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Faturamento das MPEs cresceu 4%

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 5 min

As micro e pequenas empresas (MPEs) registraram, em média, aumento no faturamento de 4%, em 12 meses, de acordo com a Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Pecompe), realizada pelo Sebrae-SP em conjunto com a Fundação Seade. O destaque, na comparação de março de 2000 com o mesmo mês deste ano, foi o crescimento do Interior do Estado, que atingiu alta de 5%, enquanto as empresas da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) tiveram crescimento de apenas 3,7% no faturamento.

No primeiro trimestre, comparando-se com o mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 2,4% no faturamento nominal. Porém, nesta comparação, a RMSP teve melhor desempenho, com crescimento de 4,4%, enquanto o faturamento dessa categoria de empresas no Interior não passou de um tímido 0,9%. Por setores, na comparação entre o primeiro trimestre de 2001 com o primeiro trimestre de 2000, a indústria apresentou um aumento médio de 7,3%, o comércio apresentou retração de 2,9% e serviços registrou elevação de 10,8% sobre o mesmo período do ano anterior. Quando a comparação é anual, a indústria cresceu mais, com 11%, enquanto a área de serviços teve aumento de 5,7% no faturamento e o comércio apresentou retração de 0,2%.

De acordo com a pesquisa, o pessoal ocupado apresentou variação positiva de 7,1% no acumulado do ano (janeiro-março/01), com a Região Metropolitana apresentando um resultado superior, de 8,7% e o Interior de 5,4%. Em um ano, a média teve aumento de 8,1%, dos quais 11% são correspondentes à RMSP e 5,1% às empresas instaladas no Interior.

Em relação aos gastos com salários, houve um aumento médio de 16,2% no acumulado do primeiro trimestre, atingindo 14,4% na Região Metropolitana e 9,5% no Interior. Em um ano, o aumento médio foi de 18,3%, ficando a Região Metropolitana com aumento de 16,4% e o Interior com 11,4%.

Para os técnicos do Sebrae e da Seade, esses resultados confirmam a tendência de recuperação das MPEs, registrada há alguns meses pela Pecompe. Para as MPEs essa recuperação vem sendo proporcionada, principalmente, pela melhora do mercado de trabalho.

Tendências

Segundo o Núcleo de Pesquisas Econômicas do Sebrae-SP, o nervosismo dos mercados financeiros domésticos aumentou ainda mais, em abril, refletindo principalmente o agravamento da crise na Argentina, mas também o conturbado cenário político interno brasileiro.

O impacto disso sobre o Brasil deu-se novamente sob a forma de elevação da cotação do dólar - que chegou a bater em R$ 2,30 - e dos juros básicos - que foram fixados em 16,25% pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom).

O efeito da alta do dólar sobre os preços internos é motivo de preocupação para as MPEs, principalmente aquelas cujos os insumos são importados ou sofrem influência da moeda estrangeira. Dessa forma, é importante que as MPEs procurem, sempre que possível, substituir fornecedores externos por internos, porque continuará sendo muito difícil repassar os aumentos para os preços finais. A alta dos juros torna ainda mais imperativo para as MPEs evitarem comprometer-se com recursos de terceiros, porque o custo do crédito já aumentou significativamente, em quase todas as modalidades.

Caso a situação na Argentina venha a se agravar ainda mais, pode-se esperar novas altas nestas variáveis (juros e dólar), o que poderia prejudicar a recuperação econômica em curso no Brasil, com impactos negativos também para as vendas das micro e pequenas empresas.

Cenário futuro preocupa, diz economista

A recente notícia da crise energética brasileira aliada ao impasse da crise Argentina e persistência das disputas políticas dentro da base partidária do governo, transformam o cenário futuro em motivo de grandes preocupações. A afirmação é do economista, consultor de empresas e professor universitário Carlos Roberto Sette.

Para o economista, o ressurgimento das dúvidas quanto à sustentação do regime cambial argentino, mesmo com as novas medidas do Ministro Domingo Cavallo, em relação à conversibilidade do peso a uma cesta de moedas estrangeiras, trouxe impacto na cotação do dólar no mercado doméstico brasileiro. A moeda se mantém nesse momento acima da casa dos R$ 2,30.

A alta do dólar, lembra Sette, reflete a vulnerabilidade das contas externas brasileiras e pode trazer problemas para o cumprimento da meta inflacionária deste ano - fixada pelo governo em 4%. A desvalorização torna mais caros os itens importados, tanto para o comércio quanto para a indústria, que operam com mercadorias ou insumos cotados em moeda norte-americana.

Em contrapartida, o dólar em alta é um estímulo importante para a nossa balança comercial, que nos meses de abril e maio, já vêm apontando melhores resultados no seu desempenho.

Em função da crise argentina, diz o economista, o Banco Central brasileiro elevou a taxa básica de juros da economia - o que provocou um aumento das taxas de juros do mercado.

O economista prevê que a provável crise energética que o País terá que enfrentar, trará diminuição da produção e, consequentemente, do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que deve cair aproximadamente 1,5% este ano, o que impactará negativamente na taxa de emprego e no nível de renda da economia. A queda nos níveis de produção trará menor arrecadação de impostos, revisão dos investimentos produtivos no curto prazo e reflexos na balança comercial, destaca, afirmando que o impacto maior da racionalização da energia será no setor industrial, o que mais se utiliza desse insumo.

Caso os cenários externo e interno se deteriorem, os riscos para as MPEs aumentarão, prevê Carlos Sette. Segundo ele, muitas delas cresceram na esteira das grandes empresas exportadoras - ora como fornecedoras de insumos e serviços, ora aproveitando o espaço deixado por essas empresas no mercado interno.

O racionamento energético será determinante para o planejamento da produção e faturamento das MPEs. Se não houver um plano inteligente todos serão prejudicados, inclusive os micro e pequenos, afirmou.

Por outro lado, o aumento das taxas de juros do mercado vão pressionar os custos financeiros das indústrias - via tomada de capital de giro e provavelmente, a partir de maio-junho, quando o Dia das Mães e Dia dos Namorados já tiverem ocorridos, impactar nas vendas a prazo do comércio.

Sette recomenda cautela às MPEs - um consenso entre os analistas -, principalmente, que devem evitar ao máximo a tomada de recursos financeiros de terceiros e reduzir ou buscar alternativas para insumos cujos preços estejam atrelados ao dólar. E, a partir de agora, avaliar o impacto que o racionamento energético vai trazer na produção, faturamento e custos de seus negócios.

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