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Bons profissionais continuam em falta

Redação
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Ter diploma de curso superior ou a titulação de "doutor" não é garantia de emprego nos dias de hoje. A regra é ser bom, se não ótimo, e vale para pedreiros, carpinteiros, dentistas, eletricistas e todos os mais

Enquanto centenas de bauruenses reclamam da falta de emprego, o mercado empresarial e particular local permanece carente de bons profissionais. Pessoas que estão construindo ou reformando imóveis chegam a esperar por semanas que aquele assentador de azulejos dê conta de serviços anteriormente assumidos para pegar o novo trabalho. O mesmo acontece com pintores, eletricistas, técnicos em manutenção de eletrodomésticos, entre outros. Com as empresas, o quadro não é diferente. Dados da regional-Bauru da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert) revelam que de 200 pessoas encaminhadas para ocupar 50 vagas, apenas 15 acabam selecionadas e contratadas. Em ambos os casos, o que se verifica é a falta de preparo e qualificação para o exercício da função.

A Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), que mantém o requisitado Centro de Encaminhamento Para o Trabalho (Cepet), não esconde essa realidade. Há muitas vagas, mas todas exigem capacitação. As pessoas costumam achar que, por exercerem uma função, são especialistas, o que quase sempre não é verdade. O pedreiro acha que sabe fazer de tudo, mas a maioria não sabe fazer uma calçada devidamente, pois desconhece que para isso existem normas técnicas. Empresas e particulares querem contratar bons profissionais que sabem exatamente o que têm ou não de fazer. Querem capricho e esmero no serviço e isso não se aprende só com a experiência. A necessidade de aprendizado é constante em qualquer área. Até para assentar tijolos, uma atividade que todos pedreiros julgam saber, é preciso saber das novas argamassas que surgem no mercado todos os anos. É essa consciência que as pessoas precisam ter e, mais do que tudo, valer-se dela para conquistar seu espaço, expôs Sandra Scriptore, titular da Sebes.

A secretária, entretanto, reconhece que muitos potenciais profissionais com qualificação não têm acesso aos programas de capacitação ou, até mesmo, os desconhecem. Há quem chame essas pessoas de acomodadas, pois acham que quem quer melhorar, corre atrás, mas a falta de instrução - tratamos aqui dos desempregados de classes economicamente desprivilegiadas - chega a ser um entrave na hora de dar a volta por cima. É claro que os acomodados existem, mas temos de admitir que os programas governamentais e não governamentais, as parcerias e as ações voluntárias ainda são insuficientes para atender a demanda do município. Às vezes, temos que resolver outros problemas antes de tratarmos a questão do emprego, porque as necessidades e os problemas variam de família para família. Uns não têm capacitação profissional, o outro precisa resgatar a auto-estima, outro ainda enfrenta problemas com o filho que não vai à escola e pratica atos infracionais. O desemprego não é solucionável por si só, assim como não o é a pobreza, o a assistência social, etc, argumentou Sandra.

A parcela da população que costuma se resignar frente ao problema do desemprego geralmente não possui a escolaridade fundamental (1.ª a 8.ª séries) completa. Por essa razão, não encontra coragem para bater às portas em busca de trabalho, atitude que a coloca fora do caminho da qualificação. Na verdade, essa gente desconhece os próprios recursos, ainda que poucos, que a cidade lhes oferece; aliás, não sabem nem onde buscar orientação. Sem perspectiva de renda, acabam catando latas e papel ou exercendo subatividades para o ganho mínimo. Uma vez motivadas a freqüentar um curso de qualificação, a história muda. Até mesmo quem é analfabeto e não tem conhecimento para absorver o mínimo de ensinamentos acaba incentivado a estudar, a freqüentar uma sala de alfabetização de adultos. Existe, sim, aquela parcela que resigna-se com os problemas em nome de Deus, mas é mínima, considerou.

