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Febem é preocupação para o Conselho da Criança de Bauru

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 2 min

A implantação da unidade da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), em Bauru, é uma das preocupações do padre Raulino Coan, novo presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Recém-eleito, entre três candidatos, para a presidência do conselho, padre Raulino é diretor da Casa do Garoto, entidade ligada à Ordem dos Padres Rogacionistas e que abriga, hoje, 150 crianças e adolescentes de famílias carentes em regime de semi-internato.

O conselho irá acompanhar a implantação e funcionamento da unidade da Febem para garantir que as histórias negativas da fundação não se repitam em Bauru, afirmou padre Raulino, que no conselho representa a Associação das Entidades Sociais de Bauru.

Apesar disso, o presidente do órgão municipal não é contra a instalação da Febem na cidade. Ele entende que o atendimento de menores infratores bauruenses em solo local é melhor que enviá-los a São Paulo, onde ficariam longe de suas famílias e, portanto, com menor estrutura emocional para ser reeducados.

Voltar a sua cidade é melhor para o reeducando. Acredito que perto da família ele pode ter maiores chances de recuperar a auto-estima. Mas, para isso, o conselho, em conjunto com a sociedade e o governo, precisa ficar atento a um conjunto de ações que favoreçam a reeducação, reforça.

A união entre as esferas governamentais, as entidades de assistência social e a sociedade é, na opinião de padre Raulino, a melhor maneira que garantir que as crianças e adolescentes bauruenses tenham seus direitos respeitados.

É preciso somar forças de todos os setores vivos da cidade. Não podemos esperar o poder público para agir. Tenho certeza que, bem articulada, a sociedade pode conseguir melhores condições de vida para crianças e adolescentes da cidade, afirma.

Entre as prioridades do novo presidente estão a garantia de ensino a jovens de 7 a 14 anos de idade, a ampliação de vagas nas creches (hoje, a demanda é reprimida em várias regiões de Bauru) e a melhoria das condições para que crianças e adolescentes saiam de situações de risco.

Nesse último caso, padre Raulino salienta que o acesso às informações básicas sobre higiene e alimentação pode contribuir para tirar muitas crianças da situação de risco. Como exemplo, cita o trabalho realizado pela Pastoral da Criança.

Informações sobre condições mínimas de higiene e saúde, como cuidados com doenças infantis e preparação de soro caseiro, têm contribuído para eliminar uma série de problemas que rondam a periferia, como a desidratação e as doenças respiratórias, comenta.

O assunto, aliás, deve ser abordado em breve na Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Bauru. O evento é o órgão máximo de debate e conhecimento da realidade infanto-juvenil local. Nele, serão debatidas e aprovadas as políticas públicas para garantir a defesa dos direitos desse público.

As propostas, a serem aplicadas no município, também serão levadas para a Conferência Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, por meio de cinco delegados eleitos no evento municipal e, posteriormente, para a conferência nacional, agendada para novembro.

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