A XIX Feira Avareense de Música Popular está começando e, além dos 24 finalistas, trará nomes consagrados da MPB
Avaré - O município respira MPB e conta nos dedos os dias que faltam para a grande final. É a Feira Avareense de Música Popular, a Fampop, que chega a sua décima nona edição. O festival será realizado nos dias 6, 7 e 8 de julho, trazendo, mais uma vez, nomes consagrados como Danilo e Dory Caymmi, Lenine e Ed Motta.
Além de algumas inovações substanciais, neste ano a Fampop está batendo o recorde no número de inscrições, diz o vice-presidente da Comissão Organizadora da Feira, Fábio Correa Martins. Das 1.364 músicas inscritas, foram selecionadas 24.
O festival, conhecido nacionalmente, é responsável pela revelação de nomes como Chico César e Zeca Baleiro, dentre outros. De acordo com Martins, serão distribuídos cerca de R$ 30 mil em prêmios, incluindo ajuda de custo.
Este ano, um dos fatos que mais se comemora é a volta ao comando do festival, do grupo criador da Fampop, liderado por Juca Novaes e Fábio Correia Martins. A dupla esteve à frente do evento durante o período compreendido entre 1983 e 1996, ano em que o festival foi celebrado como melhor festival regional do Brasil.
O festival é uma promoção da Prefeitura Municipal de Avaré. Desde que assumiu o cargo, em janeiro último, o prefeito Wagner Bruno anunciou a volta dos pais da Fampop e declarou apoio total à Comissão Organizadora da Feira.
Outro fato que agradou muito aos avareenses foi a decisão de homenagear uma filha da terra, durante o festival. No dia 15 de fevereiro, os organizadores informavam que o cartaz do evento teria como motivo um quadro da pintora avareense Djanira, intitulado Estudo, para a peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes.
Serviço
Para os dias 6 e 7, os convites custam R$ 8,00 antecipados e R$ 10,00 na portaria. Para a final, domingo, custam R$ 10,00 antecipado e R$ 15,00 na hora. Quem comprar antecipadamente o pacote para as três noites ganhará o CD do festival, que este ano, foi gravado antes mesmo da final. Mais informações pelo fone (14) 3733-1777 ou ainda pelo site que conta a história completa da Fampop: www.uol. com.br/fampop.
A brincadeira que deu certo
1983 - Como relatam os organizadores, o sonho de se fazer um festival de música popular brasileira em Avaré rondou o imaginário de algumas pessoas durante um bom tempo. Alguns deles, Juca Novaes e José Mário Nevado Guerra, estudantes da PUC, assíduos participantes de eventos do gênero, no início dos anos 80.
Aos poucos, a idéia contagiou outros jovens avareenses, entre eles, Paulo Guazzelli, José Eduardo Pinto, Fábio Correia Martins, Ciro Cruz, Clóvis Guerra, Cláudio Guerra, José Fernando Rocha Coelho. E, em incontáveis conversas, foi concebida a idéia do festival avareense.
No final do mesmo ano de 82, um fato fez com que o sonho do festival se tornasse realidade: a vitória do doutor Paulo Dias Novaes, pai de Juca, nas eleições municipais. O apoio e entusiasmo do novo prefeito tornaram o festival viável e o mesmo foi organizado em tempo recorde, em julho de 1983.
A primeira Fampop atraiu cerca de 300 inscrições, de vários pontos do País e já se iniciava como um sucesso: nomes conhecidos da música popular alternativa inscreveram-se (Ana Mazzotti, Celso Viáfora e Cesar Brunetti, dentre outros). Jurados de renome, entre eles Zuza Homem de Mello e Eduardo Gudin, também colaboravam para a decolagem do festival.
Em 1984, a segunda edição do festival conseguiu superar as expectativas. Em 1985, o novo palco e a confirmação do sucesso. A terceira edição da Fampop enfrentou alguns problemas. Em função do vulto que o evento tomara, o Centro Avareense passou a ser pequeno demais para abrigar tanta gente. Assim, o festival mudou-se para o Ginásio Municipal de Esportes, recinto mais amplo, mas que em contrapartida tinha um grave problema de acústica. A Prefeitura Municipal, então, contratou técnicos especializados que fizeram um tratamento especial no teto do ginásio, à base de fibra de lã de vidro. E, apesar de alguns outros contratempos, como o temporal que desabou sobre a cidade na primeira noite, o festival foi mais uma vez um sucesso.
Em 1986, a quarta edição do festival trouxe duas importantes inovações. A primeira delas representou uma conquista dos compositores avareenses: pela primeira vez, um festival destinava uma eliminatória exclusivamente para os artistas locais. Foi a criação da pré-eliminatória avareense, que representou um absoluto sucesso artístico, valorizando os músicos nascidos em Avaré. A outra alteração foi o afastamento da competição do festival dos três compositores mais premiados dos festivais anteriores: Celso Viáfora, Cesar Brunetti e Jean Garfunkel (com seu irmão Paulo Garfunkel). Ao invés de concorrer, fizeram um dos shows do festival, numa outra iniciativa inédita de Avaré: estimular e promover as carreiras dos participantes do festival.
