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Tuga: Braga no PTB reduz distância

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Ex-deputado avalia que ainda é cedo para se definir quem irá disputar a Câmara dos Deputados e a Assembléia

A dobradinha entre o ex-deputado federal Tuga Angerami (PSB) e o deputado estadual Carlos Braga (PTB) para as eleições do ano que vem amadurece cada vez mais. Rompendo o silêncio decretado nas últimas semanas, Tuga afirmou, ontem, que a filiação de Braga no PTB encurtou a distância política entre os dois. O deputado estadual desfiliou-se do PPB recentemente e, ao anunciar sua decisão, elogiou o ex-deputado, dizendo que gostaria de trabalhar com ele em 2002.

Na campanha do ano que vem, eu vou ser recíproco ao Carlos. Era óbvio que dentro do PPB a situação era mais complicada. Ao se filiar ao PTB, ele (Braga) encurta a distância entre os nossos partidos. O PTB acaba de anunciar apoio ao PPS, indo para a esfera do socialismo democrático do senador Roberto Freire. Isso torna mais fácil ser recíproco (com Braga) no ano que vem.

Nas eleições municipais do ano passado, o deputado estadual apoiou a candidatura de Tuga a prefeito. O ex-deputado, no entanto, prefere não avançar quando o assunto é a definição das esferas das candidaturas. Ou seja, quem vai disputar o que em 2002. Nos bastidores políticos, comenta-se que Braga estaria disposto a encarar a candidatura à Câmara dos Deputados, enquanto Tuga disputaria a Assembléia Legislativa.

Mas tudo não passa de especulação.

Não há definição sobre isso. O PSB conquistou dois vereadores (José Clemente Rezende e Luiz Carlos Valle). Acho que qualquer decisão tem que ser muito bem discutida com a direção municipal do partido e a bancada da Câmara. Nunca ocultei e deixei claro para a direção municipal que tenho esse compromisso moral (com Carlos Braga). Para mim, é uma decisão pessoal. Espero que o PSB compreenda isso e que não haja problema para que eu possa honrar esse compromisso.

Frente de esquerda

O ex-deputado defende a criação de uma frente de esquerda ou de centro-esquerda para o lançamento de uma candidatura forte à Presidência da República. No encontro regional organizado recentemente pelo PSB de Bauru, foi redigido um documento que defende o lançamento de candidatura própria ao Palácio do Planalto e ao Governo do Estado.

Dois governadores de Estado filiados ao PSB já lançaram seus nomes para avaliação do partido: Anthony Garotinho (Rio de Janeiro) e João Capiberibe (Amapá). Eu acho, na realidade, que deveria haver um esforço para a composição de uma frente de esquerda e centro-esquerda em torno de uma candidatura.

Tuga preferiu não comentar se é simpatizante à candidatura de Luís Inácio Lula da Silva, do PT. Eu não posso avançar nessa questão. Meu partido tem candidato.

Fim melancólico

O ex-deputado federal, que cumpriu dois mandatos filiado ao PSDB, sempre foi um crítico insistente das políticas do Governo Federal e do presidente Fernando Henrique Cardoso. Sempre considerei que a política adotada por FHC seria desastrosa para o País. Eu acho que acertei. Não digo isso com alegria.

Para Tuga, o governo ficou dependurado única e exclusivamente na estabilidade da moeda. Como se isso pudesse resolver o problema do desemprego, da fome, da carência social. Sempre dizia que ele (FHC) acabava imolando no altar do Real todo o projeto de futuro do País.

Ele lembra que se fazia, até recentemente, a avaliação otimista de um crescimento da economia da ordem de 4%. Mas a questão energética, da vulnerabilidade da nossa economia frente a crise da Argentina e dos Estados Unidos, apontam como nossa economia está atrelada e frágil. Fui criticado por fazer observações ao processo de privatização. Fui chamado de jurássico.

Para Tuga, o Planalto seguiu à risca o receituário do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial que, segundo ele, enxergam os investimentos como se fossem gastos públicos. Na área energética nós chegamos onde chegamos por essa visão totalmente estúpida dos organismos internacionais.

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