Portadores de deficiência precisam de estímulos especiais e constantes desde muito cedo para garantir sua independência
Portadora de retinopatia da prematuridade, Iara Campregher Pasqualini, 18 anos, reclama que faltam recursos para o aprendizado do deficiente em Bauru. Segundo ela, a maioria dos serviços de apoio estão centralizados em São Paulo, Capital, o que torna a autonomia dos deficientes um tanto comprometida.
Lá, Iara conta que foi matriculada numa escola quando tinha cinco anos de idade. Na época, passou por psicólogos, que a encaminharam para uma classe especial, onde recebeu estímulos para o desenvolvimento dos outros sentidos, principalmente o tato. Sua alfabetização foi feita em Braille (sistema de pontos em alto relevo), que era como ela fazia seus trabalhos e provas escolares.
Quando veio para Bauru, na 6.ª série, sentiu uma diferença muito grande. Segundo ela, existe uma única Sala de Recursos na cidade, na Escola Estadual Mercedes Paz Bueno. Lá, professores traduzem as provas de Iara do Braille (ela usa uma máquina de datilografia especial) para o alfabeto ocidental. Só que os livros têm que ser feitos em São Paulo, explicou a irmã dela, Juliana Pasqualini, 19 anos.
Segundo ela, anualmente, os livros solicitados pela escola têm que ser encaminhados para o Centro de Apoio Pedagógico, em São Paulo, para serem codificados em Braille. Cada página tem que ser escaneada e enviada para lá, onde eles passam para o Braille. Isso demora muito e Iara acaba ficando atrasada, comentou.
Acho que em Bauru, o atendimento para o deficiente é precário. Não temos cursos de informática, de culinária, de massagem, de telemarketing. Os poucos cursos que a cidade oferece, através do Lar Escola Santa Luzia e do Cedalvi (Centrinho/USP), não são profissionalizantes de fato, não colocam o deficiente no mercado de trabalho, reclamou Iara.
Ela também questiona a falta de um curso de Orientação e Mobilidade, que prepara o deficiente visual para andar sozinho, usando um bastão especial.
Aptidões
Quando uma criança recebe o diagnóstico de deficiência, a primeira orientação que os pais recebem é de oferecer o máximo possível de estímulos à criança. Como ela não tem um dos sentidos, é essencial promover o desenvolvimento e aprimoramento dos demais.
No caso de Iara, ela foi logo encaminhada para aulas de música. Aos cinco anos, já tocava piano e, mais tarde, aprendeu violão. Na verdade, gosto mesmo é de cantar, por isso prefiro o violão, que é popular, ao piano, que é clássico, confessou.
Com o apoio integral da família, Iara consegue levar uma vida normal, vai a todos os lugares com a família, sobe e desce as escadas de casa sem problemas, estuda e se diverte. A única coisa que não consigo fazer é cozinhar sozinha, porque não existe um curso de culinária aqui, repetiu.