Geral

Amansando o "leão"

(*) N. Serra
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Honestamente, não se poderia jamais contraposicionar, pelo menos de forma intransigente, a esse Imposto de Renda que temos, face ao qual todos se apavoram, considerando-o inclusive um terrível fantasma. E não se teria de fazê-lo, certamente, a partir da consciência que se tem de que, para ser governado normalmente, o País tem de assegurar aos seus dirigentes os imprescindíveis recursos financeiros. É assim no mundo todo e o IR, como principal fonte da receita pública, se em algumas sociedades comete a injustiça de tributar infalivelmente até quem não ganha o suficiente para ter uma vida digna, por outro lado reúne pontos positivos por taxar aos que, faturando alto na administração pública, nos Legislativos, no comércio, na indústria etc, podem e devem ajudar mais na constituição da receita nacional, contribuindo com um quinhão maior para a sustentação da ampla malha de serviços públicos essenciais, de alçada direta dos dirigentes, por sinal muito reivindicada pela comunidade.

Nada desmente a convicção de que as restrições que muitos fazem aos méritos desse caríssimo Imposto seja decorrente da falta de conscientização de todos quanto à importância social do tributo, o que se deduz em função da forma desarrazoada com que a sociedade o critica, agredindo-o sistematicamente sem atentar para o fato inconteste de que os governos não são eleitos para atuar tirando dinheiro de seus próprios bolsos. Obviamente, o povo é que tem de financiar as suas próprias necessidades, pagando pacificamente tudo quanto for construído para sua inegável serventia, o que só pode ser concretizado normalmente através do IR. E, conscientizar, significa educar, ensinando a todos quanto ao dever social que se tem de se atender à exigência tributária. É aí, contudo, que o carro empaca, ou pelo menos empacava, porque até há pouco o IR, ao invés de fazer marketing para facilitar todas as camadas quanto ao seu pagamento, vai ele ao inconveniente do entrave, dificultando e até onerando o seu recolhimento rotineiramente. Um absurdo, sem dúvida, que felizmente caminha para o final, pois alterações na reforma tributária, em discussão no Congresso Nacional, estão sendo feitas totalmente voltadas para isso, numa mudança meritória, uma vez que o Executivo vai ter, finalmente, de baratear o seu rico produto, dele extraindo certos encargos que o tornam cada vez mais distante das possibilidades das massas. Como relógio atrofiado, os dirigentes atrasaram-se na feitura das modificações, mas acorreram a tempo de amansarem o leão faminto na própria jaula que os tributaristas oficiais lhe construíram. Ainda bem! É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado).

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