A rigidez do câmbio é apontada como uma das principais causas da crise Argentina. Com um câmbio paritário desde 1990, ou seja, 1 dólar igual a 1 peso, a Argentina se viu refém de sua própria armadilha. A medida que a economia americana prosperou, o dólar ficou sobrevalorizado e, como a Argentina manteve essa paridade, a política monetária engessou a expansão econômica daquele país. De certa forma o comércio com o Brasil ajudou a Argentina a suportar os momentos mais difíceis, porém, quando houve o choque da moeda aqui no Brasil, que culminou com a desvalorização do real frente ao dólar, o fluxo foi invertido. Os nossos produtos ficaram mais baratos em dólar e os deles mais caros. Com isso, o agravamento da recessão na Argentina foi inevitável.
Estão em uma sinuca de pico. Se desvalorizam o peso, levam a uma quebradeira generalizada, à medida que a maioria das empresas deve em dólar (precisariam de mais pesos para conseguir honrar os compromissos). Se não desvalorizam, a recessão se mantém, e a quebradeira, mais lenta, se acentua. Buscaram uma outra via: uma taxa cambial para exportar e outra para importar. Poderiam simplesmente desvalorizar o peso para as exportações, mantendo o câmbio fixo para as importações, porém, isso geraria uma enorme desconfiança no mercado. Utilizaram o euro como alternativa. O exportador argentino recebe a diferença entre a cotação do dólar e do euro, o que representa, a preços de hoje, US$ 0,08.
É o primeiro sinal que o Ministro Cavallo irá efetivamente praticar o que chamou de cesta de moedas. Com isso tenta desarmar a bomba relógio de efeito retardado, criada por ele mesmo. Não sabemos se isso irá funcionar. Existe uma lógica econômica, porém, o mercado pode fazer outra leitura, se sentir ainda mais inseguro, acreditando que a desvalorização geral vira, e tentar se proteger. O tiro sairia pela culatra. Como a economia é uma ciência social (e não exata), o melhor a fazer é aguardar essa reação do mercado.
(*) Reinaldo Cafeo é Delegado do Corecon - Economista e Professor na ITE