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Silêncio de nilsistas irrita Rubão

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Para o presidente da executiva municipal do PPS, é preocupante o comportamento dos parlamentares do PPS.

Fiquei perplexo. A frase é do presidente da executiva municipal do PPS, Rubens Rubão de Souza (foto), para explicar a postura de silêncio adotada pelos vereadores Milton Dota Jr. (PPS) e Edmundo Albuquerque (PPS) diante dos ataques feitos por parlamentares da oposição ao prefeito Nilson Costa (PPS), durante a sessão legislativa de anteontem. Dota Jr. é líder de Nilson na Câmara Municipal.

Irritado com o comportamento dos vereadores nilsistas, Rubão avaliou que a bancada de oposição cumpriu seu papel. Quem não está cumprindo o seu papel são nossas lideranças. Eu esperava que nossos vereadores fizessem a defesa do prefeito. Não dá para entender o que aconteceu, desabafou.

Ele defende que homens públicos precisam ter posicionamentos políticos definidos. Acho que faltou empenho. Faltou uma energia mais pulsante. Estendo essa crítica não só aos vereadores, mas a todos os integrantes da Administração. Não é só a falta de defesa ao prefeito, mas a falta de defesa de um pensamento político. Dirigentes da Prefeitura, secretário municipais precisam ter posição, cobrou.

Souza se diz preocupado com a situação. Há uma cobrança generalizada sobre isso. Alguns militantes do PPS fazem essa mesma leitura. O dirigente do PPS afirmou que não pretende se reunir com os vereadores para cobrá-los. Não há necessidade. Isso está implícito. A ação da defesa deveria ter sido espontânea.

Estratégico

A avaliação do prefeito Nilson Costa sobre o silêncio dos vereadores do PPS, na sessão legislativa de anteontem, não combina com as declarações de Rubão. Para o prefeito, o comportamento dos parlamentares foi estratégico. Às vezes é preferível não dar dimensão a certas afirmações absurdas, caluniosas. Dessa forma, evitamos o aumento do solo dos trombonistas.

O prefeito afirmou que Dota Jr. e Edmundo agiram corretamente ao deixar alguns vereadores da oposição falarem sozinhos. Para ele, não está havendo falta de empenho. Os parlamentares que são simpáticos a nossa Administração têm dado demonstrações de solidariedade. E outra: a população me conhece. Meus atos demonstram lisura.

Nilson diz que essa estratégia de silêncio não é atitude isolada do meio político de Bauru. Basta observarmos os debates na Câmara dos Deputados e na Assembléia Legislativa. A oposição vai lá na tribuna e destila seu veneno e a situação fala das obras, das benfeitorias do governo.

O vereador Edmundo Albuquerque reforça o posicionamento do prefeito. Para ele, nem tudo que se fala sobre o Executivo na Câmara deve ser rebatido. Especificamente sobre o assunto da CEI do DAE não há o que rebater porque não há nada de concreto. É mais oba-oba. Qual é a justificativa para a CEI? Qual é o assunto? Ainda não vi as sete assinaturas necessárias para o ingresso do pedido no plenário, justificou.

Edmundo também acha que agiu corretamente ao ficar em silêncio quando o vereador Antonio Garmes (PSDB) sugeriu a instalação de uma Comissão Processante para cassar o mandato do prefeito. Se o Garmes está tão convencido da necessidade de uma processante, por que ele não a pede? Esse pessoal (da oposição) vai acabar perdendo a credibilidade.

O líder do prefeito na Câmara, Dota Jr., reforça a argumentação de Nilson e Edmundo. O que aconteceu na sessão de ontem (anteontem) foi um jogo de cena. Não vi nada de consistente a ponto de ter que rebater. Vi muita ofensa pessoal, mas isso eu já estou cansado de ver. E ofensa pessoal eu não rebato. Discuto questões ideológicas, políticas. São falas iradas. Coisa que acumulou durante um mês de recesso.

Walter Costa defende reação

O vereador Walter Costa (PPS) disse, ontem, que na condição de presidente da Câmara não é de bom termo participar de embates políticos entre oposição e situação no plenário da Casa. Entretanto, ele comenta que na primeira reunião que o partido realizar vai reclamar da falta de reação dos líderes do partido no Legislativo quando o prefeito é atacado.

O vereador entende que o presidente da Câmara não pode se despir da função para ir ao microfone rebater a oposição em relação ao governo municipal, que é de seu partido. Por outro lado, Walter Costa garante que se não estivesse na presidência seria o primeiro a rebater. Faz parte do jogo democrático, tem que se posicionar, não pode deixar a oposição dizer o que quiser sem reação. Ele diz que fora do plenário está ajudando o prefeito a contornar essas situações dentro e fora do partido.

Sobre a possibilidade de abertura de Comissão Especial de Inquérito (CEI) em relação ao DAE, o nilsista tem uma opinião particular. A CEI nasceria esvaziada. Primeiro porque os fatos que estão sendo comentados até agora já são objeto de apuração interna no DAE, que abriu sindicâncias e já está na fase de processo administrativo para punir eventuais culpados.

O segundo argumento de Costa é porque este mesmo assunto já está na Promotoria através de representação assinada por nove vereadores. E todo mundo sabe que no caso de uma CEI, o que aconteceria é que o relatório final seria enviado para o MP, o que já aconteceu. Então, a CEI é desnecessária. Acho inclusive que uma CEI do DAE iria desrespeitar o trabalho do promotor e criar incredibilidade em seu trabalho, porque os vereadores já levaram este assunto ao MP, avaliou.

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