Geral

Pederneiras: termoelétrica só em 2003

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Obras devem ter início no segundo semestre e usina pode levar de 18 a 24 meses para ficar pronta e gerar energia

Pederneiras - A empresa americana Duke Energy, que chegou ao Brasil em 1999 após a privatização da Cesp-Paranapanema, anunciou esta semana que irá investir cerca de 270 milhões de dólares (algo próximo a R$ 620 milhões) na construção de uma usina termoelétrica em Pederneiras.

Inicialmente, o poder de geração de energia da usina deve girar em torno de 500 megawatts, que serão lançados na rede de energia elétrica onde irá somar com a produção de outras usinas espalhadas pelo País.

A construção da termoelétrica em Pederneiras deve movimentar uma mão-de-obra nada desprezível. De acordo com estimativas da empresa será necessária a contratação de pelo menos 400 funcionários para executar os serviços da usina na fase de pico. Para mantê-la em funcionamento será preciso bem menos; cerca de 50 funcionários.

As obras estão previstas para começar no início do segundo semestre, caso não haja maiores empecilhos. A previsão é de que a usina entre em operação a partir de 2003. Até agora, foi feita apenas a limpeza do terreno de um milhão de metros quadrados, adquirido de particulares, segundo informou a gerente geral de relações externas, Denise Macedo. Segundo ela, apenas 20% da área serão usados pela usina. A área restante será reflorestada.

Essa foi uma opção estética tomada pela empresa, porque uma usina termoelétrica não é a coisa mais bonita que Deus criou na face da Terra. A intenção é construir uma cerca verde em torno do local para esconder, no bom sentido, a usina, explicou Denise. Antes de ser adquirida pela Duke Energy, o terreno era ocupado por cana-de-açúcar.

Atualmente, a empresa está freqüentando os gabinetes da Secretaria do Meio Ambiente para ver aprovado o licenciamento ambiental, que dá direito a uma licença prévia. Sem essa licença não é possível dar início às obras. Recentemente, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que, embora defenda os cuidados com o meio ambiente, não se pode, nesse momento de falta de energia, deixar que formalidades atrapalhem a instalação de novas usinas termoelétricas. Seu pronunciamento foi em defesa de empresários que se queixaram dos obstáculos ambientais colocados para a concessão de licença para a construção das usinas.

Estamos contando com o apoio do dr. Cury (prefeito de Pederneiras Rubens Cury (PSDB)) para tentar acelerar esse processo. Por milhares de razões, a Secretaria é muito lenta. Por isso, a gente precisa muito do apoio político do prefeito. A nossa expectativa é que até o início do próximo semestre a gente já esteja com a licença para poder começar as obras, disse Denise. Segundo ela, assim que a licença for expedida, no dia seguinte as máquinas devem começar o trabalho. Todo o material, segundo informou a gerente, já estaria comprado, inclusive as três turbinas da usina: duas a gás de 175 megawatts e outra a vapor de 200 megawatts. A construção da usina termoelétrica deve levar de 18 a 24 meses para ficar pronta, segundo Denise.

Ponto estratégico

Afinal de contas, o que levou a americana Duke Energy a escolher a cidade de Pederneiras para instalar uma usina termoelétrica no Estado de São Paulo? Foi um estudo ambiental, revelou Denise. Segundo ela, a empresa queria investir em uma região que não estivesse muita próxima de áreas excessivamente industrializadas como Cubatão, Paulínia e Americana, nem próxima a áreas de preservação ambiental.

A área comprada pela empresa em Pederneiras, além de ficar próxima ao ribeirão dos Patos, de onde deverá tirar a água que irá refrescar as turbinas geradoras de energia, fica embaixo de uma linha de transmissão. Desta forma, a Duke Energy não precisará construir novas torres, nem gastar com fios para levar a energia produzida até a rede. Por fim, o gasoduto Brasil-Bolívia deve passar próximo à cidade, facilitando a captação de gás natural, essencial para o funcionamento da usina. Esses foram os critérios para a escolha de Pederneiras, segundo Denise.

Além de Pederneiras, a Duke Energy tem outros dois projetos paralelos. Um em Corumbá-MS e outro em Porto Soares, na Bolívia. Este último irá exportar energia para o Brasil. Ambas terão capacidade para gerar 88 megawatts. Por serem menores, é bem provável que entrem em operação antes da usina de Pederneiras.

Incentivos fiscais

Como todo grande empreendimento, a construção da usina termoelétrica é motivo de muita comemoração para qualquer comunidade carente de grandes investimentos. Em muitos casos, a isenção de impostos é uma maneira de atrair o interesse de empresários que ainda não se decidiram pelo local ideal.

Em Pederneiras, essa questão está um pouco nebulosa. Enquanto o prefeito Cury garante que não houve nenhum incentivo fiscal, a gerente geral da Duke Energy faz afirmação em sentido oposto. Para o prefeito, a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal dificultou bastante qualquer renúncia de impostos. Não abri mão de nenhum imposto. Se o fizesse teria de arranjar algum meio de compensar isso, disse o prefeito. Do outro lado, Denise não soube informar qual foi o acordo firmado entre empresa e Prefeitura, mas disse ter certeza absoluta de que a Duke Energy recebeu incentivos fiscais. Segundo ela, o prefeito saberia informar quais são os incentivos.

Comentários

Comentários