O acumulado do ano chega a menos 1,42%, com uma redução de cerca de 232 postos de trabalho na região.
De acordo com o levantamento feito pelo Departamento de Pesquisas (Depecom) do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) referente à regional de Bauru, que abrange 17 municípios, o nível de emprego no setor industrial registrado em maio deste ano teve uma queda de 0,06% em relação ao mês anterior. Isso teria significado uma redução de aproximadamente dez postos de trabalho na região. Na comparação com maio do ano passado, o cenário fica ainda mais preocupante, já que naquele mês o resultado foi positivo em 0,15% sobre o mês anterior.
Com o resultado de maio, o acumulado do ano 2001 chega a menos 1,42%, representando uma redução de 232 postos de trabalho. Levando em consideração os últimos 12 meses (de junho do ano passado a maio deste ano), a redução é de 0,47%, o que equivale a menos 76 trabalhadores no setor industrial da região de Bauru.
Na análise do Depecom, o índice total de emprego industrial da regional do Ciesp em Bauru foi influenciado pela variação negativa do setor de editorial e gráfica, que foi de menos 0,65%. Por ser um dos setores predominantes na região por número de empregados, teria sido o que mais influenciou na ponderação do cálculo do índice total. O resultado só não teria sido pior devido à variação positiva do setor de produtos alimentares, que foi de 0,50%, e que também é um dos setores predominantes na região.
No Estado de São Paulo, o acumulado do ano 2001 é positivo em 0,53%. Nos últimos doze meses, o Estado teve um desempenho melhor que o da região de Bauru, com o percentual positivo de 1,48%.
Para o economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, o que se observa é reflexo da situação complicada em que ficou o setor industrial após o anúncio da crise de energia elétrica do País.
Esse setor observava um crescimento acentuado. Investimentos importantes foram canalizados, apostando que nesse ano o resultado seria muito melhor que o do ano passado, que por sinal, cresceu acima de 6%. Além da crise energética, o setor externo se complicou, depreciando a moeda brasileira e dificultando a atividade industrial, que internacionalizou inúmeros componentes, analisa.
De acordo com Cafeo, especificamente a região de Bauru começou a sentir o reflexo da retração dos agentes econômicos. Os setores de vestuário, artefatos de tecidos e viagem caíram mais acentuadamente (-3,97%) e, considerando o peso relativo do setor editorial gráfico na região, a queda nesse segmento, de 0,65%, teria ajudado a piorar o nível de emprego, segundo ele.
Só não tivemos resultado pior devido ao crescimento do setor de produtos minerais não-metálicos. Infelizmente, no contexto atual, a eliminação de postos de trabalho não garante que, uma vez passado o pior momento, esses postos sejam resgatados. As empresas acabam se reestruturando, incorporando tecnologia e deixando a mão-de-obra em plano secundário. O mês de junho indica cenário mais complicado ainda, finaliza o economista.