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Nem sempre os lançamentos zero são os preferidos

André Tomazela
| Tempo de leitura: 5 min

Há clientes que preferem os zero que estão em linha de produção há algum tempo e já são bem conhecidos do público. Eles estão à procura da melhor relação custo x benefício, ou seja, um carro que tenha os mesmo opcionais que um lançamento, por um menor preço

O sucesso de modelos como o Ford Escort, o Volkswagem Santana e até mesmo, no segmento dos populares, do Uno Mille, que não deixa de vender, pode ser explicado pela fidelidade à marca e por um tipo de cliente que não se importa com o status de ter um zero e que, portanto, procura carros que tenham a melhor relação custo x benefício. O Santana, por exemplo, é um deles. Mesmo sendo considerado um carro um tanto quanto ultrapassado apesar das reestilizações, ainda é o preferido de muitos que buscam um carro confortável, com uma série de opcionais, por um preço mais baixo, sem deixar de comprar um carro zero. Com o Escort acontece o mesmo. Hoje, é possível que o cliente leve um Escort por cerca de R$ 22 mil, com uma série de opcionais que ele pode encontrar nos últimos lançamentos, só que por um preço bem mais salgado.

Para Nilson Simão, da Simão Veículos, um modelo como o Escort ainda faz muito sucesso entre os clientes e o principal motivo apontado é que, apesar de ser um carro completo, com direção hidráulica e ar-condicionado, tem um dos preços mais baixos do mercado. Um Escort completo sai, hoje, por menos de R$ 25 mil e isso atrai a clientela que gosta de conforto e que não se importa de não ser um modelo de lançamento, comenta Simão. O Escort é, no seu segmento, o carro mais barato do mercado.

Antes do lançamento do Ford Focus, todo modelo do Escort vinha com motorização 1.8 litros. Tanto que o mais vendido hoje é o Escort com motorização 1.6 litros. Já o Escort 1.8 ainda é fabricado mas o seu preço quase alcança o do Focus, que sai por cerca de R$ 32 mil. A Ford pretendeu baratear o Escort reduzindo a motorização para 1.6 porque, do contrário, o modelo seria um concorrente direto do Focus, afirma Simão.

De acordo com ele, existem tipos de clientes diferentes para o Focus e para o Escort. Além da questão financeira, em função do Focus ser mais caro, Simão diz que o Escort é mais comprado pelo clientes tradicionais, aqueles que gostam de linhas mais conservadoras. Em outra escala, seriam os clientes que odeiam o Ka e adoram o Fiesta, por exemplo. O Ford Focus é um carro bem moderno, com linhas futuristas que atrai clientes que gostam de inovações, afirma. Já os compradores do Escort 1.6, são os que querem um carro confortável, completo e por um preço mais baixo, o que se traduz numa boa relação custo x benefício.

A boa relação custo x benefício é o que faz um cliente da Volkswagen comprar o modelo um tanto quanto ultrapassado, mas muito confortável, o Santana. Hoje, o cliente compra um Santana completo por cerca de R$ 28 mil. E o cliente, que já é fiel ao modelo, conquista pelo preço um carro com alta performance de desempenho, autonomia e de durabilidade, o que aliás, é uma tradição da Volkswagem, comenta Marcelo Zafalon, gerente de vendas da Atrio. São carros robustos e que não trazem problemas. Aguentam bem e trazem um custo de manutenção baixo, em função de estarem sendo produzidos há muito tempo.

Quem vai querer comprar uma Zafira, ou uma Scénic, por um preço duas ou três vezes maior, sendo que o Santana, ou até mesmo o Escort tem o mesmo padrão de conforto? A resposta é: quem compra carro para mostrar que tem um carro novo, e que está atento aos últimos lançamentos da indústria automobilística. O carro deixa de ser um bem de utilidade e locomoção para se tornar um objeto de status.

Populares

Já no segmento dos populares, é fantástico o sucesso do Uno Mille, que junto com o Palio, levam à Fiat ao primeiro lugar em vendas no ranking das montadoras. O carro não vai parar de ser produzido tão cedo, como mencionou o presidente da Fiat, Gianni Coda, em visita a Bauru. Para ele, enquanto houver comprador, o Uno continuará a ser produzido. O sucesso deve-se ao fato de ser um popular espaçoso e com um certo nível de conforto, pelo preço mais baixo do mercado. Tentaram ultimamente produzir um popular mais barato e a tentativa foi frustrada, afirma Coda, em nítida referência ao lançamento do Celta, tentativa da GM de fazer um carro popular mais barato. Resultado: o carro ficou muito pelado por um preço bem mais alto que o Uno. E as vendas do Celta comprovam que os clientes preferem o carro com os opcionais, que são os modelos mais vendidos, principalmente pela Internet.

O que determina a continuidade ou descontinuidade de uma determinada linha de produção é justamente o reflexo que ela tem junto ao consumidor. Enquanto houver clientes comprando, com certeza o modelo continuará sendo produzido. Essa premissa básica da indústria automobilística e os índices de venda de modelos que estão há um bom tempo no mercado como o Escort, o Santana e na linha dos populares, o Gol, o Uno Mille, indicam que esses modelos ainda tem vida longa dentro do mercado cosumidor de veículos brasileiro.

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