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Pedestre precisa ter mais consciência

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

Embora estimativas extra-oficiais apontem a existência de 1 veículo para cada quase dois habitantes (1/1,91) em Bauru - a maior proporção já registrada no município (a relação veículo/habitante saltou de 33% para 53%) -, o índice de atropelamentos e acidentes de trânsito dentro da cidade diminuiu sensivelmente nos últimos dois anos. A vigência do Código Brasileiro de Trânsito, que trouxe multas pesadas aos infratores, e a inserção do policiamento de trânsito na filosofia da Polícia Comunitária seriam os responsáveis por esse saldo positivo. Mesmo assim, os pedestres bauruenses ainda demonstram imaturidade perante o trânsito, negligenciando regras fundamentais de segurança e virando as costas para as tecnologias.

Entre 1997 e 1999, o número de acidentes manteve-se acima da faixa dos 7.000 registros, voltando à casa dos 6.000 no ano passado, chegando próximo ao patamar de 1996, ano que fechou com 6.794 ocorrências. A perfórmance das estatísticas referentes aos atropelamentos, porém, é bem mais animadora. Eles já atingiram a marca de 400 vítimas em 1995, caindo para 263 em 2001.

O esforço da polícia e a adoção de algumas medidas estão intimamente vinculados aos números. O policiamento, por exemplo, deu mostras de maior eficácia no combate aos acidentes desde que vem trabalhando de forma setorizada - a cidade foi dividida em seis setores. Os policiais de trânsito, igualmente aos do policiamento padrão, ganharam autonomia e responsabilidade por suas áreas de atuação, podendo apresentar sugestões conforme os problemas detectados. Eles indicam, por exemplo, o ocorrência de falhas de sinalização, que estariam sendo prontamente corrigidas pelo Departamento de Sistema Viário da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb).

A atuação da Polícia de Trânsito, por sinal, vem sendo integralmente estabelecida em cima de dados técnicos e científicos. Não é um trabalho aleatório. Nosso trabalho vem se pautando conforme os problemas, resumiu o comandante da 4.ª Cia., capitão Reginaldo Braga. Este ano, por exemplo, a fiscalização foi intensificada durante a madrugada, período em que muitos jovens foram vítimas de acidentes em 2000.

Ainda no que tange à polícia, um trabalho educativo continua sendo desenvolvido nas escolas e empresas. São cinco projetos montados em parceria com a Unesp voltados a um público bastante variado, que vai de crianças de pré-escola a motoristas profissionais. Metade dos condutores dos ônibus coletivos da cidade, por exemplo, já participaram das palestras. Isso, porque o número de acidentes envolvendo circulares no ano passado foi grande - beirou os 500.

Na outra ponta, os pedestres também tiveram oportunidade de mudar o comportamento no trânsito. Na avenida Nações Unidas, um dos pontos ainda críticos em se tratando de acidentes e atropelamentos, a segurança melhorou consideravelmente depois da instalação de semáforos e sistema eletrônico de controle de velocidade. A travessia da movimentada via tornou-se menos arriscada nos pontos onde os veículos são obrigados a parar ou reduzir a velocidade, mas a avenida já fez duas vítimas este ano em outros trechos.

Na região do comércio central, onde o fluxo de veículos continua sendo o mais intenso de toda a cidade, a segurança também melhorou. Se não, pelo menos deveria. Os cruzamentos da avenida Rodrigues Alves com as principais transversais receberam semáforos para pedestres, além de um instalado na rua 13 de Maio com o Calçadão da Batista. Coisa que deixou aquela parte de Bauru com ar de metrópole, mas que pouca utilidade teve até o momento.

Só este ano, 18 atropelamentos foram registrados no Centro, dos quais boa parte atingiu pessoas idosas. A polícia acredita que a estatística de atropelamentos na referida região poderia ser reduzida em mais de 90% se a população respeitasse o sinal para pedestres. Novas campanhas de conscientização estão previstas, mas, por enquanto, prevalecem a pressa, a desatenção e a teimosia. Numa rápida visita aos cruzamentos, nota-se que raras são as pessoas que observam os semáforos, cujos custos consumiram um investimento de R$ 90 mil. Na verdade, os pedestres que circulam pelo Centro continuam disputando espaço com os veículos, numa negligência à cidadania que lhes é de direito e dever.

Nas rodovias que cortam a área urbana da cidade, os índices ainda não apresentam melhoras. A Polícia Rodoviária registrou 14 atropelamentos em sua base de atuação, sendo sete deles com vítimas fatais e dentro do município de Bauru. Na última quarta-feira, quando o caderno JC nos Bairros estava em sua fase final de edição, mais uma morte foi registrada.

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