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Ciesp: reformas só no próximo governo

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Ricardo Coube, diretor estadual do Ciesp, disse que o estoque de reformas do governo Fernando Henrique se esgotou.

As reformas tributária, da Previdência e políticas não devem ser concretizadas até o final do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), que não terá interesse em se desgastar, o que poderia tirar as chances do candidato do governo à presidência da República de ganhar a eleição em 2002. A análise é de Ricardo Marques Coube, diretor estadual do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e conselheiro da entidade na diretoria de Bauru, para quem o governo não vai querer prejuízos eleitorais até a campanha.

Coube diz que o estoque de reformas do governo FHC já se acabou, pois não há o menor clima para conflito e desgaste político, depois do problema que houve com a economia e a pressão que está ocorrendo por causa da Argentina.

O diretor estadual o Ciesp diz que as reformas são bandeiras que devem ser assumidas no início do mandato do próximo presidente da República, pois é necessário um grande trabalho de reorganização do País. As mudanças são consideradas fundamentais para o futuro do Brasil e de suas empresas dentro do mercado globalizado. Como poderemos estar falando em Alca sem uma isonomia de fatores competitivos. Não faz o menor sentido, afirmou.

Para Coube, está claro que o novo ministro do Desenvolvimento, embaixador Sérgio Amaral, chega para se alinhar com a equipe econômica do governo. O empresário afirma que falta um viés na macro economia e na gestão, apesar da linha geral do economia estar boa. Mas, você não tem alguém zelando pela economia do mundo dos negócios, do meio empresarial, tentando fazer com que as empresas possam sobreviver nessa corda bamba provocada pelos problemas de energia e câmbio a situação ficou mais difícil, afirmou.

O diretor estadual do Ciesp disse que falta ao governo alguém que enxergue as causas empresarias. Ele disse que Alcides Tápias, ex-ministro do Desenvolvimento, tentou fazer esse tipo de trabalho e não conseguiu implementá-lo.

Com essa situação, o empresariado sente que fica sem interlocutor para defender, até mesmo, questões mais simples que podem favorecer as empresas e a população. São situações como irrigar a economia com mais crédito, fazendo com que os bancos possam lucrar emprestando dinheiro, como seria o natural, e não com ganhos no câmbio e recebimento de taxas. Temos que criar essa cultura neste País. Banco aqui lucra com tudo, menos com empréstimos, afirmou.

O líder empresarial destacou que não há iniciativa do governo que busque melhorar a situação da economia privada, das empresas, podendo minimizar, um pouco, as dificuldades que as empresas estão sentindo de conviver com todas a pressão do câmbio, juros e desaceleração de mercado, afirmou.

Críticos

Para Coube, os próximos três meses serão críticos para o setor empresarial, em razão da queda de demanda provocada pelos aumentos dos custos dos serviços públicos, pela estagnação dos salários e ameaça aos empregos. Com isso, há uma demanda que começa a acentuar um consumo menor na ponta, que Coube vê como irreversível a curto prazo.

Na base das indústrias, há um aumento de custos provocado pelo aumento das matérias-primas, serviços públicos, juros, etc., sem a menor chance do repasse desses valores para os preços dos produtos. Então, o empresário está espremido com um aumento de custos na base e com dificuldade de venda na frente. A indústria começa a viver o pior dos mundos, no qual começa a ser comprimida, de novo, por um processo que você tem dificuldade para vender e seus custos estão sendo aumentados, podendo criar uma situação de dificuldades crescentes, dependendo do setor de atuação de cada uma, afirmou.

Para o diretor estadual do Ciesp, somente o tempo pode amenizar essa situação, se houver um alívio da pressão sobre o fator energia e um crescimento de demanda natural no final de ano, em razão dos dissídios e pagamento do 13.º salário, que aliviam a pressão sobre o poder aquisitivo. Até lá, espero que a pressão do dólar e dos juros estejam menores, o que vai aliviar a pressão sobre as empresas, afirmou.

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