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Cora Coralina em movimento

Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Poetisa goiana recebe homenagem no Sesc Bauru com espetáculo de dança, exposição de biografia e distribuição de poesias

A poetisa goiana Cora Coralina é a homenageada do mês no Sesc Bauru. Hoje, às 21 horas, no ginásio, haverá a apresentação do espetáculo de dança Cacos de Louça Acaso Quebrada, com Jussara Miller, que procura recriar a obra da escritora.

Durante todo o mês o projeto Instante Poético, que oferece filipetas com poemas aos freqüentadores da unidade, também trabalhará com textos de Cora (leia texto nesta página).

Espetáculo

O espetáculo solo Cacos de Louça Acaso Quebrada procura recriar a vida e a obra de Cora Coralina. Trata-se de uma síntese dos temas que a poetisa abordou em sua obra. Entre eles estão os perfis familiares, as afeições, os desencontros, os cheiros e ruídos da infância e da velhice.

O processo de criação envolveu várias áreas, como dança, literatura, fotografia e teatro, o que resultou em um trabalho original e multidisciplinar. A fotografia integra o espetáculo e, por meio de projeções de slides, desenha o espaço, completando a encenação.

A bailarina Jussara Miller, criadora do espetáculo, é dirigida neste trabalho por Ciça Ohno. As duas profissionais são formadas pela faculdade de Dança da Unicamp.

A iluminação é de Joyce Drummond, a sonoplastia de Sandra Miller, a fotografia de Christian Laszlo e as vozes em off de Maria de Arruda Botelho e Cora Miller Laszlo. A bailarina assina também o figurino e a trilha sonora.

Workshop

Além do espetáculo, o Sesc promove hoje, às 14 horas, um workshop ministrado por Jussara sobre a técnica de dança de Klauss Vianna, método de trabalho da bailarina. A oficina, destinada a bailarinos, atores, músicos, esportistas e outros interessados em trabalho corporal, objetiva oferecer aos participantes a oportunidade de pesquisar movimentos.

Este método enfoca a busca da expressividade corporal e sua variedade infinita de movimentos, que brotam de impulsos interiores e se exteriorizam através do gesto, compondo uma relação íntima com o ritmo, o espaço e o desenho das emoções, dos sentimentos e das intenções, explica Jussara.

Serviço

Cacos de Louça Acaso Quebrada. Ingressos: R$ 4,00 e R$ 2,00 (matriculados, estudantes com comprovante e pessoas acima de 65 anos). Hoje, às 21h, no ginásio do Sesc. Oficina de técnica de Klauss Vianna, hoje, 14h, vagas limitadas. Inscrição: R$ 2,00 e grátis p/matriculados, estudantes com carteirinha e maiores de 65 anos. Av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: 235-1750.

Projeto distribui poesias

O projeto Instante Poético do Sesc, que homenageia mensalmente um poeta brasileiro, terá este mês trabalhos da escritora goiana Cora Coralina impressos em filipetas.

Estes impressos são entregues ao público que freqüenta a unidade e um banner, com dados biográficos e bibliográficos, fica em exposição para consulta.

Filha de Jacinta Luíza do Couto Brandão Peixoto e do desembargador Francisco de Paula Lins dos Guimarães, a poetisa Cora Coralina, que na verdade se chamava Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (o último é sobrenome do marido, Cantídio Tolentino Bretas), saiu de Goiás em 25 de novembro de 1911, indo morar no interior de São Paulo e, mais tarde, na capital.

Aos 14 anos, somente com o curso primário, publicou seu primeiro livro, Tragédia na Roça. Viveu 96 anos, teve quatro filhos, 15 netos e 19 bisnetos. Foi e membro efetivo de diversas entidades culturais, tendo recebido o título de doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Goiás.

Cora esteve fora de seu estado natal por 45 anos e retornou para lá em 1954, indo morar na Casa Velha da Ponte. A partir desse período, iniciou outra atividade, a de doceira, que desenvolveu por mais de 20 anos. Ela morreu em 10 de abril de 1985.

Elogios de Drummond *

Cora Coralina é considerada a grande poetisa do estado de Goiás. Em 1979, Carlos Drummond de Andrade, como era de seu feitio, após ler alguns escritos da autora, mandou-lhe uma carta elogiando seu trabalho, a qual, ao ser divulgada, despertou o interesse do público leitor e a fez ficar conhecida em todo o Brasil.

A admiração do poeta foi assim manifestada em carta dirigida a Cora, em 1983: Minha querida amiga Cora Coralina: Seu Vintém de Cobre é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia (...).

(*) Fonte:www.Textos&Contextos.com.br

Leia poesia da escritora

O Cântico da Terra

Eu sou a terra, eu sou a vida. Do meu barro primeiro veio o homem. De mim veio a mulher e veio o amor. Veio a árvore, veio a fonte. Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida. Sou o chão que se prende à tua casa. Sou a telha da coberta de teu lar. A mina constante de teu poço. Sou a espiga generosa de teu gado e certeza tranqüila ao teu esforço.

Sou a razão de tua vida. De mim vieste pela mão do Criador, e a mim tu voltarás no fim da lida. Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal. Tua filha, tua noiva e desposada. A mulher e o ventre que fecundas. Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu. Teu arado, tua foice, teu machado. O berço pequenino de teu filho. O algodão de tua veste e o pão de tua casa.

E um dia bem distante a mim tu voltarás. E no canteiro materno de meu seio tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça. Lavremos a gleba. Cuidemos do ninho, do gado e da tulha. Fartura teremos e donos de sítio felizes seremos.

Cora Coralina

Bibliografia da escritora

- Estórias da Casa Velha da Ponte- Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais - Meu Livro de Cordel- O Tesouro da Casa Velha- Vintém Verdes (infantil)- A Moeda de Ouro que o Pato Engoliu (infantil)- Cora Coragem Cora Poesia (biografia)

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