O prefeito de Botucatu alega que quer comprar o imóvel, mas Rede não estaria colaborando nas negociações
Botucatu - Alegando estar cansado de esperar uma definição por parte da Rede Ferroviária Federal, o prefeito Mário Ielo (PT) resolveu ocupar o prédio da antiga Administração da Fepasa. Desde ontem à tarde, o Gabinete do prefeito de Botucatu passou a funcionar nas novas instalações. O objetivo, segundo Ielo, é preservar o patrimônio, gerar economias e revitalizar a área.
O prefeito espera, agora, que com a ocupação do prédio, a Rede resolva conversar com a administração e aceitar proposta de compra do imóvel. A intenção, segundo Ielo, é transferir não só o Gabinete, e sim os demais setores. Hoje, algumas secretarias da administração funcionam em imóveis alugados. À medida que formos limpando o prédio, adequando o patrimônio, que está emplilhado em várias salas, nós vamos liberando para as secretarias. De acordo com os planos de Ielo, a primeira secretaria que deve ser transferida para as novas instalações será a da Saúde, cujo titular é vice-prefeito, Valdemar Pereira de Pinho.
Crescendo com a ferrovia
Assim como ocorreu com outra cidades, Botucatu cresceu com a Ferrovia. A antiga Estrada de Ferro Sorocabana foi a responsável pela vinda para Botucatu, da maioria das famílias tradicionais da cidade e, ainda hoje, é grande o número de ferroviários aposentados que lá residem.
É papel da Prefeitura Municipal zelar por esta história, diz o prefeito, lembrando ainda que a situação de abandono do patrimônio ferroviário tem significado perdas e riscos. Goteiras estão destruindo paredes, móveis, equipamentos e documentos. Além disso, prédios têm sido depredados, como é o caso da Estação Ferroviária, um dos cartões postais do município. Essa situação, segundo a Prefeitura, está levando a perdas que podem ser irreparáveis para a memória nacional, a história, a arquitetura e o patrimônio público.
O estado de abandono estaria causando ainda outros dissabores, segundo a Prefeitura, já que o local estaria servindo para refúgio de marginais e usuários de drogas, com riscos para a segurança pública.
Os imóveis não possuem proteção alguma contra incêndio, com depósito de mesas, cadeiras e materiais de escritório, que são de fácil combustão, constatou o Corpo de Bombeiros em laudo de vistoria de 23 de março, solicitado pela Administração Municipal. Além disso, o acúmulo de entulho, lixo e criadouros de Aedes, propicia a proliferação de transmissores de doenças.
Diante do quadro, a Administração Pública Municipal afirma que desde o início desta gestão tem procurado soluções para esses problemas. Neste sentido, teria solicitado em 8 de fevereiro último, junto à Rede Ferroviária Federal, autorização para a colocação de tapumes na Estação Ferroviária, com a finalidade de impedir a sua destruição pela ação de vândalos. Em 5 de março, segundo Ielo, através de oficio à chefia do Escritório da Rede Ferroviária em São Paulo, foi oficializado o interesse na aquisição do patrimônio da antiga Fepasa. Como a Rede não se manifestou sobre o valor dos imóveis, reiteramos o interesse do Município, através de ofício de 21 de maio.
A Prefeitura de Botucatu diz entender que com a manutenção dos problemas e a ausência de manifestação oficial da Rede, é seu dever tomar atitudes concretas para garantir esse importante patrimônio da população botucatuense. Por isso, resolveu ocupar o prédio da antiga Administração da Fepasa, onde funcionará o Gabinete do prefeito, de agora em diante. Ao mesmo tempo, o prefeito diz que continuará insistindo junto à Rede, no sentido de tentar adquirir o patrimônio.
O Poder Público Municipal quer, segundo o prefeito, preservar uma área que já foi marco de Botucatu e, a médio prazo, gerar economia aos cofres públicos. A intenção é transferir unidades administrativas para o local, o que possibilitaria a reurbanização, a valorização e a revitalização de toda a região.
A decisão da ocupação foi tomada na terça-feira, depois que o prefeito Ielo recebeu o apoio do Sindicato dos trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana, da Associação dos Ferroviários Aposentados da Estrada de Ferro Sorocabana, da Associação Botucatuense de Preservação Ferroviária, da União ACIB/CDL, do Sindicato do Comércio Varejista de Botucatu (Sincovab) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo/Diretoria de Botucatu (Ciesp).