Empresas querem aumentar as vendas e acabar com a ociosidade da produção, na Capital do Calçado Feminino
Jaú - O Sindicato das Indústrias de Calçados de Jaú assinou recentemente um convênio de cooperação com a Agência de Promoção das Exportações (Apex) com o objetivo de incentivar as vendas do setor calçadista da cidade para o mercado internacional. Além de desenvolver a indústria local, os idealizadores do convênio querem ainda, e sobretudo, acabar com a sazonalidade da produção.
Atualmente as indústrias calçadistas registram um aumento nas vendas sempre no segundo semestre do ano, mais especificamente no fim do ano. O convênio, que une esforços do sindicato, das empresas e de outros parceiros, como o Sebrae, quer exatamente acabar com a ociosidade verificada nos primeiros meses do ano.
Para chegar a tanto, as empresas querem levar seu produto para além das fronteiras do País. América do Sul, Estados Unidos e Europa, são os mercados mais cobiçados. Hoje, apenas 15 empresas jauenses exportam seus calçados. Esse número representa apenas 10% do total de indústrias que estão instaladas na cidade. As informações são do sindicato. A meta é dobrar as exportações até janeiro de 2003, quando termina a vigência do convênio. Embora seja conhecida como a capital do calçado feminino, Jaú exporta apenas $ 1 milhão por ano.
Quase toda a produção da cidade fica em território nacional. A partir do momento que os calçados jauenses começarem a calçar os pés de outras nações, toda a cidade deve ser beneficiada, pois isso representaria mais emprego, ou no mínimo a manutenção dos já existentes.
Ajuda financeira
O convênio terá duração inicial de 20 meses e prevê aportes financeiros da ordem de R$ 5,7 milhões. Desse total, R$ 2,1 milhões devem ser desembolsados pela Apex, enquanto empresários e entidades de apoio se responsabilizariam pela complementação dos recursos.
Esse dinheiro deve ser usado, entre outras coisas, para oferecer treinamento aos funcionários, consultoria nacional e internacional e promover a indústria local em eventos do gênero, tanto no Brasil como no Exterior.
Das 140 empresas que existem hoje em Jaú, em sua maioria micros e pequenas, apenas 63 assinaram o convênio. Mas o sindicato não descarta a adesão de novos empresários. De acordo com os números apresentados pelo sindicato, a indústria calçadista emprega atualmente cerca de quatro mil pessoas.
Empresas buscam design avançado
Jaú - Quando você tem um design avançado, somado à qualidade do material, é mais fácil vender, teorizou José Geraldo Galazimi, diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Calçados de Jaú.
Hoje, o calçado produzido pelas empresas jauenses não deve nada às demais, em termos de qualidade. Para o Brasil, ele é ideal. Mas para aumentar as vendas, principalmente na Europa e Estados Unidos, será preciso melhorar o desenho do calçado e produzir algo novo e diferente.
E para isso foi assinado o convênio, junto com o Centro Tecnológico do Couro, Calçados e Afins (CTCCA), com sede no Rio Grande do Sul, que se propõe a auxiliar os modelistas das empresas a desenvolver novos modelos, mais adequados às exigências do mercado internacional.
Denominado Programa Setorial Integrado para Promoção das Exportações de Calçados de Jaú, esse intercâmbio de informações, tanto no âmbito tecnológico da produção quanto no desenvolvimento de novos modelos (design), visa colocar os calçados jauenses no mesmo nível ou bem próximos ao exigido pelo mercado americano e europeu.
A apresentação oficial do programa será na próxima terça-feira, dia 31, na sede do Sindicalçados, ao lado do Fórum, às 18 horas.