O combustível que era transportado foi roubado e o caminhão abandonado, mas o motorista ainda não apareceu
O motorista de caminhão Sérgio Vigário, 37 anos, morador de Bauru, desapareceu na última quinta-feira, quando transportava, de Paulínea para Cuiabá, uma carga com 30 mil litros de óleo diesel. Até ontem à tarde, a família de Vigário não tinha recebido nenhuma notícia sobre o seu paradeiro.
Ele pode ser mais uma das vítimas das quadrilhas de roubo de cargas que estão atuando em todo o Estado. O Capitão Augusto Francisco Cação, da Polícia Rodoviária de Bauru, disse não ter dados sobre número de ocorrências desta natureza na área abrangida por seu batalhão. No entanto, ressaltou que esse crime está aumentando consideravelmente nos últimos anos. É muito difícil combater a ação das quadrilhas. Eles agem de forma discreta e costumam manter o motorista como refém enquanto circulam com a carga roubada, disse.
Ele explicou que as fiscalizações de cargas feitas pela Polícia não são suficientes para coibir a ação dos bandidos. Isso porque não dá para identificar se o motorista que está levando a carga é um profissional ou um dos integrantes das várias quadrilhas que atuam no Estado. Nós checamos a documentação da carga e do motorista e, geralmente, está tudo em dia. Como não temos a notificação do roubo, não há como saber se trata-se de material roubado, disse.
O capitão informou que as cargas mais visadas são as de combustível, carne e cigarro, produtos de fácil comercialização. Entram na preferência dos bandidos, ainda, eletroeletrônicos e produtos farmacêuticos.
As quadrilhas costumam ser bastante organizadas e bem informadas. Enquanto a carga é levada para o receptor, os bandidos mantém o motorista do caminhão como refém em algum cativeiro, evitando que a Polícia receba informações sobre a ação.
Os postos de combustíveis são locais muito apropriados para a coleta de dados para os criminosos. O Capitão Cação destacou que eles ficam na espreita, observando o movimento e analisando as cargas. Na hora de um vacilo do motorista, dão o bote.
Por isso, a Polícia dá alguns conselhos para os profissionais da estrada: eles devem evitar dar caronas para estranhos; de preferência, andar em comboio, parar em postos movimentados para abastecer e descansar; evitar comentar o tipo de carga que está transportando e, se notar que está sendo seguido por algum veículo, entrar em contato com a Polícia.
Sem notícias
O caminhoneiro Sérgio Vigário foi visto pela última vez quinta-feira, por volta das 6h30, em um posto de combustíveis na cidade de Leme - nas proximidades de Paulínea. Dois colegas dele disseram para a família que chegaram a convidá-lo para viajar juntos, mas ele alegou que passaria em Rio Claro para buscar o filho. Meu sobrinho faz faculdade em Rio Claro e ele iria passar lá para trazê-lo para Bauru, explicou a irmã de Sérgio, Sandra Vigário de Castro.
Ela contou que Sérgio chegou a telefonar para a mulher no dia anterior avisando que almoçaria com a família em Bauru, no feriado, antes de seguir viagem para Cuiabá.
Ele não chegou a passar em Rio Claro. Preocupada com a ausência do parente, a família acionou a Polícia, que encontrou o caminhão, sem a carga, ainda na cidade de Leme. Do motorista, no entanto, nenhum rastro. Até o fechamento desta edição, Sérgio Vigário não havia sido localizado.
Dicas da Polícia Rodoviária aos caminhoneiros:
Evite dar carona a pessoas estranhas Procure andar em comboio Dê preferência a postos movimentados para abastecer e descansar Não comente o conteúdo da carga com ninguém Qualquer movimento suspeito deve ser comunicado à Polícia