Na qualidade de comandante da 3.ª Companhia de Policiamento de Bauru e assíduo leitor deste democrático espaço, não pude deixar de me indignar, como a maioria dos policiais, em face das colocações do sr. James dos Santos, veiculadas no último dia 27 de junho. Assim, cabe-me salientar que a Polícia Militar é a responsável constitucional pela preservação da ordem pública, através do policiamento ostensivo preventivo, diuturno, em todos os municípios do Estado. Pelas suas obrigações legais é uma das poucas instituições públicas, senão a única, com tamanho alcance territorial e temporal, à disposição do cidadão.
Quando todas as portas se fecharam, é a ela que o cidadão recorre. É comum no trato policial o desenvolvimento de atividades de cunho social, que à primeira vista nada tem a ver com sua destinação, em substituição a outros órgãos públicos, em razão da impossibilidade momentânea de atendimento. Policiais têm feito partos; encaminhado problema a órgãos públicos; intervido em desavenças conjugais; prestado socorro a vítimas de sinistros e atuado como ambulância; apreendido animais na pista; dado assistência a menores, enfim, têm sido pau para toda a obra...
Mas isso não é tudo, nem é o principal. Nossa maior preocupação é a tranqüilidade e a segurança do cidadão, razão de existência da Corporação e por quem juramos defender com o sacrifício do maior bem que podemos dispor: nossas vidas. Assim, o policial militar, maior patrimônio da Corporação, vem desenvolvendo seu mister 24 horas por dia, de forma disciplinada e desprendida. Um simples aceno de mão é suficiente para que, de forma desburocratizada e rápida, o cidadão seja atendido. Não posso concordar que policiais zelosos e vocacionados para o bem comum possam sob qualquer pretexto deixar de atender a quem quer que seja.
É bem verdade que a Polícia não é causa da criminalidade e só combate os seus efeitos, necessitando para o controle delitual, da participação de outros órgãos públicos e, por que não dizer, do próprio cidadão.
Não é possível que o Estado possa exercer controle social eficaz, quando o maior interessado não participa do processo, quer silenciando-se quando presencia alguma infração à lei, quer deixando de notificar a autoridade pública para que tome as providências que o caso comportar.
A Polícia não é onisciente, nem onipresente. Sua eficácia depende de quão participativa e atuante for a comunidade. Bauru, a despeito dos problemas próprios das cidades de seu porte, vem se comportando assim. Nossa cidade tem os menores índices criminais dentre cidades do Estado com 300.000 habitantes. O número de homicídios reduziu significativamente no último ano e tem se mantido estável. As apreensões de armas têm aumentado ano a ano. E essa situação é resultado direto da participação da comunidade, que o faz através dos Consegs, das associações de bairros, das bases comunitárias de segurança, ou seja, de todo o meio hábil para informar o corpo policial. A atuação da milícia tem se orientado por critérios técnico-científicos e a distribuição do policiamento ostensivo tem observado a demanda dos atendimentos policiais.
Por final, coloco-me à disposição de qualquer cidadão para esclarecimentos adicionais e em particular ao missivista que ora me reporto, uma vez que dentre os princípios básicos de qualidade e de filosofia de polícia comunitária, está o de prestar contas. (Wellington Luiz Dorian Venezian - Cap. PM Comandante)