Geral

Fé estrutura luta contra preconceito

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Encravada no Ferradura Mirim, comunidade de N. S. do Terço comemora um ano de fundação e sonha com bairro melhor

Junho é um mês especial para a comunidade de Nossa Senhora do Terço, um dos seis setores da Paróquia Maria Mãe do Redentor, no Jardim Redentor. Coordenada pela Congregação Marianista, a comunidade comemora um ano da realização da primeira missa neste mês. A comemoração vem envolvida pelo orgulho desta ser a primeira comunidade católica do Ferradura Mirim e de marcar o encontro de mais de 150 moradores.

Antes de fundarmos a comunidade, havia desconfiança entre as pessoas. Hoje somos amigos e sabemos que podemos contar uns com os outros. As pessoas mudaram de coração, afirma Perpétua Alves Ferreira, uma das fundadores da comunidade Nossa Senhora do Terço.

O depoimento de Perpétua dá brechas para entender o significado da comunidade, e da construção de sua capela, para esse grupo de moradores do Ferradura Mirim.

Nosso objetivo é, por meio da liturgia e dos cursos oferecidos aqui, mostrar que podemos oferecer coisas boas para a população. Queremos crescer junto com o bairro, completa o eletricista Valmir Placidino, coordenador geral da comunidade.

A tentativa dessa comunidade católica é fugir do estigma que cerca o Ferradura Mirim, considerado uma das regiões mais pobres e violentas de Bauru e que abriga hoje mais de 4 mil pessoas. Por essa razão, o pessoal da Nossa Senhora do Terço não aceita que o local onde moram seja chamado de favela. Para eles, o termo é depreciativo, daí a preferência por chamá-lo de bairro.

Há muita gente boa, de muitos valores. Há desejo de luta, de seguir em frente, descreve o padre Francisco Bustamante, vigário da Paróquia Maria Mãe do Redentor e responsável pela comunidade católica do Ferradura Mirim.

Para Bustamante, nascido na Espanha e há um ano no Brasil, o perfil do bairro é explicado pela sua história. A maioria dos moradores daqui é migrante, gente que veio para o Ferradura Mirim em busca de construir algo, de melhorar, relata.

Em outras palavras: são pessoas de fé, termo que extrapola o sentido religioso. A diferença agora, diz dona Perpétua, é que a fé é comunitária. Queremos ajudar as famílias do bairro. Aqui, o principal problema é a questão de saúde, complementa Tica Placidino, coordenadora de catequese.

Atualmente, Tica é responsável pela catequese de 80 crianças e mais 20 adultos, estes recebem a eucaristia após três dias de aula. A idéia de catequizar os adultos teve início após uma constatação do padre Francisco. Durante as missas, percebia que ninguém comungava e achei que era por respeito, por não ter confessado, conta.

Por orientação de um membro do grupo de leigos, resolveu perguntar, em plena missa, quem de lá tinha feito catequese. Para minha surpresa, a maioria levantou a mão. Muitos deles não eram sequer batizados, lembra o padre.

Diante desse desconhecimento dos sacramentos, Bustamante instituiu a catequese na missa, com o objetivo de explicar simbolismos católicos. Fiquei mais didático, confirma o padre. Já ensinamos até mesmo a forma correta de fazer o sinal da cruz, comenta Perpétua.

E assim, com didatismo e fé, a comunidade Nossa Senhora do Terço comemora um ano de fundação. Período que acreditam terem melhorado como seres humanos e como cidadãos. Mas ainda há muito por fazer. Queremos melhorar a auto-estima das pessoas, fazer com que elas tenham orgulho de morar no Ferradura Mirim, conclui Valmir Placidino.

Comentários

Comentários