Geral

Fuga de pedágio dá prejuízo em Avaí

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 6 min

Motoristas usam uma estrada vicinal, que passa por várias fazendas de Avaí, para fugir do pedágio, na Rondon.

Avaí - Depois dos moradores de Areiópolis, agora é a vez de um grupo de fazendeiros de Avaí protestar contra o uso constante e indiscriminado dos desvios para fugir das taxas das praças de pedágios da região.

Eles se uniram e pedem providências do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) antes que algum acontecimento mais grave possa acontecer. Entre os prejuízos que os fazendeiros alegam estar tendo com o desvio está a deterioração de estradas, cercas, porteiras e mata-burros.

O desvio fica no sentido Bauru/Avaí, na rodovia Marechal Rondon, poucos quilômetros antes da praça de pedágio. O trecho é formado por oito quilômetros de estrada de terra (4,5 km a mais em comparação aos motoristas que optam por passar pelo pedágio) e, em alguns trechos, ela fica estreita a ponto de não ser possível a passagem de dois veículos em sentido contrário.

Depois de rodar vários minutos por terra, o motorista entra novamente na Rondon, alguns metros à frente do pedágio. Em razão das ondulações da estrada - provocadas pelo tráfego intenso de caminhões de carga, segundo os fazendeiros - muitas poças de água se formam com as chuvas. Isso tem provocado grandes transtornos aos moradores do local.

Quando acontece de algum veículo ficar atolado no barro, o tráfego é interrompido em ambos os sentidos, dependendo do trecho onde se dá o problema.

Alguns moradores acabam até mesmo lucrando com essa situação. Pois os motoristas, quando saem em busca de ajuda, geralmente procuram alguém por perto que tenha um trator para desatolar o veículo. E quando encontram, muitas vezes têm de pagar pelo serviço.

Mesmo com esse ganho extra, o balanço final acaba no vermelho para os proprietários das fazendas margeadas pelo desvio. Segundo eles, os prejuízos superam, de longe, qualquer vantagem ocasional que possam ter com o uso do desvio.

Preço

O preço do pedágio para carros de passeio é de R$ 4,20. O mesmo preço é cobrado para cada eixo do caminhão; o que acaba encarecendo o transporte de cargas e motiva o uso do desvio. O advogado Marcos de Azevedo Gomes, 42 anos, é um dos fazendeiros descontentes com a situação. Ele já teve a cerca de sua fazenda parcialmente destruída e um celular roubado, recentemente.

A cerca foi danificada depois que um caminhão ficou atolado e estava impedindo a passagem de outros veículos. Como o problema demorou a ser solucionado, os demais motoristas resolveram abrir caminho pelo pasto da fazenda. Para isso, a cerca foi derrubada.

Segundo Gomes, o prejuízo poderia ter sido bem maior. Naquela ocasião, por sorte, nenhuma cabeça de gado escapou pela abertura feita na cerca.

Há duas semanas, a sede da fazenda do advogado foi alvo de dois assaltantes encapuzados. Eles entraram na casa, mas levaram apenas um telefone celular, graças ao caseiro. Quando ele descobriu que a casa estava sendo assaltada, ele ameaçou soltar os cães, caso os assaltantes se recusassem a ir embora.

Segundo Gomes, antes da inauguração da praça de pedágio em Avaí a estrada era bem melhor, sem as ondulações, o tráfego de caminhões inexistia, assim como as notícias de roubo ou assalto na vizinhança.

Segundo as contas dele, já houve dias em que a média de veículos, caminhão em sua maioria, que usaram o desvio, chegou a 30 por hora. Já cheguei a ver um comboio de dez caminhões de carga passando por aqui, relata Gomes.

O advogado não descarta lançar mão de uma medida judicial, caso os problemas continuem sem solução. Entretanto, ele ainda não sabe quem será o réu em sua ação. Se a Prefeitura de Avaí ou o DER.

Mas de uma coisa Gomes tem certeza. O ônus do desvio não deve ficar com os proprietários das fazendas.

Tragédia

A maior preocupação do advogado, em particular, e dos fazendeiros, em geral, é com o risco de uma fuga de animais em direção à rodovia. O tráfego constante de caminhões, principalmente, enche de terra as valas abertas sob os mata-burros. Em um determinado momento, a terra fica no mesmo nível do mata-burro, o que acaba neutralizando sua principal função, que é impedir a passagem de animais para além da porteira.

Gomes mostra-se preocupado com a possibilidade de uma tragédia. Se acontecer de um boi escapar e ir até a rodovia e provocar um acidente; de quem será a culpa? Ele diz que cansou de tirar a terra acumulada nas valas dos mata-burros. Outros fazendeiros faziam o mesmo, e também cansaram, segundo Gomes.

Ele conta que já houve acidente, provocado por animais na pista, mas felizmente nada grave teria acontecido. Como os animais recebem a marca do proprietário, em caso de acidente na pista, Gomes lembra que o mesmo torna-se passível de uma ação judicial e poderá responder por um possível dano ao veículo ou, o que seria muito pior, aos seus ocupantes. É dessa responsabilidade que os proprietários de cabeças de gados querem se ver livres. Eles justificam que os danos nos mata-burros não são eles que ocasionam. Consequentemente, a culpa, em caso de acidentes provocados por animais, também não seriam deles.

Segundo a assessoria de imprensa do DER, a responsabilidade pela manutenção da estrada vicinal, usada como rota de fuga pelos motoristas, para fugir da taxa de pedágio, é da Prefeitura de Avaí.

Por se tratar de uma estrada municipal, toda e qualquer providência para reparar ou evitar os estragos deve ser tomada pelo município, de acordo com assessoria.

A gente é penalizada sem ter culpa

Avaí - A professora e ex-jogadora de basquete, Jacy Guedes de Azevedo, 56 anos, também está revoltada com os problemas trazidos pelo desvio que passa ao lado de sua fazenda. A gente é penalizada sem ter culpa. Nunca teve isso aqui, irrita-se.

Ela relata um furto de gado que houve em fazenda vizinha, quando mataram o animal no próprio pasto. Os ladrões levaram a carne e deixaram o resto no local. O animal que foi abatido era uma vaca e estava prenhe.

A intranquilidade que tomou conta dos fazendeiros atingiu em cheio a professora. Ela circula pelo local em uma caminhonete e no banco do passageiro leva sempre consigo um rottweiler nada amigável. Jacy diz que faz isso por uma questão de segurança. Ela tem medo de ser assaltada.

Esse mesmo risco corre também quem usa o desvio. Em razão da pista estreita, é fácil armar uma emboscada. Em caso de assalto, a vítima não teria para aonde fugir.

Jacy, que já foi bicampeã panamericana na década de 70, pela seleção brasileira de basquete, considera que o valor do pedágio é alto, mas ela não acha justo os fazendeiros arcarem com os prejuízos provocados pelo desvio. Segundo ela, alguma coisa precisa ser feita e lembra que o prejuízo não é só dos fazendeiros. O DER, que administra a rodovia, também acaba sendo prejudicado, a partir do momento que deixa de arrecadar.

Comentários

Comentários