Djanira (1914-1979)
Nascida em Avaré, a pintora, radicada no Rio, foi modista e dona de pensão antes de se dedicar à pintura, estimulada pelo pintor Marcier, que lhe deu lições por alguns meses. Expôs pela primeira vez no Salão Nacional de Belas-Artes (1942) e depois participou de numerosas coletivas no Brasil e no Exterior. Primeira artista latino-americana a ter uma tela no Museu de Arte Moderna do Vaticano, Djanira seria uma das mais autênticas pintoras brasileira, interpretando de maneira singela e poética a paisagem nacional e os habitantes e costumes do País.
Instituição do Patrono
Em 1987, a Fampop representou uma revolução, em relação ao quadro dos demais festivais. Uma das inovações foi a criação da figura do patrono: uma homenagem a um compositor, que teria sua obra homenageada. O escolhido para ser o primeiro homenageado foi Edu Lobo, que presidiu o júri da final, e apresentou um show que entrou para a história.
Em 1988, ano político, grande júri, e um dos maiores shows da história: Gilberto Gil. A Fampop transcorreu sob a ameaça de ser a última. As primeiras eleições municipais desde o início do festival trouxeram o temor de que o novo prefeito interrompesse a parceria entre a Prefeitura e seus criadores.
Em 1989, continuidade. Embora o prefeito eleito fosse de outro partido o projeto continuou. Em 1990, outros grandes shows. Em 1991, se o objetivo de um festival é revelar canções e compositores, dificilmente a IX Fampop será esquecida. Das doze músicas que integraram o disco daquele ano, pelo menos quatro foram gravadas por nomes importantes da música popular brasileira: Tetê Espíndola (gravou a primeira colocada, Três por acaso, de Gereba e Capinam), Danilo Caymmi (gravou a segunda colocada, Encontro das águas, de Jorge Vercilo e Jota Maranhão). Zizi Possi e Elba Ramalho (ambas gravaram a terceira colocada e melhor letra: Beradero, de Chico Cesar.
Em 1992, mais uma vez um sucesso de festival, pelo qual passaram grandes nomes. O patrono era um dos mais importantes nomes da história da música popular brasileira: Braguinha. Também se apresentaram com shows a cantora Fátima Guedes, e os cantores e compositores Guilherme Arantes e Almir Sater. Em 1993: samba, rock e bossa-nova, teve de tudo. Dona Zica e a Mangueira. O ecletismo musical foi a marca mais evidente da 11.ª edição do festival. O patrono era o compositor Carlinhos Lyra, mestre da bossa-nova.
E a Fampop se consagrava ano após ano. Em 94, pela primeira vez, o disco da Feira saía em CD. Em 1995, depois de 13 anos, a Fampop demonstrava a força da música de Avaré: Encanto, de Eduardo Teixeira, na interpretação de Evandro e Danilo e da Banda Princípio, conquistou o segundo lugar do festival, perdendo apenas para Ela, dos paulistas Italo Peron e Bete Bissoli.
Quem foi garante: a XIV Fampop, em 96, jamais será esquecida. Da premiação aos shows, dos discos ao público, o número de atrativos e destaques daquela edição certamente entrou para a história dos festivais. A começar por um produto inédito: a produção do festival lançou o CD Fampop/Avaré, com 14 músicas premiadas na história do evento. A premiação foi inovadora: além de um automóvel zero km para o vencedor, a oportunidade do primeiro colocado fazer um show na ambicionada casa de espetáculos Tom Brasil, na Capital.
1997/2000
Nova mudança na política e o grupo criador do festival saiu de cena. Tomou posse da Fampop uma nova comissão, dirigida pelo então secretário da Cultura, Antonio Cardia de Castro Junior. A partir daí, segundo os atuais organizadores, e durante toda a gestão do prefeito Joselyr Silvestre (PPB), o festival privilegiou shows mais populares, em detrimento do festival propriamente dito.
O número de inscrições também teria caído sensivelmente. Os discos, que vinham sendo lançados ininterruptamente, desde 1997, deixaram de ser produzidos. Extinguiu-se o prêmio de Música Instrumental, só retomado em 2000.
A eleição de outubro de 2000, porém, resultou na derrota do projeto de reeleição de Joselyr Silvestre, tendo sido eleito prefeito Wagner Bruno (PSB). E, um dos primeiros atos de Bruno, apenas algumas semanas após o resultado das urnas, foi anunciar a volta do comando da Fampop aos seus fundadores, representados por Juca Novaes e Fábio Correia Martins.
