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Donos de terrenos no Marabá vão ao MP

Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 3 min

Pessoas que afirmam ser donas dos lotes acusam posseiros de usar a força; tataraneta de ex-dono diz que área está em litígio

Os donos de lotes no Jardim Marabá, nas proximidades onde supostas invasões teriam ocorrido, vão acionar o Ministério Público contra posseiros que seriam responsáveis por cercar as áreas em disputa. Os proprietários derrubaram as barreiras de arame, mas a cerca já foi reconstruída.

Anteontem de manhã, um Boletim de Ocorrência foi registrado por pessoas que afirmam ser donas dos lotes. Elas acusam os posseiros de retomar o terreno alheio. Estou com uma reintegração de posse em mãos e não posso entrar no meu lote, disse Calixto Zeini. A advogada de uma empresa afirmou que já conseguiu duas reintegrações de posse. Na primeira delas, um jagunço os teria recebido a balas.

As atitudes individuais não estão funcionando, então é preciso que a Justiça e a Prefeitura se movam. Não podemos fazer justiça com as próprias mãos, disse a advogada Andréa Salcedo.

Amanhã, às 15 horas, um grupo de donos de lotes vai Unip, ao Ministério Público. Cerca de 60 pessoas estiveram reunidas, ontem, próximo à Unip. Eles também querem que a Prefeitura providencie o arruamento do local. Segundo eles, os supostos invasores cercaram até áreas planejadas como ruas e praças.

O diretor da Associação dos Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), José Martinho Teixeira da Silva, está apoiando o movimento dos proprietários. Ele diz que as cercas estão dificultando a venda de áreas pelos corretores. Estamos impossibilitados de trabalhar. A pessoa que compra não é ignorante, não vai querer investir em uma área assim, afirmou.

Segundo o corretor, a área com 1.750 glebas foi loteada por Luiz de Oliveira Vianna, em 1956. Há mais de cem anos, a área pertenceu a Felicíssimo Antônio Pereira, que era proprietário de quase todas as terras onde hoje está a cidade de Bauru.

A tataraneta de Pereira, Izaura Lima Braga, afirma que a área foi vendida irregularmente por Vianna. A área está em litígio. Quem diz que é dono de lotes deve ir à Justiça. Cabe ao juiz determinar de quem é a terra, disse. Izaura admitiu que mandou cercar a área e disse que vai repetir o processo quantas vezes necessário. Ela negou veementemente que jagunços estejam fazendo a segurança da área armados. É mentira, não tem ninguém atirando lá, disse.

Izaura negou que esteja vendendo lotes de suas terras, mas admitiu apenas que cedeu algumas áreas para empregados. Nos últimos meses, vários proprietários dos lotes, que possuem escritura registrada e pagam o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) verificaram que seus terrenos estavam sendo cercados por pessoas que também dizem ser donos das áreas.

De acordo com o diretor da Aciba, o interesse maior pela área e as cercas começaram a aparecer há quatro anos, quando a Unip instalou-se nas proximidades. Agora estão fechando tudo. Só a Justiça pode resolver o caso. Não adianta ficar derrubando a cerca, que eles levantam de novo, constatou o corretor. Ele diz que várias pessoas investiram na área, comprando vários lotes. Proprietários que têm até dez lotes, por exemplo, estão com o dinheiro parado e vendo seu patrimônio ameaçado, reclamou.

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