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Polícia Comunitária será sabatinada

Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 3 min

Pesquisa de opinião pública sobre a Polícia Militar será aplicada pela Unesp. Resultado deve sair no final de julho

Uma parceria entre a Polícia Militar e a Faculdade de Arquitetura Artes e Comunicação (Faac) da Unesp de Bauru vai viabilizar a aplicação de uma pesquisa de opinião pública sobre policiamento comunitário. Anteontem, os envolvidos no projeto fizeram uma reunião na sede do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I) para resolver os últimos detalhes.

De acordo com a professora da Unesp que vai coordenar o projeto, Célia Rertz, a pesquisa começa no dia 23 e deve ficar pronta em um mês. Esta será a segunda pesquisa do tipo realizada em parceria com a PM.

Além da professora, que estava acompanhada por duas alunas, participaram do encontro, ontem de manhã, o diretor da Faac, José Carlos Plácido da Silva, o comandante do 4.º BPM-I, tenente-coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, o comandante da 1ª Cia, capitão Benedito Roberto Meira e o comandante da 3.ª Cia, capitão Wellington Dorian Venezian.

A pesquisa aplicada este ano será uma continuação da realizada em 95, quando a população de todas as regiões da cidade foi ouvida em relação a suas expectativas com a Polícia Militar. De acordo com o tenente-coronel, a partir do levantamento, o sistema de policiamento comunitário foi aplicado em Bauru.

A principal mudança com a implantação do policiamento comunitário foi a descentralização da competência e da responsabilidade pelo policiamento. Com isso, o foco passou a ser na comunidade, o cliente, e não no marginal, afirmou o comandante do 4.º BPM-I.

Eu costumo perguntar, no curso que dou para soldados, que Bauru tem 315 mil habitantes, mas quantos são bandidos? Cinqüenta? Então vale muito mais estar focado no restante da comunidade que no marginal, disse Meira. Isso não quer dizer que estes 50 vão ser reprimidos, mas o ideal é não deixá-los agir, com a colaboração da população. A segurança pública envolve todos nós, disse Eclair.

Segundo Célia Rertz, a pesquisa dará continuidade ao trabalho da polícia. Na outra oportunidade perguntamos o que as pessoas pensavam da implantação do policiamento comunitário. Agora, queremos ver se a população percebeu alguma mudança, disse. Entre as perguntas devem estar questões como: Você conhece alguma base comunitária?

De acordo com Eclair, 30% da população de Bauru usam ou já usaram os serviços da PM, a maioria das regiões mais carentes da cidade. Segundo ele, os outros 70% são justamente os que afirmam sentir mais insegurança. O índice de criminalidade daqui não condiz com a sensação de insegurança, principalmente da região Sul, onde o poder aquisitivo é mais alto, afirma.

Segundo a professora, caso seja identificado algum problema de comunicação entre a PM e a população, uma campanha de esclarecimento pode ser montada. Neste caso, alunos de vários cursos poderiam estar envolvidos.

A experiência prática é muito válida para os alunos e leva a universidade até a comunidade, disse Célia. Mesmo com toda credibilidade que tem, normalmente a universidade é vista como em uma redoma. É importante este trabalho com a sociedade, salientou Eclair. Esta pesquisa vai ser muito importante para nós. Vai apontar rumos, completou.

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