Desde seu início, em 1960, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) atravessou alguns períodos turbulentos. Os desacordos entre seus membros nunca foram um segredo para os analistas do setor ou os observadores do mercado. Em 1998 e no início de 1999, uma combinação de alta produção e baixa demanda causou a queda dos preços mundiais do petróleo. Durante esse período, ninguém escapou das dramáticas conseqüências do quase desastre econômico. Os membros da Opep, por exemplo, perderam no total, segundo estimativas, US$ 56 bilhões em ingressos com a exportação de petróleo. As companhias petroleiras também foram duramente golpeadas. Um fato inegável emergiu dessa crise: os preços do petróleo podem causar efeitos tão arrepiantes na economia mundial quanto os altos preços. Afortunadamente, a rápida reação da Opep e de vários importantes países produtores que não integram a organização, decidindo por cortes na produção, levou à restauração do equilíbrio do mercado.
Uma olhada na atual situação mostra que a Opep está contribuindo para o fortalecimento da estabilidade do mercado em benefício tanto dos produtores quanto dos consumidores. Quando se analisa o estado do mercado internacional do petróleo é essencial levar em conta uma série de fatores muito importantes. Um deles é a queda estacionária da demanda de petróleo, que ocorre normalmente no segundo trimestre do ano causada pelo fim do inverno no hemisfério Norte. Os analistas estimam que a queda na demanda nesse período é de aproximadamente dois milhões de barris por dia. Outro fator decisivo refere-se à situação da economia dos Estados Unidos, que está pisando no freio, embora o efeito exato que isso terá sobre a demanda do produto ainda não esteja claro.
A decisão da Opep de cortar a produção em mais um milhão de barris diários considerou todos os fatores antes apontados. O objetivo é manter o equilíbrio entre abastecimento e demanda com preços que vão de US$ 22 a US$ 28 por barril, tal como estipula o mecanismo de banda de preços da organização. Isto é, a um nível que é considerado positivo por todas as partes que integram o negócio mundial do petróleo. Para evitar uma repetição dos contratempos da mais recente queda do preço do petróleo, é necessária uma maior cooperação econômica. Manejar o mercado petrolífero não é uma responsabilidade exclusiva dos produtores.
A declaração de Caracas, assinada em setembro do ano passado, durante a Segunda Cúpula da Opep, reconheceu a importância da riqueza petroleira para transformar as economias dos países em vias de desenvolvimento e afirmou que a organização continuará com seus esforços para assegurar os abastecimentos aos mercados e para conseguir preços justos e estáveis, tanto para produtores quanto para consumidores. Entretanto, isso irá requerer uma quantidade de trabalho duro, compromisso e boa vontade, e que a indústria identifique e tenha em consideração outros fatores que possam ameaçar o boom econômico global, como os altos impostos sobre o petróleo, que representam 60% dos preços ao consumidor. A especulação no mercado e a carência de capacidade apropriada de refino e distribuição também são problemas importantes que a indústria petroleira mundial tem de enfrentar. A mensagem da Opep, que se manteve coerente durante todos estes anos, é que a cooperação, e não o confronto, é a melhor política para garantir a segurança do abastecimento de petróleo. (IPS)
(*) Alí Rodríguez Araque é secretário-geral da Organização de Países Exportadores de Petróleo.