Comissão julgadora
A Fampop sempre mostrou preocupação com a formação da comissão julgadora. Pelo seu júri, já passaram nomes expressivos das mais diversas áreas da música e da cultura. Esta preocupação está mantida, garantem os criadores do festival. Por isso, já estão confirmados os seguintes jurados para a Fampop 2001: Zuza Homem de Mello, que será o presidente do júri, a exemplo do que ocorreu no período 1983/1996; Mauro Dias, um dos mais importantes jornalistas especializados em música popular brasileira; Manoel Pinto, diretor-presidente da Peer Music do Brasil, uma das mais importantes editoras musicais do País e Helton Altman, produtor cultural, ocupa atualmente o cargo de coordenador de música popular da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.
Também já fizeram história na Fampop, músicos como Almir Sater, Toninho Horta, Carlinhos Antunes, Geraldo Flach, Natan Marques, Sizão Machado, Nando Carneiro, Celso Fonseca, Arismar do Espírito Santo, Olmir Stocker , Sabá e Derico Sciotti. Maestros e arranjadores como Amilson Godoy, Marinho Boffa, Laércio de Freitas, Luiz Avelar, Eduardo Gudin. Letristas, poetas e produtores como Hermínio Bello de Carvalho, Paulo César Pinheiro, J.C. Costa Netto, Murilo Antunes e Capinam.
Na lista de cantores e compositores, celebridades como Edu Lobo, Chico César, Lenine, Celso Viáfora, Itamar Assumção, Tavinho Moura, Jean Garfunkel, Skowa, Paulinho da Viola. Também, homens da música em geral, como Paulo Caruso, Manoel Pinto, Mauricio Kubrusly, Túlio Feliciano. Cantoras como Alaíde Costa, Vânia Bastos e Suzana Salles.
Programação
Dia 5 de julho - 20h - Abertura solene da XIX Fampop, com a presença do prefeito Municipal, Wagner Bruno; inauguração da Mostra Retrospectiva do Festival. Lançamento do CD duplo XIX Fampop. Local: saguão do Teatro Municipal de Avaré.
Dia 06 de julho - 14h - Início da animação cultural - Marinho Mar - Arte e Educação Ambiental (bonecos e músicos). Local: Jardim São João e região central da cidade.21h30 - Primeira eliminatória nacional. Show com Lenine e banda. Local: Ginásio Municipal Kim Negrão.
Dia 07 de julho - 9h - Início da animação cultural - Marinho Mar - Arte e Educação Ambiental (bonecos e músicos). Local: Jardim São João e região central da cidade.11h00 - Work-shop com o percussionista Naná Vasconcelos. Local: Teatro Municipal de Avaré.17h00 - II Encontro de Letristas de Música Popular. Coordenação de José Carlos Costa Netto. Participação de Abel Silva, Bernardo Vilhena , Fernando Brant, Paulo César Pinheiro e Sérgio Natureza. Lançamento dos livros Atabaque, violas e bambus, de Paulo César Pinheiro, Só uma palavra me devora, de Abel Silva, e História de Djanir brasileira de Avaré, de Gesiel Theodoro da Silva JuniorLocal Eduvale21h30 - Segunda eliminatória nacional. Show com Dori e Danilo Caymmi, homenageando o patrono da XIX Fampop, Dorival Caymmi. Local: Ginásio Municipal Kim Negrão.
Dia 08 de julho - 9h00 - início da animação cultural - Marinho Mar Arte e Educação Ambiental (bonecos e músicos). Local: Jardim São João e região central da cidade.11h00 - Primeiro Encontro da Música Independente. Temas: A Mídia e o Músico Independente -Acesso aos Veículos de Comunicação, Mídia Alternativa e Internet. Alternativas para o Mercado Independente Pequenos Selos, Gravadoras e Distribuição. Convidados Patrícia Palumbo (rádio Eldorado FM-São Paulo), José Luiz Soares (diretor artístico gravadora Lua Discos), Mauro Dias (jornalista de O Estado de São Paulo), Fernando Brant (compositor e membro da UBC União Brasileira de Compositores), José Carlos Costa Netto (compositor, diretor da gravadora Dabliú e membro da ABMI), Carlos Bozzo (jornalista da Folha de São Paulo). Coordenação Juca Novaes/Madan. Local: Teatro Municipal de Avaré.15h00- Horto em canto show com Cláudio Fazzio. Animação cultural -Marinho Mar - Arte e Educação Ambiental (bonecos e músicos). Local: Horto Florestal de Avaré17h00 - Palestra - A canção brasileira. Palestra de Zuza Homem de Mello. Lançamento do livro João Gilberto, de Zuza Homem de Mello. Local : auditório do Villa Verde Hotel.21h30 - Final do Festival. Show com Ed Motta. Premiação.