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Gerador de energia é melhor alternativa

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Apesar da garantia de que não haverá problemas na assistência ao paciente, o funcionamento dos hospitais sofrerá alterações muito importantes, o que poderá gerar graves transtornos

A instalação de geradores de energia é a estratégia mais utilizada, nos hospitais de Bauru, para prevenir apagões e blecautes. O gerador é um motor movido a óleo diesel que produz energia elétrica. Teoricamente, ele produz energia enquanto houver combustível. Porém, trata-se de um equipamento mecânico, que pode sofrer uma pane se houver sobrecarga, como acontece com os carros quando há um superaquecimento. É essa característica que faz com que os engenheiros garantam seu funcionamento ininterrupto por 6 a 12 horas, conforme o modelo e potência do gerador. É o que eles chamam de autonomia.

Os geradores da Beneficência Portuguesa, Hospital de Base, Instituto Lauro de Souza Lima e Hospital de Reabilitação de Anomalias Crânio-Faciais (Centrinho/USP), têm autonomia de aproximadamente seis horas. Nos três casos, o gerador só alimenta os setores vitais das unidades, que são as salas onde os pacientes dependem do funcionamento dos aparelhos para sobreviver. É o caso dos centros cirúrgicos, Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e Semi-Intensiva (UTSI), banco de sangue e hemodiálise.

Nestes hospitais, havendo um apagão, apenas os setores vitais continuariam funcionando. Todo o resto ficaria sem energia, incluindo departamentos administrativos, corredores, laboratórios, endoscopia, radiologia, ressonância magnética, farmácias, consultórios, quartos, banheiros, cozinhas, entre outros.

No Hospital da Unimed, a previsão é mais otimista. Nosso gerador tem autonomia de 12 horas e está ligado a praticamente todos os setores da instituição, ou seja, estamos preparados para enfrentar uma falta de energia sem desligar uma lâmpada, informou o presidente da cooperativa, Carlos Eduardo Sacomandi.

O diretor superintendente da unidade, Fernando Monti, esclarece que, mesmo assim, é impossível não haver restrições: O Raio X, por exemplo, pára de funcionar, porque tem uma demanda muito grande de energia. Então, não dá para operar um Raio X com gerador, nem em situação de emergência (...) O Raio X é um exame importantíssimo, usado fartamente na área médica, mas não é um exame imprescindível. Não é um elemento que colocaria em risco a saúde do paciente. A equipe médica pode tomar todos os procedimentos mesmo sem ele. Ainda assim, há uma limitação.

UTI Neonatal é preocupação na Maternidade

Depois do Hospital de Base, que atende os casos com maior complexidade, com maior número de cirurgias e pacientes, a segunda grande preocupação da AHB quanto aos possíveis apagões é com a UTI Neonatal da Maternidade Santa Izabel. A Maternidade não dispõe de um gerador de energia para alimentar os aparelhos de suporte de vida dos bebês. E nós temos uma UTI com nove leitos e, em média, três recém-nascidos dependendo de respiradores para viver, observa o superintendente, Affonso Viviani Júnior.

Para equacionar a situação, a AHB adotou duas estratégias. A primeira delas foi o início do processo para a compra de um gerador. Mas as dificuldades de mercado para a aquisição são grandes. O Governo está dando facilidades para a importação e o Ministério da Saúde priorizou os financiamentos para isso, mas é um processo demorado. Então, estamos antecipando uma segunda alternativa, que é transferir esses bebês para a UTI Pediátrica do Hospital de Base.

De acordo com Viviani, a UTI pediátrica já está passando por uma readequação do espaço físico para que possa comportar e receber os recém-nascidos. Então, se o Governo confirmar o início dos apagões, os bebês que nascerem neste período e que necessitarem de cuidados intensivos e suporte de vida serão imediatamente encaminhados ao HB.

Indagado sobre eventuais riscos para a gestante, numa eventual complicação de parto natural, o diretor mostrou-se tranqüilo. Ele explicou que todos os equipamentos necessários para as cirurgias obstétricas têm uma bateria própria com autonomia para duas horas de funcionamento. Os procedimentos obstétricos são rápidos, são cirurgias de curta duração e o equipamento necessário continua funcionando com as baterias por um tempo que dá folga de trabalho à equipe médica, afirmou.

Segundo ele, esse tempo é suficiente para o término de um procedimento ou mesmo - em casos de extrema gravidade - para que sejam tomadas todas as providências de uma transferência para outro hospital. Vale lembrar que, não havendo urgência, as demais cirurgias são programadas, podendo-se evitar os horários de apagão.

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