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Sasazaki demite 273 e culpa apagão

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

Marília - O racionamento de energia elétrica começa a ser sentido de forma mais drástica na região, com a confirmação da primeira grande demissão, no setor industrial de Marília. São 273 funcionários da Sasazaki, uma das maiores fabricantes de portas e janelas do País. O presidente da indústria, Hachiro Sasazaki, diz que o corte foi inevitável e necessário para o atendimento às medidas de racionamento impostas pelo Governo Federal.

O Sindicato dos Metarlúrgicos de Marília, através de seu presidente, Irton Siqueira Torres, questiona o corte de pessoal e diz ter tentado evitar o desemprego, mas a empresa alega ser impossível atender as duas partes.

Assim como muitas outras empresas, a Sasazaki começou a colocar em prática desde a última segunda-feira, o Plano de Adequação Energética para atingir a medida exigida a partir do dia 1 de junho de 25% de redução no consumo de energia elétrica. Bastante dependente da eletricidade, principalmente nos departamentos de tratamento, pintura e solda, a Sasazaki passou a adotar as medidas necessária que devem afetar a produção da empresa em quase 20%.

Com um volume de produção de 130 mil portas e janelas por mês nas linhas de aço e alumínio, a empresa diz que não contava com o racionamento de energia elétrica. Fomos todos pegos desprevenidos, reclama o presidente da Sasazaki, que diz não se conformar com o desleixo do Governo Federal, que impõe à produção da empresa, uma diminuição em quase 20%. Por incompetência administrativa, todo o setor industrial será prejudicado pela falta de medidas que deveriam ter sido tomadas desde 1996, falou o dirigente. Desde daquela época o Governo já deveria sabia da deficiência no setor energético e nada fez para evitar o racionamento, completou.

Depois de avaliar a possibilidade de instalação de geradores de energia na indústria, a Sasazaki concluiu que somente em seis ou oito meses é que todos os equipamentos estariam adaptados para a manutenção da produção atual. Como se não bastasse a instalação dos equipamentos, o tempo passou a ser o principal fator da inviabilização, disse.

Segundo o presidente da indústria, para o setor produtivo não existe economia de energia sem redução de produção. Em residência se diminui a TV, o freezer, o chuveiro, o secador de cabelo, comparou. Mas em uma indústria só se diminui energia, diminuindo produção, explicou ao afirmar que esteve reunido por várias vezes com os demais diretores da empresa para discussão do assunto e a decisão pela alternativa da demissão, com a diminuição de um turno de trabalho. Mesmo sendo uma medida contrária a filosofia da empresa, a dispensa de funcionários torna-se inevitável, disse ao comentar o corte de aproximadamente 18% do quadro de funcionários da empresa, que conta com cerca de 1, 5 mil trabalhadores.

Hachiro Sasazaki ressalta que se a indústria não tomar essas medidas, estará sujeita a ser penalizada pelo Governo Federal com o corte no fornecimento de energia que causaria transtornos incalculáveis, conforme resolução de nº 8 de 24 de maio, da Câmara de Gestão de Energia Elétrica. É uma medida dura que tomamos, mas que esperamos que seja temporária, ponderou. Vamos acreditar que o tal apagão não aconteça, e que o Governo tome as providencias necessárias para que o País não pare de produzir, opinou ao prever situações delicadíssimas no setor industrial, caso haja o corte de energia, sem contar o impacto social que o racionamento irá proporcionar.

Sindicato

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Irton Siqueira Torres, afirmou que tentou negociar com a diretoria um número menor de demitidos. Eram 350, mas o sindicato conseguiu baixar esse número para 273, com cesta básica também no mês de junho para os demitidos, além da promessa de consultar os currículos deles em caso de contratação no futuro, explicou Siqueira.

Torres disse também que a empresa já vinha tendo problemas de inchaço no quadro de funcionários, porque produz 120 toneladas por dia, mas vende apenas 90 toneladas. Irton Siqueira diz que a realidade de mercado é outra e a Sasazaki já tinha intenção de enxugar o quadro de funcionários. Com o racionamento foi a gota dágua. Não teve jeito, lamentou.

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