Tenho o orgulho imensurável de conhecer a figura de Sebastião Paiva. Não o classificarei como um homem digno, pois seria igualá-lo a nós, simples mortais. Seu nome e sua obra no plano terrestre fala por si só. Sua dedicação incondicional, sua luta e sua preocupação para com o próximo tornaram sua entidade, a Sociedade Beneficente Cristã, na Bela Vista, um abrigo aos desafortunados, aos esquecidos, aos relegados. Com parcos recursos e doações, construiu o lar das crianças, dos idosos, das idosas e um hospital para enfermos mentais, além de auxiliar na construção de casas e acomodação de milhares de famílias ao longo de seus 92 anos. Contudo, sempre o fez sem auxílio estatal. Sua luta contra a desigualdade foi voluntária, com a participação de pessoas do mesmo quilate, como a estimada dona Anita. Infelizmente, a crise que o próprio governo imputa à sociedade e uma tal fiscalização no hospital fecharam, temporariamente, as portas daquele anexo. Cumprindo um papel que competiria ao governo, hoje o próprio governo, na lastimável burocracia, retarda o atendimento das dezenas de pessoas que eram, diariamente, atendidas pelo hospital. O Paiva pede socorro. Não ele, aquele ser de expressiva bondade e sabedoria, mas a entidade. Recentemente, a Câmara o homenageou, mas parece que é só isso que o poder público sabe fazer: aparecer. Onde está a Câmara agora, quando a entidade precisa de auxílio? A verdade é que a Sociedade Beneficente precisa da ajuda da comunidade bauruense e do empresariado para não fechar as portas ao atendimento hospitalar. Que essa missiva possa tocar no coração daqueles que possuem condições financeiras ou materiais para ajudar a quem, até hoje, somente ajudou e atendeu Bauru e região. Quando vejo seu corpo frágil, fastigado pela idade, olho para seus olhos e vislumbro uma autoridade espiritual inigualável, um espírito de luz, uma benção divina a lenir as dores de nosso mundo. Que a luz de seu exemplo não se apague e, em verdade, que guie os passos daqueles que poderão ajudar na continuidade de seu trabalho. Cidadãos e empresários: não deixem para amanhã. Que o Pai Celestial zele por todos. (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)
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