Vereadores da bancada de oposição ficaram irritados com o prefeito, que classificou alguns deles de trompetistas
Os vereadores da bancada de oposição colocaram em prática durante a sessão legislativa de ontem o estilo bateu-levou. Quatro parlamentares que compõem a bancada fizeram duras críticas ao prefeito Nilson Costa (PPS), que classificou alguns deles como trompetistas. A reação ao comentário chegou em forma de ironias, gozações e fortes cobranças.
O vereador Antonio Garmes (PSDB), um crítico que não dá trégua à Administração Municipal, se referiu ao prefeito utilizando linguajar prolixo. O tucano diz que Nilson e seu governo são uma desídia, que segundo o dicionário Aurélio é o mesmo que desleixo, inércia, negligência, entre outras definições.
Garmes diz que sabe porque o prefeito anda meio bravinho. É porque eu mudei de tática. Tudo aquilo que acho incorreto, por parte da Administração, estou enviando para o Ministério Público, para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e para a Justiça. O prefeito gosta mesmo é de participar de festinhas e de comer croquetes.
O vereador avisa que o prefeito, em breve, terá sérios problemas com o Poder Judiciário. Ele desaprovou a maneira como Nilson deixa o secretário municipal de Administração, Flávio Uchoa, conduzir o governo. O secretário vai muito à Secretaria de Finanças. Cuidado doutor Raul (Raul Gomes Duarte Neto, secretário de Finanças) com o que o senhor vai assinar, alertou.
Outro que destilou veneno contra o prefeito foi Luiz Carlos Valle (PSB). Para ele, Nilson até pode ser um bom chefe de família, mas como prefeito é uma porcaria. A Administração empurra a cidade com a barriga. Eu prefiro continuar na oposição enquanto a cidade não tiver um prefeito de verdade, disparou.
Logo após a sessão, Valle recuou na crítica. Pastor evangélico, o parlamentar retirou o termo porcaria de suas declarações por considerá-lo muito pesado. Nos bastidores do Legislativo, comentou-se que o termo, considerado injurioso, pode resultar na quebra do decoro parlamentar por parte do vereador.
Outro tucano, João Parreira, reforçou o discurso da oposição. Parreira contou que tem se encontrado com amigos de cidades vizinhas, como Marília, cujo prefeito, Abelardo Camarinha, conduz o governo com sucesso. Lá nós temos prefeito. Aqui eu já não posso dizer o mesmo, alfinetou.
Os projetos de lei que envolvem questões do plano de saúde e da previdência dos servidores públicos municipais foram usados pelo vereador José Carlos Batata (PT) para criticar Nilson. O projeto é nefasto. Temos que ficar atentos a essa manobra do prefeito para descobrirmos qual é sua real intenção.
Festival de ofensas
O prefeito Nilson Costa comentou, ontem, que não teve condições de acompanhar, por completo, a sessão legislativa, mas disse que foi informado por sua assessoria sobre as críticas dos vereadores. Acho que foi uma reação desproporcional. Foi um festival de ofensas, avaliou.
O prefeito afirmou que em todas as sessões da Câmara é alvo de críticas de um mesmo grupo de vereadores. Para ele, o discurso da oposição está deixando de ser político para entrar no campo pessoal. Acho que esses vereadores tinham que discutir problemas que afetam nossa cidade ao invés de me endereçarem esse festival de ofensas.
Ele comentou que, como chefe do Executivo, é convidado a participar de cerimônias e festas de diversas entidades sediadas no Município. Isso é dever de todo homem público, afirma. Nilson rebate, mais uma vez, a definição de que seu governo é lento. Nós próximos dias vamos anunciar as inaugurações previstas para o aniversário da cidade, que vão provar o contrário do que dizem.
O prefeito lembrou que um dos seus críticos, o vereador João Parreira, votou a favor do empréstimo de R$ 10 milhões contraído pelo ex-prefeito Tidei de Lima (PMDB) para a construção do viaduto sobre os trilhos da Ferrovia Novoeste S/A. Já pagamos R$ 7 milhões de juros que arruinaram as finanças do Município. Esse dinheiro poderia estar sendo aplicado na saúde.