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Números da PM desmitificam fama ruim

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Estatísticas da 3ª Cia. da PM, que agrega os bairros mais pobres da cidade, indicam que regiões tradicionais e bem urbanizadas apresentam maiores índices de registros, embora tenham menos habitantes

A violência e criminalidade imputadas aos bairros mais carentes e periféricos de Bauru constituem um falso mito. A afirmação é do comandante da 3.ª Cia. da Polícia Militar, capitão Wellington Venezian, segundo quem as estatísticas comprovam um quadro muito diferente daquele pintado pela sociedade ao longo dos anos. Ao contrário do que todos podem pensar, a imensa maioria das pessoas que vivem nesses locais é honesta, direita e trabalhadora, destacou.

Para chegar aos índices desmitificadores, o comandante faz uma prévia análise das características ambientais e estruturais de cada região do território pelo qual é responsável. A região Oeste, na qual estão inseridas as setuagenárias vilas Falcão e Independência, é considerada a mais tradicional da cidade e, sem dúvida, a mais urbanizada na área da 3.ª Cia. Já a região Leste caracteriza o desenvolvimento do município por conta dos novos bairros - Mary Dota, Bauru 2000 e Bauru I - lançados com infra-estrutura, embora também compreenda bairros mais antigos como Beija-Flor, Pousada da Esperança e Vila São Paulo. Por fim a Noroeste, que também concentra bairros novos, mas é marcada pela infra-estrutura precária ou, muitas vezes, inexistente (caso do núcleo 9 de Julho e Fortunato Rocha Lima). No Parque Jaraguá, o mais antigo daquela região, a situação de precariedade não é muito diferente, bem como a dos bairros que nasceram de sua extensão.

Venezian citou as peculiaridades de cada região porque as condições ambientais e de infra-estrutura deveriam, em tese, justificar os índices de marginalidade. Áreas desprovidas de pavimentação, iluminação pública e aparelhamento institucional (creches, postos de saúde e escolas) seriam mais propensas à ocorrência de delitos, o que não estaria se confirmando no município.

Segundo dados fornecidos pela 3.ª Cia., a região Leste registra uma ocorrência para cada 362 habitantes/mês; a Oeste, uma para cada 323 habitantes/mês, e a Noroeste (taxada como a mais violenta da cidade), uma para cada 313 habitantes/mês. Por esses números, que incluem ocorrências de toda a natureza, é possível verificar que a fama ruim imputada à região Noroeste não se sustenta. Vou além. Se levássemos em conta a população da zona Oeste, estimada em 45 mil, poderíamos transferir tranqüilamente a pecha da violência, uma vez que a região Noroeste concentra um número muito maior de moradores - algo em torno de 75 mil. Na proporção, a região Oeste seria, então, muito mais perigosa, analisou Venezian. É um grande erro fazer esse tipo de leitura, completou.

O comandante ainda considerou o fato de que as ocorrências são de qualquer ordem, concentrando fatores sociais na região Noroeste. Por serem praticamente desassistidos de aparelhos sociais, os moradores desses bairros acabam recorrendo à Polícia Militar em última instância. Nas áreas urbanas mais degradadas, por sinal, a presença da polícia acontece mais para apaziguar problemas sociais do que para atender delitos criminais. Nós acabamos servindo de ambulância, bombeiro, médico e assim por diante, contou. Uma coisa que salta aos nossos olhos é que a população carente é a que mais colabora com a Polícia, emendou.

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