Geral

Histórias de pescador

(*) Fernando Alvarez
| Tempo de leitura: 2 min

Lambaris e piavas pescadas no catira

Quem nunca viu por este Brasil afora, ou quem sabe até pela televisão, a dança tradicional caipira chamada catira, que se dança através de palmeados e muita batida de pé no chão, cadenciada pelo ritmo forte do toque de uma viola.

Pois é, esta dança, tipicamente caipira, vem nos mostrar uma pescaria diferente. Antes, porém, não posso relatar a história sem falar dos integrantes do grupo Caçula de Catira, grupo que é formado por crianças a partir de sete anos até senhores de 73 anos, mostrando que no catira não tem idade para se bater o pé no chão. Bem, mas vamos ao fato acontecido.

O grupo formado pelos violeiros Toninho e Braulino da dupla Irmãos Domingues, juntamente com o Grupo de Catira formado pelos seguintes: Zelão, João Carneiro, Zé Carneiro, Miro, Theodoro, Barretos, Dito Botelho, Renata e as meninas alunas do catira, e algum outro que possa ter ficado de fora, foram convidados a mostrar seu valor em Avaí, perto de Clavinote, passando a ponte, ponto tradicional de pesca da região.

Quando foram passar a conhecida ponte de madeira que cruza o rio, o ônibus quebrou, tendo que ficarem ali na estrada a espera do conserto.

Já que estavam ali, resolveram então ensaiar o catira, quando foi riscada a viola naquele silêncio da mataria. Até os bichos que ali estavam pararam para ouvir o pinho, viola esta que tem mais de 50 anos, portanto digna de respeito por quem a toca e quem a ouve.

Mas bater o pé no chão levantaria a maior poeira, então decidiram subir na ponte de madeira para valorizar o sapateado que podia ser ouvido a uns 30/35 quilômetros mais ou menos.

Devido ao barulho maior que um estouro de boiada, vários lambaris e piavas, acabavam saltando para o barranco para ver o que estava acontecendo, alguns ficavam enroscados na mata ribeirinha ou até mesmo na grama.

Após os violeiros terem cantado a música tradicional do catira chamada Fandango Mineiro, foram contar os peixes que estavam ainda a se debater na beirada do rio, mais ou menos uns 177 lambaris 77 piavas e 7 pacus, que foram, em sua maioria, devolvidos ao rio para que pudessem continuar povoando aquele lugar.

Como no ônibus tinha alguns apetrechos de cozinha, fizeram uma fritada de peixes maravilhosa ali mesmo, enquanto o ônibus era consertado. Depois do ocorrido, eles fizeram a apresentação no local de destino, e melhor, com a barriga cheia, pois os peixes estavam uma delícia.

E não é que isso acontece de vez em quando, mesmo?!!! Pergunta para eles!!!!

(*)Fernando Alvarez faz uma homenagem aos amigos do Grupo Caçula de Catira

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