Passados 7 anos da arquitetura do Plano Real, que teve a combinação de ortodoxia (ajuste fiscal com a criação do IPMF e do Fundo Social de Emergência) e heterodoxia (com a criação da URV), ainda vivemos a síndrome da volta da inflação.
A economia brasileira não se alicerçou para sustentar a estabilidade. O governo se valeu, inicialmente, de uma âncora cambial, que permitiu importar produtos a preços menores do que os praticados internamente (aumento da oferta e ainda criação de um novo referencial de preços), e mais tarde, dada a fragilidade das contas externas (não efetuou em tempo as reformas estruturais), se valeu e vem se valendo da âncora monetária.
Atualmente, vivemos um dilema. Se o ambiente externo se acalma, respiramos. Se o ambiente externo fica tenso, inseguro, as pressões internas são inevitáveis. Além disso internacionalizamos nossa economia. Os preços das tarifas administradas (não são mais públicas) variam por indicadores externos. Considerando a depreciação do real, fica mais que evidente que os custos são elevados e são repassados aos preços.
Como conter essas pressões? Novamente, âncora monetária. Juros elevados inibem demanda, seguram os preços. Aí, criamos um ciclo vicioso e não virtuoso: pressão sobre a inflação (via aumento de custos) contida com diminuição de demanda.
Além disso, a política fiscal deve continuar apertada, de novo seguindo um raciocínio ortodoxo de combate. As causas da inflação. Política fiscal apertada quer dizer aumento de tributos e diminuição de gastos públicos. Ambos retiram recursos da economia. Novamente, impedimos que haja crescimento econômico.
Essa combinação toda, só se reverte se as variáveis envolvidas foram adequadamente administradas:
- câmbio próximo ao equilíbrio (estável na casa dos R$ 2,25 a R$ 2,30);- superávit fiscal;- juros reais (acima da inflação) no máximo em 10% ao ano.
Além desses problemas, todos temos a crise energética e o início da briga política devido às eleições do próximo ano. Conclusão: penso que o governo priorizará a âncora monetária, ou seja, administrará pontualmente a economia, apertando ou afrouxando a liqüidez dentro dos cenários de curto prazo, monitorando de perto o câmbio.
Como trabalham com metas de inflação, todo aumento de custo será devidamente impactado nos índices de preços, e dentro do limite estabelecido (4% para 2001 com variação para mais ou para menos de 2 pontos percentuais), liberarão ou não os aumentos. Quando isso não for possível, juros na população.
Esse governo é semelhante à música de uma nota só, ou seja, só tentativa (mal feita) de controlar a inflação. Acredito que FHC deva estar arrependido de ter lutado tanto pelo segundo mandato.
(*) Reinaldo César CafeoDelegado do CORECON - Economista - Professor da ITE