Foi, assim, em um mês de julho, parecido com este, ainda lembrado por alguns dias de frio intenso, mas bem distante deste em que vivem quantos têm a ventura de estarem vivos, que aconteceu, nos idos de 1944, ter a nossa reverenciada Força Expedicionária desembarcado na longínqua Itália. Era o primeiro escalão, que levava, nos ombros, a nossa destemida bandeira verde-amarela, e, nos lábios, o vibrante Hino Nacional, seguido daquele comovidíssimo por mais terras que eu percorra não permita Deus que eu morra sem que volte para lá, sem que eu leve por divisa a bandeira que simboliza a vitória que virá, tão cantado em nossos quartéis e escolas. E não era só, pois conduziam também os nossos queridos jovens, no peito sem dúvida ardente, a tristeza imensa da perda de mais de mil irmãos ceifados em nossos mares pelos submarinos do nazismo alemão, que, juntamente com os do fascismo italiano e os do destemperado regime japonês, formavam poderoso eixo com a intenção histórica de se apoderarem do mundo, inclusive, então, o nosso adorado Arquipélago de Fernando de Noronha, pretendido pelos inimigos para nele instalarem base a partir da qual tomariam todo o território nacional.
Como a nossa FEB chegou a Monte Castelo foi uma jornada longa e cheia de tropeços, mas que resultou vitoriosa, mesmo tendo outro feroz adversário, como o mais cruel inverno que já cruzara as montanhas italianas nas frentes de combate dos legendários rios Serchio e Reno, onde, em oito meses de intensa batalha, perdemos 451 soldados e oficiais, rapidamente sepultados sob o areial do velho cemitério de Pistoia, enquanto deixávamos na retaguarda mais de três mil feridos, muitos gravemente. Em contrapartida, fazíamos quase 30 mil prisioneiros nas fileiras dos três países, para o que deram contribuição importante nossos aviões, hilariamente cognominados de Senta-Pua. E como sentavam...!
E aqui está, então, o nosso querido Brasil, evocando agora, como pode, o transcurso dos 57 anos da primeira demonstração efetiva da coragem intrínseca de sua gente, ali representada por 25 mil de seus jovens, bauruenses inclusive, lembram-se? E se pergunta: teria compensado o nosso sofrido sacrifício? Sem dúvida, uma vez que, apesar dos pesares, parceirizou o Brasil a preservação dos mais sadios princípios democráticos agasalhados pelo mundo livre. Então, neste julho que céus muito azuis nos concedem, têm os brasileiros o direito de comemorar, como o fazem há quase 60 anos, aquela jornada significativamente brilhante, que não poderá jamais ser apagada de sua história, na lembrança imperecível das centenas de irmãos que ficaram no campo de batalha, caíram sob o fogo germânico, desapareceram do convívio de seus companheiros, para se fixarem como heróis na memória de seu povo, enquanto os que voltaram para a Pátria assumiram a extraordinária missão de sustentar acesa a chama daquele ideal, como bem frisou a memorável voz do então general Mascarenhas de Moraes, nosso comandante-em-chefe, na sua vigorosa ordem do dia, quando o horizonte se iluminou para o epílogo da trágica conflagração. E salve o Brasil, incontestavelmente! É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.