A proposta é que cada pessoa repense sua vida e realize algo que posse melhorar a qualidade de vida da coletividade
Em época de tantas crises, incluindo a da energia elétrica, o homem precisa voltar-se para si, fazer uma reflexão ampla e mudar hábitos para viver melhor e melhorar o mundo. É o que está propondo o ambientalista Jesus Manuel Delgado Mendez, presidente da Sociedade Educativa Gaia-Bauru, com o Dia da Reflexão.
À primeira vista, a proposta pode parecer utópica, mas na verdade, não exige mudanças radicais, mas sim ações simples que visem a harmonia do indivíduo, da humanindade e do Planeta, como ajudar uma pessoa necessitada, procurar um amigo que não se vê há muito tempo, caminhar observando as plantas, reciclar o lixo, etc. Jesus Delgado ressalta que é perfeitamente possível usufruir de toda tecnologia existente sem, entretanto, degradar o meio ambiente e perder a sensibilidade humana.
Essa mudança de comportamento, de hábitos, segundo o ambientalista, traz benefícios não só para o mundo e para a humanidade como para a pessoa que a pratica. É com esse objetivo, que Jesus Delgado está divulgando entre seus amigos, alunos, colegas de trabalho e, agora no JC, a proposta do Dia da Reflexão, todo último dia do mês, começando agora no próximo dia 31.
No Dia da Reflexão, a proposta é que cada pessoa repense sua vida e neste dia, pelo menos, faça algo melhor. É uma proposta que nasceu como uma manifestação pacífica de reflexão ao nosso estilo de vida esbanjador, injusto e inconseqüente, que coloca em risco a paz mundial e submete os povos da Terra, ricos ou pobres, às maiores pressões de intolerância econômica, política, religiosa, social e ecológica, explica Jesus Delgado.
Ele frisa que o homem, ao pensar que não pode influir no sistema ou naqueles que o dirigem, está submetendo-se à apatia. Para uma mudança no estilo de vida visando melhoria do mundo, ele convida a uma série de medidas que cada um pode tomar. Uma delas é, por um dia ao mês, reduzir ao máximo o consumo.
Mas Jesus Delgado ressalta que não pode ser uma simples redução de consumo. Precisa estar aliada a uma análise, uma reflexão, da forma de viver, do desenvolvimento global, na harmonia dos interesses individuais e coletivos. Essa reflexão deve constituir-se numa forma de estímulo para nós seres humanos, antes que a natureza nos obrigue a pensar em novas estratégias de desenvolvimento social e utilização dos recursos planetários, disse.
O que fazer para o homem melhorar a sua própria vida e o mundo? Jesus Delgado responde que basta, uma vez por mês, de maneira voluntária e consciente, cada cidadão integrante do movimento reduzir a energia que consome na forma de alimentos, eletricidade, papel, latas, plásticos, transporte e tudo o que o faz dependente, direta ou indiretamente, de um processo esbanjador ou de má distribuição.
Jesus Delgado espera, ao propor o Dia da Reflexão, uma mudança de atitude, que as pessoas voltem a viver de maneira simples, consciente e coerente. Para isso, ele acredita ser necessário que as pessoas assumam suas responsabilidades na condução das suas vidas, busquem mais a auto-suficiência dos bens que consomem e saídas para os problemas enfrentados.
Com isso, Jesus Delgado visa um mundo mais justo, com melhor distribuição de renda, em que todos tenham acesso aos bens de consumo. Somos nós quem devemos conduzir o sistema econômico e não deixar que ele nos conduza. Somos nós quem queremos moldar a sociedade e que podemos construir um mundo de maneira mais justa, eqüitativa e mais próxima das leis naturais que criaram a vida no Planeta, afirma.
Lembrando a crise no setor energético, Delgado ressalta que os homens precisam se preparar para encontrar saídas para os problemas existentes e os que poderão surgir, sem ter que esperar por crises políticas, sociais e ecológicas. O melhor, aconselha, é consumir menos. É melhor que todos tenhamos o que consumir do que poucos consumam os recursos do Planeta, disse.
Também espera que ao refletir sobre sua vida, sobre a humanidade e sobre o mundo, as pessoas sintam-se mais estimuladas a encontrar saídas criativas para os problemas e adotem ações cotidianas que diminuam o abismo entre os extremos (paz e guerra; riqueza e pobreza; sofrimento e alegria; fome e abundância; domínio pela força e liberdade; valores e virtudes).