Dezembro de 1995. Eu, Rafael Dario, mais conhecido como Pardal, meu cunhado, Fernando de Oliveira, e o meu pai, Gildo de Souza Neves, resolvemos pescar em um sítio do meu tio Afonso, mais conhecido como tio Afonsinho, em um local de grande área de mata fechada, banhado pelo rio Batalha. Meu tio Afonsinho disse que uma semana antes tinha visto uma enorme onça pintada. Disse também que ela era até um pouco mansa, pois ela tinha percebido meu tio e nem ligou. Mas, como todo pescador é prevenido, levamos uma velha e muito antiga espingarda. Ao chegarmos lá, começamos a armar a barraca, começamos a bater estacas pregando as madeiras, quando meu pai falou: olha o que eu estou vendo, será que é verdade? Eu olhei assustado e disse: sim!!! Meu tio, como tem conhecimentos, pois sempre morou em sítio, pegou a espingarda, estava colocando a pólvora, mas meu cunhado, como é um grande tirador de sarro, perguntou: o que vamos fazer com a onça, comer? Meu pai falou, é claro e o couro vamos fazer um belo tapete, mas meu cunhado falou, poxa, mais pra fazer um belo tapete não pode ter nenhuma marca de faca no couro, eu aposto os duzentos reais que eu tenho, se vocês arrancarem o couro sem deixar marca de faca. Meu tio pensou, pegou um enorme prego, colocou pólvora na espingarada, colocou um prego dentro, mas como todo pescador é sortudo, a onça estava com o rabo em cima de uma tora de árvore. Ele mirou bem no rabo e atirou. Quando o prego acertou o rabo dela no susto, ela saiu de uma só vez, no entanto ficou o couro preso no tronco e a carne saiu e caiu a alguns metros na frente. Compensação, meu cunhado deu o dinheiro e nós dividimos.
Essa é uma história real, quem não acredita, é só dar uma passadinha lá em casa e ver o couro limpinho, quase sem nenhum arranhão, apenas com um furo no final do rabo.
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