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Pílula do dia seguinte: só em emergência

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

O ginecologista Marcos Cabello dos Santos diz que a contracepção por este método não pode ser uma prática usual.

A pílula do dia seguinte não deve ser usada como método contraceptivo usual, só em casos emergenciais. Na sua composição há grande quantidade de hormônios que podem prejudicar a vida da mulher. O alerta é feito pelo ginecologista, Marcos Cabello dos Santos.

Na opinião do médico, a contracepção é extremamente complexa. A dicotomia da profissão é ajudar a paciente a evitar filho, quando ela não quer ter filho. Ajudar ela a engravidar quando o sonho é ser mãe.

Segundo ele, a anticoncepção através da pílula do dia seguinte tem que ser vista num contexto de uma situação especial, emergencial. Em situações como quando a paciente usa um método freqüente e esquece de tomar. Ou, quando o preservativo estoura.

Santos explica que, há 10 anos, não existia a pílula do dia seguinte e a alternativa era o médico prescrever uma super dosagem da pílula normal. Usava-se um número X de uma pílula normal, tomado de uma só vez. Isso acarretava desconforto gástrico e mamário, porque havia uma estimulação com grande quantidade de hormônios. A finalidade era evitar a concepção, que é a fecundação, é a entrada do espermatozóide dentro do óvulo.

O ginecologista frisa que a mulher, no meio do ciclo, tem a ovulação. Essa ovulação acontece próxima da trompa. Na trompa existe um ambiente propício para o óvulo permanecer. O espermatozóide vai fecundar o óvulo dentro da trompa e isso não vai acontecer na hora do ato sexual.

Durante o ato sexual, de acordo com ele, é eliminada uma quantidade de sêmem contendo espermatozóide que vai demorar de 24 a 36 horas para chegar no óvulo. Tomando a pílula até 24 horas após o ato sexual pode ocorrer uma mudança no ambiente da trompa e do útero, evitando a fecundação.

Não é abortivo

O médico é cuidadoso em afirmar que a pílula do dia seguinte não é abortiva, em príncipio. Na defesa de sua tese, ele diz que ela pode atuar na trompa e no endométrio, embora nem todos os autores aceitem. Sempre evitando a fecundação. Nem todos os autores acreditam que a pílula do dia seguinte funcione no endométrio. Eles acreditam que a pílula teria que atuar nas trompas. Caso contrário, a gravidez seria certa.

Eficácia

Santos diz que a eficácia da pílula do dia seguinte é a mesma das demais pílulas normais. A eficácia é de 98,5%.

A contra-indicação, segundo o médico, fica por conta da simplificação do método. O perigo é passar a usar essa pílula como forma de anticoncepção, principalmente por adolescentes e pessoas que têm pouco acesso aos serviços médicos.

Ele não indica o uso indiscriminado da pílula. Eu não aconselho que a pílula seja tomada sem orientação médica, comprada num balcão de farmácia.

O alerta se deve aos efeitos colaterais. A quantidade de hormônio é maior do que na pílula normal, por um curto período de tempo. Enquanto que o anticoncepcional oral tem uma dose X de estrógeno e progesterona, a pílula do dia seguinte tem uma grande quantidade de progestágeno usado de maneira aguda. O progestágeno é um derivado da progesterona, explica ele.

Público usuário

Segundo o médico, a ala feminina usuária da pílula do dia seguinte é formada de pessoas bem instruídas, que têm acesso ao serviço médico. Adolescentes de nível social e cultural melhor, pacientes que têm seu método usual e que eventualmente se deparam com um acidente ou um descuido. É uma segurança maior para a mulher que não pretende ter filhos.

Procura já foi grande

Embora todas as farmácias comercializem as pílulas do dia seguinte, nenhuma delas quis ser identificada. Nas duas consultadas, a venda já foi maior quando ela foi lançada.

A gerente de uma das farmácias garantiu que o preço é muito semelhante a da cartela de pílula com 21 comprimidos. Cerca de R$ 15,00. Para comprar não há necessidade de apresentação de receituário médico.

Efeitos colaterais

O ginecologista Marcos Cabello dos Santos ressalta que as usuárias da pílula do Dia Seguinte devem tomar cuidado com os efeitos colaterais. Especialmente, os gastrointestinais, e da deposição de gordura, efeito metabólico.

Na opinião dele, os métodos tradicionais de contracepção são os mais indicados. A idéia dessa pílula é complementar nos casos emergenciais.

Segundo o ginecologista, ainda não se sabe por quanto tempo ela atua na trompa ou no útero. Não sabemos se o uso em uma semana, um mês ou mais, se ela continua eficaz.

Ele frisa que o uso continuado pode significar uma agressão. A orientação médica é importante porque essa pílula interage com outras drogas, portanto não deve ser tomada com outros medicamentos.

Outro perigo do anticoncepcional emergencial, de acordo com o médico, está na transmissão de doenças. As venéreas, Aids etc. Uma vez que a paciente passa a achar que é um método de uso contumaz e deixe de usar o preservativo, por exemplo. Neste caso, ela estará propiciando uma perda de cuidados.

Outro cuidado deve ser observado quando a pílula do Dia Seguinte falha e a gravidez prossegue. Nós não sabemos o efeito que ela teria sobre o embrião e feto. Existem estudos que acreditam que ocorrem uma masculinização devido a grande dose de progestágeno trazendo efeitos até de má formação.

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