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Telefonistas estão perdendo espaço

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Empresas estão contratando profissionais do telefone como recepcionistas ou atendentes de telemarketing

Os cargos de telefonista, cujo dia é comemorado hoje, estão sendo cada vez mais descaracterizados. Os profissionais estão sendo contratados como recepcionistas, porteiros e atendentes de telemarketing pelas empresas, ganhando um piso menor que o de telefonista, de acordo com Jorge Luiz Xavier, diretor regional-adjunto do Sindicato dos Trabalhadores em Empresa de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas do Estado de São Paulo (Sintetel).

De acordo com Xavier, a fiscalização do Sintetel tem sido severa com as empresas, que muitas vezes registram os profissionais com cargo distinto dos trabalhos que realmente exercem. A intenção seria pagar um salário inferior ao piso estipulado para telefonistas no Estado de São Paulo, que é de R$ 469,00. Eles estão descaracterizando a profissão, restringindo o cargo. A maioria está sendo contratada como atendente, recepcionista ou porteiro. O trabalho do Sindicato é de ir até as empresas e ver como estão enquadrando os profissionais, com o objetivo de resguardar seus direitos, disse.

A área de telemarketing tem gerado muitos empregos neste ramo do mercado, segundo Xavier. No entanto, é uma alternativa que também representa uma ameaça aos profissionais telefonistas, que são contratados como atendentes de telemarketing por um piso inferior ao de telefonista e trabalhando uma quantidade de horas superior à jornada de seis horas, estipulada para telefonistas. O telemarketing é o que está segurando a área de telefonista. Só que o telemarketing também descaracteriza a profissão, já que o piso é mais baixo e ele ganha por produção, e não por horas de trabalho. É uma alternativa que gera emprego. Só que é um emprego inferior ao que as pessoas realmente fazem. Eles teriam que ganhar como telefonistas, enfatizou.

0Atendimento eletrônico

Outra ameaça ao cargo de telefonista são os atendimentos eletrônicos implantados em empresas como agências bancárias, companhias de energia elétrica e as próprias empresas de telefonia. O diretor regional adjunto do Sintetel acredita que, talvez a longo prazo, a função de telefonista pode chegar a ser totalmente substituída pelas máquinas. O atendimento eletrônico é nada mais que o desemprego para a telefonista. O atendimento personalizado tem maior qualidade. Não tem como uma pessoa especializada na área falando. Mas é uma tendência, observou.

Apesar dessa ameaça, as telefonistas acreditam que dificilmente o cargo será extinto. É o caso de Cristina Bonora, que há dez anos trabalha como telefonista na Câmara Municipal. Acabar, não vai acabar. A telefonista é o cartão de visitas da empresa. Não tem como um ser humano atendendo. O atendimento eletrônico é uma preocupação. Mas em todos os setores o homem está sendo substituído pela máquina. Não é uma exclusividade nossa, opinou.

Fabiane Gimenez Simões Martineli, que também trabalha como telefonista na Câmara Municipal, destacou as dificuldades encontradas por muitas pessoas no contato com as máquinas. Grande parte da população não tem esclarecimento necessário para entender o atendimento eletrônico. Nos bancos, por exemplo, sempre tem duas ou três pessoas auxiliando no uso dos caixas eletrônicos. No caso das telefonistas, nós passamos informações que a máquina não pode dar. Eu acho que extinguir o cargo é uma coisa muito distante, salientou.

A importância da telefonista no atendimento aos clientes de uma empresa também foi enfatizada por Lilian Lelis, que trabalha como telefonista no supermercado Confiança. Às vezes, você consegue passar um sorriso por telefone. Isso jamais pode ser substituído por uma máquina. A maneira como você atende as pessoas gera amizades; elas ligam e acabam perguntando como você está. O atendimento da telefonista é um espelho da empresa. Se a pessoa é bem atendida por telefone, ela sabe que vai chegar aqui e ser bem atendida, disse.

Os requisitos necessários para um bom desempenho na profissão são, principalmente, agilidade, objetividade, paciência e alegria, de acordo com a telefonista Lucila Mangerona Fonseca, que há 13 anos exerce a profissão e atualmente trabalha na Baurucar. Ela contou que formou-se em Magistério e Pedagogia e, no entanto, guardou seus diplomas para exercer a profissão atual. Eu gosto muito do que eu faço. Trabalho com pessoas que eu não vejo, mas que tornam-se amigas por telefone. Eu deixei a Pedagogia e o Magistério por amor à minha profissão, que é a minha paixão. É tudo o que eu mais gosto ressaltou.

No Dia da Telefonista, comemorado hoje, o Sintetel deixa uma mensagem aos profissionais, através de seu diretor regional-adjunto, Xavier. Lembramos que o sindicato está sempre lutando pelos direitos dos telefonistas e parabenizamos os profissionais pelo dia de hoje.

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