamos livres da violência, afirma a moradora do condomínio Cidade Jardim. Na sexta-feira, um carro foi aberto dentro do estacionamento do condomínio, em plena hora do almoço. Os ladrões levaram um celular, CDs e reviraram o porta-luvas.
Devido ao problema de furtos no local, Márcia perdeu duas bicicletas de uma vez. Após tentar um acordo com os responsáveis pelo condomínio, ela acabou entrando na justiça e afirma ter ganho o processo. Vou ser indenizada, conta. O porteiro do condomínio, Anatalício Agnelo da Silva, diz que os apagões complicariam a segurança do local. Acho que compromete a segurança. O ladrão sempre aproveita o lugar escuro, afirma. Ele também teme pelos moradores que podem ficar presos no elevador e não conseguirem comunicação pelo interfone.