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Sem AHB, Nilson descarta gestão plena

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Prefeito faz críticas ao governo por querer enfiar goela abaixo um novo programa de gestão plena da saúde

O prefeito Nilson Costa (PPS) afirmou, ontem, que está cada vez mais difícil o Município adotar o programa de gestão plena da saúde. Segundo ele, a equipe técnica da Secretaria Municipal de Saúde avalia que, sem a inclusão dos três hospitais da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) no processo, a implantação da municipalização do setor torna-se inviável.

A inviabilização do programa começou a ficar latente para o Município a partir do momento em que o diretor da Divisão Regional de Saúde (DIR X), Flávio Badin Marques, anunciou, na semana passada, que a Administração teria que rever seu projeto de gestão plena da saúde porque a AHB assinou convênio de co-financiamento direto com o Ministério da Saúde.

Com isso, a entidade hospitalar passará a receber, mensalmente, uma verba de R$ 1,8 milhão que, somada aos repasses do Governo do Estado, poderá chegar à cifra de R$ 2,2 milhões. O Município contava com esse montante na conta bancária da gestão plena da saúde, o que não vai mais acontecer.

Nilson lembrou que a Administração foi pressionada pelo Ministério da Saúde e pelo Governo do Estado, durante um bom tempo, para implantar a municipalização da saúde em Bauru. Nós fizemos com muito cuidado todos os estudos, que foram confiados aos técnicos da Secretaria de Saúde. Consultamos o Conselho Municipal de Saúde e chegamos a conclusão de que poderíamos abraçar o processo.

Ele explica, no entanto, que o Município adotaria a gestão plena desde que o Estado encaminhasse recursos financeiros suficientes para bancar o programa. Não adiantará nada colocar nosso lombo para apanhar dos defeitos da saúde pública se não tivermos recursos financeiros. Isso será um suicídio.

O prefeito reforça que a secretária de Saúde em exercício, Sônia Fiocchi, e a titular licenciada, Eliane Fetter Telles Nunes, são unânimes em dizer que a municipalização, nos termos que deverá ser proposta novamente à Prefeitura, torna-se difícil.

De repente surge a notícia de que vão transferir para a Associação Hospitalar o dinheiro sem nenhuma discussão com o Conselho Municipal de Saúde, com o Poder Público.

Nilson critica a atitude do Estado. É uma medida colocada de cima para baixo, goela abaixo. Nessas condições, ao que me parece, a nossa equipe técnica da saúde está dizendo que, ou o governo nos atende de maneira adequada, como faz com outros municípios, ou Bauru não pode ficar numa posição de subalternidade em relação a Associação Hospitalar.

Vôo cego

Para o secretário municipal de Negócios Jurídicos, Luiz Pegoraro, a Administração está num vôo cego para tentar solucionar o impasse que envolve o processo de municipalização da saúde. Nossa esperança é que o senhor procurador da República em Bauru, que já foi acionado, tome providências e consiga os documentos para que possamos verificar o que foi feito.

Pegoraro diz que é grave o fato de omitirem documentos. Quem esconde, omite documentos não quer revelar. Não custa nada fazer publicamente uma demonstração sobre o assunto.

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