Milhares de fiéis de Bauru e região estão participando, desde ontem, das comemorações da 36.ª edição da Festa de São Cristóvão, considerado o santo padroeiro dos motoristas.
Organizado pelas comunidades dos bairros Jardim Europa e Jardim América, pela paróquia de São Cristóvão e pelo Sindicato dos Motoristas desde 1965, o evento atrai um grande número de pessoas para as festividades da data, quando são realizadas missas, quermesses, shows sertanejos e a tradicional benção dos veículos.
Durante os três dias da festa, que se encerra amanhã (confira a programação de hoje e domingo), os motoristas e seus familiares se reúnem em uma área de aproximadamente mil metros quadrados. O local é dotado de boa infra-estrutura, com banheiros, estacionamento e barracas que oferecem uma infinidade de doces e salgados.
A comissão organizadora estima a participação de 10 a 15 mil pessoas no período e o consumo de, pelo menos, 11 mil latas de bebidas, 600 quilos de carne e 3.000 pães.
O padre Luis Antônio Sé, da Paróquia de São Cristóvão, lembrou que o evento vem crescendo ano após ano. A festa, que começou inicialmente em comunidades, foi aumentando e ganhando novo status, tornando-se um evento da cidade com a participação, inclusive, de motoristas profissionais e de empresas. Chega a ser emocionante, pois alguns choram ao ver a aproximação do cortejo com o santo, disse o pároco.
Ele enfatizou ainda a importância da festa, especialmente para os caminhoneiros. Os caminhoneiros têm uma vida difícil e sofrida, longe da família e enfrentando os perigos da estrada. Por isso, encaram a festa como um momento para agradecer ao santo a proteção oferecida e para lembrar Jesus Cristo. Além disso, ela é a oportunidade de lembrar a própria história do santo, que encontrou Jesus em uma criança e não servindo alguém poderoso, ressaltou o padre.
Conheça a história do santo
Dizem que havia em certo país, um homem, Cristóvão, que queria servir ao rei mais poderoso do mundo. Mostraram-lhe um rei da Terra, senhor de exércitos e de riquezas, arrogante e severo, que com um gesto poderia condenar à morte milhares de súditos.
- É o mais poderoso de toda da Terra? perguntou Cristóvão.
- Não há outro como ele. O tropel dos seus soldados faz tremer o mundo. Quando ele fala, as cabeças se curvam como o trigo ceifado. É dono de mais ouro, de mais pedrarias, de mais escravos, de mais vassalos, que qualquer outro.
- Então é o mais poderoso? repetiu Cristóvão.
E ficou servindo, fielmente, ao grande rei, durante muitos anos. Ora, um dia, houve uma guerra, e o soberano foi vencido. A cabeça orgulhosa curvou-se por sua vez.
Com a mesma lealdade, Cristóvão passou a servir ao vencedor. O novo amo, no entanto, tinha medo.
- Que temes? perguntou-lhe Cristóvão.
- O diabo.
- Quem é esse?
- Esse cochichou o rei, tremendo e olhando para os lados é o verdadeiro Senhor do Mundo.
- Onde está, que quero servir-lhe?
- Estais doido? Não sei onde está, nem quero saber. Por mim, quanto mais longe dele, melhor.
Cristóvão saiu pelo mundo, indagando de uns e de outros, até que conseguiu, certo dia, encontrar o Diabo. Fez um trato com ele e passou a servir-lhe. Leal como as armas, fiel como as pombas, dócil como as crianças, durante anos e anos ele seguiu o novo amo, obedecendo-lhe em tudo.
Uma vez, ao passarem por uma cruz de pedra, à beira do caminho, o Diabo deu uma volta para não passar perto dela.
- Que é? perguntou Cristóvão admirado.
- Uma cruz.
- Que representa?
- O sacrifício do Cordeiro.
- Por que deste uma volta?
- Ora! o Diabo casquinou uma risadinha.
- Tens medo dela?
- Sim.
- Então é mais poderosa do que tu?
- Sim, certamente.
- E como te inculcavas como o Senhor do Mundo?
- Não sou eu, por acaso, o Rei da Mentira? disse o Maligno com arrogância.
Cristóvão abandonou o Diabo e foi procurar o Senhor da Cruz. Andou muito e não o encontrou. Em todos os caminhos, junto de todas as cruzes, indagava:
- Onde está o Senhor da Cruz?
- No céu diziam uns.
- Nas igrejas diziam outros.
Ao céu, ele não podia ir. Nas igrejas, procurou, e não o encontrou jamais.
Depois de muito errar pelo mundo, parou à margem de um rio, onde, mercê de sua gigantesca estatura e de sua força, trabalhava, transportando passageiros nos ombros possantes. Numa noite de tempestade, um menino bateu à porta de sua choupana, à beira do rio, e disse-lhe:
- Vim buscar-te, para que me sirvas.
Cristóvão não entendeu bem.
- Que queres? Atravessar o rio?
- Isso também é um modo de me servir respondeu misteriosamente.
- Então vamos. Quem veio contigo?
- Ninguém.
- Assim tão pequenino, estás sozinho?
- Estou contigo, Cristóvão.
- É verdade disse o gigante. Sacudiu os cabelos que lhe desciam até os ombros, pôs um manto nas costas, pois chovia, e pegou a criança. Pesava tanto, tanto, que ele cambaleou ao levantar-se.
- Devo estar um pouco fraco pensou ele. Esta criança não pode pesar tanto. É tão pequenina!
No entanto continuava a se arrastar, para carregá-la.
- Por que pesas tanto, sendo tão pequenino?
- Porque trago nas mãos o mundo.
Havia muita meiguice na voz do menino, tanta, que o gigante sentiu o coração aquecer-se.
- Por que trazes nas mãos o mundo? És muito poderoso?
- Sim.
- Porventura serás aquele Senhor da Cruz que procuro? tornou a perguntar Cristóvão, reparando que acima do mundo que ele trazia nas mãos brilhava uma cruz dourada.
- Sim. Eu sou.
E assim o bom Cristóvão acabou servindo à cruz, a poderosa senhora, mais forte que todos os reis da terra, do inferno e do céu.
Confira a programação de hoje e amanhã
21/07/2001 - Sábado 19h30 - Missa em Louvor a São Cristóvão Quermesse com churrasco após a missa
22/07/2001 - Domingo9 horas - Procissão de veículos
11 horas - Missa dos motoristas com benção das chaves
12 horas - Início da grande festa com almoço, barracas de diversões e música sertaneja
15 horas - Início da benção dos veículos
19h30 - Missa em ação de graças pelos motoristas