Os funcionários do escritório de atendimento da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), em Bauru, tiveram mais um dia de trabalho complicado e agitado, ontem. Uma nova fila de consumidores voltou a se formar no local e os ânimos estavam exaltados. Dessa vez, um grande número de reclamações era sobre o mesmo problema: média de consumo calculada em meses diferentes dos previstos na resolução do Governo Federal, que são maio, junho e julho de 2000.
As centrais de atendimento por telefone (0800-101010 e 0800-7702735), disponibilizadas pela companhia para esclarecer dúvidas sobre o racionamento, continuaram provocando descontentamento entre os consumidores. Dos que estavam na fila na tarde de ontem, menor que a de quarta-feira, nenhum havia conseguido manter contato com algum atendente da empresa através desses dois números. Durante o último dia 6, o 0800-7702735 atendeu a 97,15 mil chamadas, cerca de três mil a mais que no dia anterior.
Silvio Saraiva, 56 anos, que reside em uma casa no bairro Altos da Cidade, recebeu sua carta de meta de consumo de energia elétrica com a média calculada a partir dos meses de junho, agosto e setembro do ano passado. A alegação que consta na correspondência é de que o cliente não possui histórico de consumo registrado nos meses de maio, junho e julho. Porém, o consumidor afirma que reside na mesma casa há 13 anos. No 0800, Saraiva não conseguiu falar. Para comprovar à CPFL a existência do histórico do ano passado, o consumidor levou as contas originais e xerox de maio, junho e julho de 2000, até o escritório.
É absurdo a empresa falar que não possui o devido histórico registrado porque eu tenho todas as contas do ano passado (disse o consumidor enquanto mostrava as contas à reportagem). Com a conta baseada nos meses que eles tiraram de média, a minha meta de consumo vai ter que ser de 213 kWh por mês, daqui em diante. Só que se eles tivessem calculado sobre os meses certos, que o governo mandou, eu poderia consumir 250 kWh. Ou seja, estão me forçando a consumir menos do que eu tenho direito. O atendente (da CPFL) deu um requerimento para eu preencher e disse que iriam enviar o meu caso, com os xerox das contas do ano passado que eu trouxe, para a sede da CPFL lá em Campinas. Mas eu mesmo vou fazer isso, pelo correio, porque não confio mais na empresa. Quero o meu cálculo certo, ressaltou o consumidor.
Aparecido Donizete dos Santos estava na fila de atendimento da CPFL, ontem, para tentar resolver o problema da filha. Segundo ele, sua filha foi morar na casa em que reside atualmente em meados de janeiro deste ano. Antes disso, a casa nunca havia sido utilizada, pois sua construção acabara em setembro do ano passado.
No início desta semana, a filha, Gisele, recebeu a carta informando sua meta de consumo. Os cálculos tinham sido feitos com base nos meses de dezembro de 2000 - quando o consumo registrado na conta de luz da cliente foi de 1 kWh -, janeiro deste ano - mês em que o consumo foi de apenas 91 kWh, porque a casa passou a ser habitada somente na metade do mês - e de fevereiro, com consumo registrado em conta de 124 kWh. Resultado: a meta de consumo estipulada para a consumidora foi de 72 kWh.
Isso é um absurdo. Como eles tiram a média para o caso dela, que é um caso excepcional, com base no mês de dezembro do ano passado, quando a casa ainda estava vazia? Em janeiro, minha filha só mudou para lá com o marido na metade do mês. Esse cálculo é absurdo. Eu vim reclamar e eles me deram um requerimento para preencher e deixar aqui para ser enviado à CPFL lá em Campinas. O funcionário que me atendeu disse que eu vou receber uma resposta dentro de 20 dias. Estou aguardando, disse Santos.
Falhas
Outro consumidor que estava no escritório de atendimento, ontem, que pediu para ter seu nome preservado, disse que a meta de consumo enviada a ele estava errada. Eu fiz os cálculos de acordo com o consumo de maio, junho e julho do ano passado e não bateu com o que a CPFL me mandou. Então, vim aqui para reclamar e tentar resolver a situação. Porém, não consegui resolver nada e essa é a segunda vez que eu venho até aqui no mesmo dia. Tem um senhor tentando falar no 0800, através dos telefones que a CPFL disponibiliza pars os clientes, há três horas e ainda não conseguiu. Isso é muita falta de respeito. O povo é bom mas não é burro. Os funcionários não têm culpa, eles também são vítimas. Mas, essa situação toda tira a gente do sério, lamentou o reclamante.
Em outro caso, um consumidor, que pediu para não ter o nome divulgado, disse que recebeu a carta indicando a meta de consumo com cálculo feito nos meses de junho, outubro e novembro. A alegação da empresa, segundo consta na carta, também é de falta de histórico registrado. Porém, o consumidor tem xerox de todas as contas do ano passado e diz que reside na mesma casa há 18 anos. Vou ter que mandar uma carta para Campinas, disse.