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"A Falecida": sem cenário nem efeitos

Paulo Neves
| Tempo de leitura: 2 min

No próximo final de semana, dia 23, às 21 horas, e 24, às 20 horas, a cidade assiste à montagem de A Falecida, de Nélson Rodrigues, com a Companhia Fábrica, de São Paulo. A direção é de Robert McCrea. No elenco estão Luís Casado, Raquel Tamaio, Roberto Rosa e Sérgio Audi.

A montagem é uma releitura que conta a história de Zulmira, uma mulher suburbana, frustrada, que depois de descobrir que está com câncer, começa a preparar o seu próprio enterro. Seu desejo é ser enterrada com luxo e pompa, tudo pago pelo amante milionário.

No texto original, 19 personagens formam a trama. Aqui, o diretor optou por apenas quatro atores em cena e um caixão como objeto cênico.

A idéia é colocar o texto de Nélson Rodrigues em um teatro físico, que busca traduzir a sensualidade contida no roteiro juntamente com a rispidez dos fatos.

Teatro físico

O teatro físico utilizado pelo diretor inglês, que aporta a Bauru, surgiu na década de 80, na montagem de A Metamorfose (de Kafka), do inglês Stephen Berkoff. Posteriormente Declan Donehan sistematizou o método de trabalho. Com esse estilo, os atores unem as características de quatro métodos de interpretação aliadas à cultura de cada ator: Stanislavski, Brecht, Artaud e Grotowski.

Esse processo de trabalho, que funde vertentes várias, como o naturalismo de Stanislavski na construção do personagem e o elemento épico do teatro de Bertolt Brecht, como a utilização de veículos externos ao texto original para clarear os conflitos.

Além disso, também é somada a essas duas linguagens o caráter cerimonial de Grotowski, os processos orgânicos e a entrega absoluta do ator pela concepção de Antonin Artaud e a formação cultural de cada um dos atores.

Este estilo de teatro, inédito em Bauru, mexe com o subtexto, com os pensamentos e intenções dos personagens, que aparecem através da expressão corporal dos atores.

O espetáculo A Falecida vale a pena ser conferido neste final de semana, pois é uma obra-prima, um dos textos mais bem acabados do autor e naturalmente do teatro brasileiro.

Serviço

A Falecida, de Nélson Rodrigues, com a Cia. Fábrica, sábado, 21h e domingo, 20h, no Teatro Municipal. Preços não divulgados. Av. Nações Unidas, 8-9. Informações: 235-1072.

(*)Paulo Neves / Especial para o JC Cultura

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