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Denarc apreende 168 kg de maconha

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A ação transcorreu em sigilo absoluto, mas acabou criando uma situação constrangedora com a PM de Pederneiras

Pederneiras - Investigadores do Departamento Estadual de Investigação Sobre Narcóticos (Denarc) de São Paulo estiveram em Pederneiras anteontem checando informações sobre um possível tráfico de drogas na cidade. No retorno à Capital paulista, os investigadores levaram consigo, no banco traseiro, três suspeitos algemados, e no bagageiro 168 quilos de maconha.

A apreensão se deu, segundo o Denarc, depois de muita investigação. Nem mesmo os policiais civis e militares de Pederneiras sabiam do andamento das investigações e da ação de anteontem. Aliás, esse tem sido um procedimento comum do Denarc, em casos semelhantes.

Segundo Tomé, um dos dois investigadores que estiveram anteontem em Pederneiras (ele preferiu não informar o nome completo), todo esse sigilo tem como finalidade evitar comentários na cidade a respeito da ação policial. Desta forma, as chances de sucesso seriam maiores, segundo ele. O outro investigador foi identificado apenas como Galvão.

De acordo com o investigador, a droga foi encontrada enterrada no sítio Água Grande, de propriedade de João Soares Fraga, 48 anos, por volta das 17 horas. Segundo a polícia de Pederneiras, Fraga já esteve preso na cadeia pública da cidade, algum tempo atrás, sob suspeita de tráfico de drogas.

No local, os investigadores encontraram Ademilson Aparecido Silvério, 27 anos, e o adolescente A.A.S., 17 anos. Fraga só foi localizado em uma outra residência no Jardim Santa Lúcia. Os três são moradores em Pederneiras e segundo o Denarc não houve reação por parte dos acusados.

A droga e os três suspeitos foram levados a São Paulo, onde foram autuados em flagrante, sob acusação de tráfico de entorpecentes.

Hoje, os três suspeitos devem ser trazidos de volta a Pederneiras. Eles serão acompanhados pelos mesmos investigadores que os prenderam na noite de anteontem. Enquanto aguardam decisão da Justiça, eles devem permanecer detidos na cadeia pública de Pederneiras, menos o adolescente. Ele deve ser encaminhado ao juiz da Infância e da Juventude.

Procurado ontem à tarde pela reportagem, o delegado Eduardo Samuel Sganzela, de Pederneiras, disse que ainda não havia recebido nenhuma informação do Denarc a respeito da ação dos investigadores na cidade. Todas as notícias que chegaram até ele, sobre a apreensão, foram por meio de comentários entre os policiais, segundo informou.

De acordo com o investigador Tomé, somente hoje, quando os indiciados retornarem a Pederneiras, será dado ciência aos policiais locais sobre o ocorrido.

PM de Pederneiras 'prende' 2 investigadores do Denarc

Pederneiras - O trabalho dos investigadores do Denarc foi tão discreto, que acabou criando um mal entendido entre eles e a Polícia Militar de Pederneiras. Durante uma patrulha de rotina pelo Jardim Santa Lúcia, a PM encontrou os investigadores próximos a um bar, onde seria comum a presença de consumidores de drogas. O veículo usado por eles não possuía identificação do Denarc e dentro estavam os três suspeitos de tráfico, além dos 168 quilos de maconha. Não bastasse isso, os investigadores estavam armados.

Os policiais militares não tiveram dúvida. Eles abordaram os suspeitos e os encaminharam à delegacia. Nem mesmo a apresentação das respectivas carteiras de identificação foram suficientes para convencer os policiais militares.

De investigadores, os funcionários do Denarc passaram a ser investigados. Segundo a PM, o serviço de identificação da Polícia Civil foi acionado e somente depois de checar todos os dados dos suspeitos eles se convenceram de que os investigadores estavam em serviço e que o veículo utilizado por eles pertencia ao Governo do Estado.

Ao comentar o mal entendido, ontem à tarde, com a reportagem do JC, o investigador Tomé mostrou-se indignado com a atitude dos policiais de Pederneiras.

O sigilo absoluto, com o qual normalmente trabalha o Denarc, pode ser indispensável para o bom andamento das investigações, mas pode também criar situações constrangedoras como a de anteontem.

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