Se dependesse só dos delegados de Bauru, Monti seria eleito presidente do PMDB. Quércia venceu por 646 a 505
A chapa liderada pelo ex-governador Orestes Quércia venceu, ontem, a convenção estadual do PMDB, realizada na Capital paulista. Quércia obteve 646 votos, contra 505 da chapa encabeçada pelo deputado federal Milton Monti e apoiada pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer. Houve 4 votos nulos e 1 em branco.
Se dependesse só dos representantes de Bauru, o deputado Milton Monti seria eleito o novo presidente do PMDB em São Paulo.
A votação dos que representaram a cidade - sete delegados e três suplentes - foi de oito votos para Monti e três para o ex-governador Orestes Quércia.
O total de 11 votos é explicado pelo fato do ex-prefeito Tidei de Lima ter direito a dois votos: um como delegado pelo município e outro como membro do Diretório Estadual do partido. Logo, o resultado da votação bauruense - oito a três - reafirma a posição do ex-prefeito, em favor da chapa de Monti, que defende a candidatura de Michel Temer ao governo do Estado.
Dos três votos para Quércia, pelo menos dois já eram declarados: o da presidente de honra do partido em Bauru, Darci Gasparini, e o do presidente da Juventude do PMDB na cidade, Alex Gasparini. Tidei foi eleito delegado à convenção nacional.
Itamar fortalecido
A vitória de Quércia deve significar um impulso à candidatura do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, à Presidência da República no ano que vem.
Nos dias que antecederam a convenção, o ex-governador afirmou que um de seus primeiros atos após a vitória seria sair em campanha pelo Brasil para que o PMDB adote a tese da candidatura própria a presidente-preferencialmente com Itamar. O perfil desta candidatura, segundo ele, seria de oposição ao Governo Federal.
São Paulo terá 41 delegados na convenção nacional do partido, em setembro, em que o PMDB deverá definir entre a candidatura própria e a reedição da aliança com PSDB e PFL. É o terceiro contingente, após os Estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
De acordo com o resultado da convenção, de ontem, a maioria destes delegados será indicada pelo grupo de Quércia.
Temer, apesar de publicamente defender a candidatura própria, tem uma relação bastante próxima com o Planalto. Dependendo da evolução do governo Fernando Henrique Cardoso, ele poderia trabalhar pelo apoio do partido a um candidato do PSDB, provavelmente o ministro da Saúde, José Serra.
O resultado final da convenção foi anunciado às 19h30 de ontem. Militantes pró-Quércia, que lotavam o plenário da Assembléia Legislativa, começaram a fazer festa antes mesmo da promulgação do vencedor.
Um, dois, três, quatro, cinco, mil, Quércia e Itamar no governo do Brasil, entoavam os militantes, muitos deles ligados ao MR-8, grupo de esquerda que apóia o ex-governador. Policiais militares acompanharam a apuração para evitar tumultos.
Antes de saber o resultado final da convenção, o ex-governador prometeu trabalhar pela unidade do partido se vencesse. Disse pessoalmente isso ao Michel, que é necessário fortalecer o partido e caminharmos juntos. Esse trabalho será feito imediatamente, afirmou Quércia.
Com a vitória, Quércia dá um grande passo para ser o candidato do partido ao governo de São Paulo. Ele confirmou que vários partidos, do PT ao PFL, estão sendo procurados já para tratar de alianças.
Temer, por sua vez, enfraquece seu projeto de se tornar candidato do partido. Caso permaneça no PMDB, ele ainda tem a oportunidade de disputar prévias contra Quércia, no ano que vem.
Existe a possibilidade, contudo, de ele deixar a sigla. Temer e vários deputados federais ligados a ele estão sendo assediados por partidos como PTB, PSB e PPS. O ex-presidente da Câmara, no entanto, nega a intençao de sair do PMDB.