Embora embrionários, os programas voltados à questão empregatícia estão se desenvolvendo em Bauru. Anualmente, entidades representativas da comunidade se cadastram para ministrar cursos custeados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Este ano, 1.980 pessoas estão matriculadas nos 44 cursos oferecidos (confira quais são no quadro desta página). Outras parcerias firmadas entre Sebes, Senai, Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), INSS e Sindicato da Indústria da Panificação também oferecem capacitação em áreas diversas.

Os Núcleos de Apoio Familiar (NAFs), em operação desde o ano passado nos carentes parques Jaraguá e Júlio Nóbrega, figuram ainda entre as ações de assistência social do município, apesar de não direcionadas exclusivamente à problemática do desemprego. O NAFs trabalha a comunidade como um todo e em suas diversas dificuldades. É deles, por exemplo, a missão de levantar e tentar resolver os problemas de cada família assistida.

A iniciativa, que já estaria colhendo frutos positivos, deve se estender pelos quatro cantos da cidade - hoje os NAFs atendem apenas a uma parte das regiões Leste e Noroeste. A pretensão da Sebes é expandir a política da assistência descentralizada na medida em que o orçamento permitir - até o final do ano, mais um NAF poderá ser instalado. Nosso papel é buscar saídas criativas conforme as necessidades da população. Estamos deixando o assistencialismo de lado para investir em programas sócio-educativos e sócio-familiares, mas também precisamos permitir o acesso da população até eles. Nessa proposta, a participação dos sindicatos também é fundamental para nos informar quais as carências do mercado em termos de mão-de-obra.

Plano Municipal de Qualificação para 2001 (recursos do FAT)

Cursos/Vagas

Noções básicas de informática 200Educação em creche 100Administração de estoque e reposição 100Análise de crédito 100Administração de compras 100Eletricidade residencial e predial 100Vigilantes e porteiros 100Agente comunitário de saúde (*) 30Informática Word 50Informática Excel 50Atendimento de enfermagem domiciliar (*) 20Eletricidade e eletrônica 50Rede telefônica residencial e predial 30Eletricidade e manutenção (*) 30Informática: instalação e manutenção de micros 40Instalação e reparação de fones convencionais, fax e celular 30Instalação e conserto de sistema de TV por assinatura 30 Formação de vendedores e atendentes 100Operação em telemarketing 20Eletrônica básica para pequenos reparos (*) 30Panificação e confeitaria (*) 100Mecânica de automóveis 30Atendentes de postos de combustíveis 30Eletricidade de automóveis 30Gráfica off-set 30Moda e modelagem de confecção industrial 30Cozinha e culinária 50Profissional dos serviços domésticos 40Gestão de trabalho autônomo (*) 30Assentador de tijolos 20Revestidor de paredes 20Assentador de pisos e azulejos 20Carpintaria 20Telhadista 20Desenho na construção civil 20Industrialização e artesanato de produtos e alimentos caseiros (*) 30Auxiliar odontológico 30Cozinha e culinária de pratos light (*) 30Confecção de malharia 20Podador de árvores 20Floricultura 20Artesanato: desenho e pintura 20Formação de técnicos municipais de turismo 20

Emprego e capacitação - Onde procurar

Centro de Encaminhamento para o Trabalho (Cepet) e Centro de Mão-de-Obra - cadastramento para vagasRua: Saint Martin, 11-30, fone 234-1090, das 8 às 16h30

Centro Municipal de Formação Profissional (orientação sobre cursos) Avenida: Alfredo Maia, S/N.º, fone 235-1171

Centro de Orientação Profissional (COT) - cadastramento para vagasRua: Azarias Leite, 9-80, fone 223-7766, das 8 às 11h30 e das 13 às 16h30

Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) - cadastramento para vagas e orientações trabalhistasRua: Joaquim da Silva Martha 11-39, fone 234-9923, das 8 às 12 horas e das 13 às 16 horas.

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