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Argentina: adiar o inadiável

(*) Reinaldo Cafeo
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Depois de alguns dias com certa calmaria, o mercado voltou a ficar inseguro, tenso, em função das notícias vindas da Argentina. Há (como já havia) uma séria desconfiança que as contas públicas naquele país não fecharão. As províncias terão dificuldades em cumprir a meta de déficit zero e o próprio governo central sabe do quanto será difícil conseguir adesão total para garantir boa performance das contas públicas.

O indicativo, portanto, é que a solução definitiva passará pela desvalorização cambial. A análise é clara: qual o menor custo para Argentina neste momento. Deixa o país em forte recessão, com efeitos sociais importantes, ou desvaloriza, enfrenta forte turbulência internacional, até decretando moratória, e depois tenta a recuperação (com custo social também).

Considerando que o Brasil já costura um novo acordo com FMI, buscando uma espécie de cheque especial de US$ 15 bilhões, o que garantiria suportar honrosamente a crise mais aguda da Argentina, o melhor para nós seria a Argentina desvalorizar o peso e tentar a recuperação ali na frente.

Nos parece que a Argentina está querendo adiar o inadiável. Quanto mais o tempo passa, mais inseguro o mercado se torna, e fica mais complicado administrar as variáveis macroeconômicas.

(*) Reinaldo Cafeo é delegado do Corecon, economista e professor na ITE.

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