Apagar as luzes, desligar equipamentos, trocar elevadores por escadas são atitudes desconfortáveis, mas possíveis para a população em geral. O mesmo, no entanto, não acontece com os hospitais e outras instituições de saúde. Não podemos operar à meia luz. Não podemos desligar os respiradores das UTIs à noite, comenta o diretor clínico do Centrinho, Luiz Fernando Ribeiro. Em toda a cidade, médicos e administradores mobilizam-se para gerenciar situações emergenciais e programadas de falta de energia. Os pacientes não correm risco de vida, mas os transtornos e as filas de espera serão, sem dúvida, inevitáveis.
O JC Saúde percorreu hospitais, prontos-socorros e unidades de saúde para saber quais são ou serão os impactos do racionamento de energia elétrica e de eventuais apagões para os cidadãos que necessitarem de atendimento e cirurgias nos próximos meses. Médicos e administradores foram unânimes em afirmar que ninguém corre o risco de morrer dentro das instituições por falta de energia elétrica, mas que, com certeza, a rotina do funcionamento das unidades será drasticamente alterada. Isso deverá aumentar os transtornos, principalmente, para os usuários da saúde pública.
A reportagem apurou que os pontos mais críticos em Bauru são a Maternidade Santa Izabel e os prontos-socorros municipais, que não dispõem de gerador próprio para alimentar os equipamentos na falta de energia. Os administradores já iniciaram os processos de licitação para adquirir os geradores, mas a instalação dos mesmos deve demorar, pelo menos, dois meses. Enquanto isso, estão sendo adotados sistemas de baterias para os aparelhos e estratégias de transferência de pacientes para outras unidades.
No Hospital de Base, Beneficência Portuguesa e Centrinho, a situação parece ser confortável. Os três contam com geradores para alimentar os equipamentos dos chamados setores vitais, como centros cirúrgicos e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Havendo falta de energia, estes setores continuariam funcionando normalmente com autonomia de, no mínimo, seis horas. O apagão só atingiria os corredores, salas administrativas, laboratórios e outras dependências que não ameaçariam a vida do paciente.
Já no Instituto Lauro de Souza Lima, apesar de haver um gerador de energia ligado também aos setores vitais, a diretoria teme que haja problemas no abastecimento de água do hospital. Isso porque todas as instalações são abastecidas por poço artesiano, que depende exclusivamente das bombas elétricas para jogar água nas caixas. E essas bombas não são alimentadas pelo gerador.
A posição mais confortável, conforme foi verificado, é a do Hospital da Unimed. Por ter sido construído há poucos anos, o projeto já previa a instalação de um gerador de alta potência. Atualmente, todos os setores da unidade estão ligados ao gerador, com autonomia de, pelo menos, 12 horas. De modo que, havendo falta de energia, o hospital praticamente não sofrerá prejuízos, nem mesmo nos setores administrativos.
Na verdade, cada instituição de saúde da cidade tem suas particularidades no manejo da falta de energia, mas todos estão se precavendo da melhor maneira possível. Infelizmente, tudo isso ainda é uma incógnita. Ninguém sabe direito o que, como e quando vai acontecer, observa a diretora administrativa do Instituto Lauro de Souza Lima, Cristina Oliveira.
Acho que nós vamos descobrindo na medida em que for acontecendo. Estamos tentando prever e prevenir o máximo possível, mas somos passíveis de descobrir coisas pelo percurso. Afinal, a saúde é um serviço muito complexo e exercemos muitas atividades ao mesmo tempo, completa a secretária municipal de Saúde substituta, Sônia Fiocchi.
Seja como for, todo mundo tem que contribuir um pouco. Tanto menos todos sofrerem, melhor. E cada um sofrerá menos se todos nós participarmos. As pessoas têm que se acautelar de acordo com as necessidades da Nação. E a Nação somos todos nós, cuidando do futuro, conclui o diretor presidente do Hospital Beneficência Portuguesa, Aníbal Alves de Carvalho.