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SEM LUZ NO FIM DO TÚNEL?

Ivan Giunta
| Tempo de leitura: 2 min

O governo acena com uma majoração de 15% na tarifa de luz elétrica agora para o mês de junho, por conta de um racionamento que com certeza não é de origem financeira. Gostaria de lembrar que se isso acontecer será um aumento de 32,22% sobre os valores de abril. Isto porque, sem qualquer notícia oficial ou informação extra-oficial, as contas do mês de maio foram majoradas descaradamente em 14,97%, sem que ninguém se desse conta disso.

Para comprovar, é só pegar sua conta do mês de abril, vencida em 24/4 e consultar o item tarifa/preço. Você encontrará o valor de R$ 0,194067 por KWH consumido. Já as contas vencidas agora neste dia 24/5, resultantes do consumo do mês de maio, apresentam um valor de R$ 0,223130. Ou seja, um aumento real de 14,97% na tarifa/preço. Afinal, a que interesses serve esta síndrome da surpresa energética? É mais um abuso e um ataque insano ao já combalido bolso do consumidor brasileiro, um dos eleitos pela globalização, para custear o permanente crescimento daqueles que já estão há muito, muitos anos à frente.

Com certeza, um tarifaço deste tipo incidirá sobre os preços de tudo que precisamos para sobreviver com dignidade nesta nossa sociedade presumivelmente moderna. Isto é, voltaremos a um regime inflacionário (do qual acho que nunca saímos), com manipulação de valores, pacotaços, tarifaços, planos emergenciais que nunca ficam claros como e quando serão cumpridos ou quanto custarão, imposições que transgridem claramente preceitos constitucionais, um absurdo desrespeito ao Código do Consumidor (uma das poucas conquistas reais do povo brasileiro nos últimos tempos) e, o que é pior, tudo sob a anuência cívica da preocupação energética só agora evocada pelos burocratas.

Como se isso já não bastasse, gostaria de lembrar ainda de uma prática utilizada pela Cia. Paulista de Força e Luz em conjunto com o governo estadual, no tocante à cobrança do ICMS sobre as contas de eletricidade. Ao invés dos 25% informados na conta, ele é cobrado à base de 33,33%, somados para um sub-total, para daí então serem calculados os 25% devidos ao Estado. Isto penaliza o consumidor em cerca de 6,67% a mais na sua conta, todo mês, o ano inteiro, há vários e vários anos, sem que ninguém saiba, ninguém viu, ninguém vê. Ou seja, bitributação feita às claras, porém imperceptivelmente. Exemplifico: em uma conta/consumo mensal de R$ 100,00, ao invés do total já tributado ser R$ 125,00 (valor final a pagar), ela é de R$ 133,00. Daí então descontam-se o imposto de 25%. Sobram R$ 100,00 limpinhos para a Companhia. Matemática das boas esta. Para eles, é claro. Para nós, as batatas, os apagões e o custo financeiro de toda essa maracutaia. (Ivan Giunta - RG: 8.739.150)

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